Mielopatia

A medula espinhal é uma das estruturas mais importantes do corpo. Por ela, passam os impulsos nervosos que comandam os movimentos de todo o indivíduo. Por isso, é fundamental que a saúde da medula espinhal seja sempre mantida. No entanto, há casos em que ela é afetada por doenças como a mielopatia.

O que é mielopatia?

mielopatiaA medula espinhal é composta por uma série de feixes nervosos. Essas estruturas são as responsáveis por receber o comando do cérebro e levá-los ao membro correto, fazendo o corpo se locomover. Ou seja, braços, pernas e mais se mexerem. É por meio dela também que o ser humano possui funções sensitivas, como a sensação térmica, a percepção da dor e o tato.

Logo, qualquer lesão ou pressão exagerada sobre essa estrutura pode causar desordem, dificultando ou até eliminando a capacidade de movimento e sensibilidade do indivíduo. A medula é protegida pelo canal vertebral, com ossos, discos e vértebras, e assim qualquer desordem nessas estruturas é igualmente perigosa.

O termo mielopatia define qualquer doença que pressione a medula, dificultando as transmissões nervosas pelas quais ela é responsável. O quadro é tomado como um déficit neurológico, ou seja, compromete o sistema nervoso do paciente.

Na maioria das vezes, sua causa está relacionada à degeneração de sua estrutura e da coluna. Degeneração essa comum com o passar da idade, em que o corpo se deteriora naturalmente. Por isso, o quadro é mais recorrente em pessoas com mais de 50 anos de idade.

Assim como o desgaste é natural, o estreitamento da medula também acaba por o ser. Apesar disso, nem todo indivíduo desenvolve o estreitamento como uma patologia.

O problema pode ocorrer em qualquer área da coluna. Entretanto, é mais habitual na região cervical (pescoço) e na lombar (ao fim das costas).

Causas do problema

A degeneração da coluna e de outros ossos do corpo é algo comum ao longo dos anos de vida. Afinal, quando trabalha por um longo período, as estruturas do organismo começam a se desgastar. Como um pneu, que vai ficando careca ao longo de seu uso e precisa ser trocado.

Logo, a partir de certa idade, é habitual que surjam doenças causadas por esse desgaste. O que não significa, porém, que elas vão necessariamente acontecer. Uma série de fatores contribui para ocorrência dos problemas, como os maus hábitos de postura e o sedentarismo.

De qualquer forma, se uma doença degenerativa acontece, há grandes chances da medula espinhal ser afetada. Neste caso então, ocorre a mielopatia, que pode ser um grande problema à saúde.

A mielopatia pode ser provocada por doenças, traumas externos, infecções e processos inflamatórios. Dentre as principais causas do problema está a estenose espinhal, ou seja, o estreitamento do canal espinhal. O canal pode ser diminuído por uma série de doenças, como o bico-de-papagaio.

O bico-de-papagaio ocorre pelo desgaste dos discos vertebrais. Os discos são estruturas fibrocartilaginosas localizadas entre uma vértebra e outra da coluna. Eles servem como amortecedores naturais do corpo, e impedem que as vértebras se atritem. Afinal, caso isso ocorresse o desgaste das estruturas seria intensificado, assim como a dor a cada movimento diário.

No caso do bico-de-papagaio, o que acontece é o crescimento de ossos entre os discos desgastados. Isso porque o corpo tenta “compensar” sozinho a inexistência de seus amortecedores. Os bicos, também chamados de osteófitos, acabam então por pressionar os nervos mais próximos da coluna.

Espondiloses e outras doenças

mielopatiaA hérnia de disco é uma lesão semelhante. Nela, porém, o corpo não busca compensar a ausência do disco. O desgaste permanece, e os ossos continuam a se atritar. Nesse caso, também, o disco não apenas se deteriora, mas ganha uma nova forma. Isso significa que, ao invés de oval, ele se torna mais esticado, devido ao escapamento do seu núcleo, chamado de núcleo pulposo. Logo, essa nova forma pressiona os nervos mais próximos, podendo inclusive afetar a medula.

São várias outras as doenças causadas pelo desgaste da coluna e seus discos. Nesse caso, os problemas são denominados de espondiloses.

Outro quadro que pode levar ao pressionamento da medula é a artrite reumatoide. A artrite é uma doença inflamatória. A inflamação afeta as membranas sinoviais, camadas conjuntivas que envolvem as articulações.

As membranas são responsáveis pela produção do líquido sinovial, uma substância fundamental por lubrificar e nutrir as articulações. Quando há uma inflamação, essas funções do líquido não são realizadas, causando o desgaste das estruturas e a pressão sobre as raízes nervosas.

Há ainda a possibilidade de ocorrência da mielopatia como consequência da hipertrofia facetaria. A hipertrofia é caracterizada pelo aumento das articulações sinoviais que se conectam às raízes nervosas. Essas articulações são cartilaginosas, preenchidas pelo líquido sinovial que realiza a função já citada. O aumento das estruturas diminui o espaço da medula, comprimindo-a.

Tumores, benignos ou malignos, podem igualmente levar ao problema. Se o tumor está localizado próximo à medula, ele pode comprimi-la. Essas situações, porém, são mais raras, assim como casos associados a linfomas, leucemias e cisticercose. Outras causas pouco recorrentes, mas possíveis, são a diabetes, síndrome da imunodeficiência adquirida, lúpus eritematosos e doenças desmielinizantes, isto é, que provocam danos à bainha de mielina dos neurônios.

Outros fatores causais

Uma possibilidade é ainda a calcificação de ligamentos. A condição acontece quando um ligamento ou tendão se inflamam. Como resposta, o corpo deposita sais de cálcio nos locais inflamados, provocando sua ossificação.

Choques externos, como uma grande pancada na coluna, ou então fraturas, também podem causar a doença a que este artigo  se refere. As fraturas podem ser resultado de choques e acidentes, mas também de doenças como a osteoporose, que enfraquece os ossos.

Outro fator possível é o acúmulo de sangue (hematoma) na medula ou áreas próximas, tal qual o acúmulo de pus nessas regiões.  Normalmente, os hematomas ocorrem como consequência de uma lesão por agente externo. No entanto, podem da mesma forma surgir por tumores, uso de anticoagulantes e problemas nos vasos sanguíneos. Já o pus é um líquido amarelo e espesso, que se forma em regiões infeccionadas.

Tipos de mielopatia

A mielopatia é classificada segundo seu fator causal, em duas categorias. A primeira é chamada de espondilótica. Nos casos dessa “modalidade” da doença, o paciente acumula uma série de fatores e problemas degenerativos.  Como a hérnia de disco, o bico-de-papagaio, a hipertrofia de estruturas e a calcificação de ligamentos.

É importante destacar que a ocorrência de quadros degenerativos é bastante comum. Mas nem sempre a mielopatia se desenvolve quando estes quadros aparecem. A gravidade, hábitos de vida e evolução da doença em questão é que determinam a ocorrência ou não da enfermidade secundária.

Já a modalidade traumática da doença, como o próprio nome sugere, é fruto de traumas diretos na região. Assim, qualquer lesão no tecido muscular, provocado por uma queda, acidente automobilístico, pancada ou outros, pode ser causa da condição.

A classificação também pode ser feita pela localização do pressionamento da medula. Assim, há a mielopatia cervical (na área do pescoço), a lombar (ao fim das costas) e a torácica (no meio da coluna espinhal).

Mielopatia completa e incompleta

Outra categorização possível da doença aqui abordada é feita de acordo com as funções afetadas pelo quadro. A mielopatia incompleta dificulta funções abaixo da lesão na medula, de forma leve ou grave. Isso significa que, se a lesão for no meio das costas, a lombar e pernas podem ser comprometidas, tanto no quesito movimento, quanto na sensibilidade.

Já no quadro completo da doença, o paciente perde toda e qualquer sensibilidade e movimento abaixo da área lesionada. Numa lesão acima da cintura, por exemplo, o indivíduo perde a capacidade de andar e até a continência urinária e intestinal.

Sintomas

mielopatiaOs sintomas de uma mielopatia são sinais comuns à maioria das doenças degenerativas da coluna, uma vez que essas são causas comuns do problema. Desta forma, o paciente afetado pela doença tende a perceber a dormência dos membros e formigamento de braços, pernas e costas.

Outro sintoma habitual é a rigidez do pescoço, assim como a dor nessa área. A dor também pode aparecer nos ombros, mãos, braços, pernas e pés. Há ainda a perda de sensibilidade, térmica ou de tato, e até dos reflexos. É possível, ao mesmo tempo, que surjam inchaços nas articulações ou costas.

O sinal que costuma chamar mais atenção, contudo, é a diminuição de força dos membros. Todos eles. Na parte superior do corpo, o indivíduo manifesta essa condição pela dificuldade em manipular e segurar objetos, tal qual de realizar trabalhos manuais como o artesanato ou mesmo o cozinhar.

Nos membros inferiores, as pernas parecem “não responder aos comandos”. Deste modo, elas se tornam “pesadas”, demonstram dificuldade em se mover. O indivíduo também sente falha no equilíbrio e fraqueza para esforços maiores, como subir escadas.

Em casos pouco mais extremos, outro sintoma que se manifesta é a incontinência urinária. Afinal, o ato de urinar é comandado por impulsos nervosos. Se a medula, principal feixe nervoso do organismo, falha, esse processo é igualmente comprometido.

O diagnóstico

O primeiro passo para o diagnóstico da mielopatia é a conversa com o médico. Por meio dela, o especialista busca entender os sintomas do paciente, a progressão dos sinais, sua história clínica e mais. Assim, são feitas ao indivíduo perguntas como: quais seus sintomas atuais? Quando eles surgiram? Onde eles ocorrem? Há algo que melhore ou piore estes sinais? Você já teve algum problema parecido anteriormente? Você ficou doente num período recente? Membros da sua família já manifestaram problemas de coluna ou na medula? Como são seus hábitos alimentares, de postura e exercícios físicos?

Após conhecer melhor esses aspectos da vida do paciente, o profissional médico realiza exames físicos. Da nuca, braços, pernas e costas. São analisadas questões como a limitação de movimentos, dor e flexibilidade dessas regiões.

Nenhum diagnóstico é completo, todavia, se não forem realizados exames de imagem. Vários exames, porque é possível que o raio X, mais “básico”, não revele problemas, mas outros testes o façam. De qualquer modo, o raio X é importante, pois permite a melhor visibilidade da coluna e áreas próximas.

A ressonância magnética, por sua vez, cria imagens em alta definição do organismo. Isso garante melhor visualização das estruturas internas, mostrando inclusive o estreitamento do canal espinhal. O mesmo faz a tomografia axial computadorizada, que permite ver alterações mínimas na região das costas, como tumores.

Como a medula é responsável pela transmissão dos pulsos nervosos, o médico ainda realiza exames neurofisiológicos. Os testes analisam se existe comprometimento de raízes nervosas ou da própria medula.

Níveis da doença

Para avaliar a gravidade da pressão sobre a medula, o médico se utiliza do chamado Sistema de Nurick. Segundo o sistema, a doença possui seis níveis, numerados de 0 a 5. No nível 0, o indivíduo apresenta sintomas de compressão das raízes nervosas da medula. No entanto, a medula em si ainda não possui danos.

Já no nível 1, os sintomas continuam, mas não incluem a dificuldade em se locomover. No 2, as dificuldades em andar se iniciam, mas ainda são leves. Isto é, ainda não afetam as atividades diárias, como trabalho e cuidado com o lar.

No nível 3, a dificuldade para andar já demanda ajuda para tal. Ajuda por meio de instrumentos como uma bengala ou andador, ou mesmo de outras pessoas. A situação dificulta muito o dia a dia, impedindo até um emprego em tempo integral. O nível 4 tem os mesmos efeitos, mas mais graves.

No último grau da doença, o 5, o paciente é obrigado a recorrer a uma cadeira de rodas, pois não consegue se manter em pé de modo algum.

Definindo melhor a gravidade do problema, o médico tem segurança para indicar o tratamento ideal da condição.

Tratamento

Com a definição da causa exata do problema, a mielopatia será então tratada. A doença não tem cura definitiva. Mas o ortopedista pode definir o melhor método para controlá-la e para garantir a qualidade de vida do paciente. Com esses objetivos, existem dois métodos principais de cuidado: o conservador e o cirúrgico.

O tratamento conservador é aquele que inclui medidas não cirúrgicas, e é indicado na maior parte das situações. Entre as medidas, é possível citar o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Prescritos pelo especialista, os remédios auxiliam a diminuição da dor e de outros sintomas, além de evitar o agravamento da condição inflamatória.

É fundamental que o uso de medicamentos só seja realizado com a indicação médica. Mesmo que esses remédios sejam facilmente adquiridos, eles podem não ser os ideais para seu quadro de saúde. Podem ainda mascarar outros sintomas e dificultar o diagnóstico da doença.

Por isso, não há problema quanto ao uso por algumas vezes, quando os sintomas surgem repentinamente. Porém, se eles persistem, são sinais de algo maior que um mal-estar. Assim, a medicação por conta própria deve ser interrompida, sendo seguida por uma visita ao consultório.

De qualquer modo, após prescrito pelo profissional, o remédio deve ser utilizado seguindo todos os horários e doses recomendadas. Interromper a medicação sem orientação pode agravar o quadro.

Outro método conservador de tratamento é a fisioterapia. Com o auxílio de um fisioterapeuta, o paciente trabalha a postura, força e flexibilidade do corpo. O equilíbrio da marcha é igualmente aperfeiçoado pela técnica, uma vez que a locomoção costuma ser comprometida pela mielopatia.

Ademais, a fisioterapia é capaz de promover a descompressão da região da coluna. Essa realização diminui um pouco dos sintomas do paciente, principalmente a dor, já que os nervos não serão mais pressionados em demasiado.

Tratamento cirúrgico

Em alguns casos, é indicado ainda o uso do colar cervical, para imobilização do pescoço. Isso impede que a lesão se agrave.

O método conservador costuma ser eficaz, principalmente, quando a doença é descoberta rapidamente. Há casos, no entanto, em que ela é percebida já com maior gravidade. Ou outros em que, mesmo “leve”, a lesão não tem boa recuperação com as técnicas antes citadas. Nessas situações, a solução é pelo procedimento cirúrgico. Todos os tipos de operação visam a descompressão dos nervos e alívio da dor.

As cirurgias realizadas geralmente fazem a retirada do disco ou fragmentos que estão comprimindo o nervo da coluna. Em alguns casos, então, o disco pode ser substituído por uma prótese. Outra alternativa é a fusão da coluna. Ou seja, as duas vértebras que tinham o disco fragmentado entre si são “coladas”. Essa última técnica limita parte dos movimentos da coluna, mesmo que minimamente, e por isso é evitada sempre que possível.

Além destas, há a possibilidade da realização de cirurgia plástica nas áreas afetadas pela mielopatia. Quando esta é a determinação do médico, a operação é realizada de modo a aumentar o diâmetro do canal medular. Com o espaço maior, a medula deixa de ser comprimida.

Como em qualquer procedimento cirúrgico, as operações para tratamento da doença trazem riscos. Contudo, a ocorrência de complicações é baixa. De qualquer forma, é importante citar a possibilidade de lesões nos nervos da coluna ou próximos a ela, da medula e músculos da área em que for realizada a incisão. Infecções e hematomas também podem ocorrer nestes casos espaçados, assim como dificuldades em engolir, lesões no esôfago, dores locais e alteração da voz.

Atenção ao pós-cirúrgico!

mielopatiaApós a cirurgia, o paciente precisa ter alguns cuidados importantes. Como o repouso, indicado de acordo com o procedimento realizado e a condição do paciente. O tempo, porém, costuma girar em torno de algumas semanas.

O médico também pode indicar o uso do colar cervical, por aproximadamente seis semanas. Esse cuidado garante que a coluna, e principalmente o pescoço, não se movimentem bruscamente. Movimentos exagerados podem comprometer a recuperação do corpo.

A fisioterapia começa um pouco depois da cirurgia. Ela é necessária para que o corpo se adapte e mantenha plena capacidade de movimentação. Além disso, ela ajuda a diminuir a dor, e melhora força e equilíbrio. O mesmo fazem atividades físicas leves, como a caminhada. O esporte, todavia, só deve ser realizado após conversa com o ortopedista, que poderá indicar o momento e a prática adequada para o bem-estar do corpo. Exercícios feitos desmesuradamente e no período incorreto pode comprometer todo o tratamento.

Cuidados diários

Com a doença instalada ou já em tratamento, o paciente deve ter o cuidado de prevenir acidentes. Inclusive dentro de casa. Considerando que o problema dificulta a locomoção, é interessante abolir tapetes do chão, que poderiam causar escorregões e quedas. Obstáculos, mesmo que façam parte da decoração do cômodo, precisam ser encostados num canto, de modo a não atrapalharem o andar.

Nas escadas, o corrimão é mais que fundamental, assim como a iluminação que permita visualizar bem os degraus. Barras de apoio podem ser instaladas no banheiro, próximas ao vaso sanitário e ao chuveiro, para que o indivíduo tenha apoio aos seus movimentos.

Na hora de se levantar, da cama, uma cadeira ou outros, também é necessária atenção. O ideal é realizar movimentos lentos e calculados. Movimentações rápidas podem intensificar desgastes e causar pontadas de dor.

Prevenção da mielopatia

As principais causas da mielopatia são doenças que causam desgaste da coluna vertebral. Logo, o melhor modo de prevenir a doença é evitar que este desgaste desmedido ocorra. Para isso, é fundamental ter cuidado com a postura.

Quando a coluna permanece numa posição incorreta, ela recebe pressão exagerada. Cabeça baixa, lombar curvada, coluna torta. Deste modo, a espinha precisa sempre se manter ereta. Ao se sentar, procure recostar as costas no assento, de modo que a lombar e o meio das costas fiquem apoiados. Para dormir, o cuidado deve ser o mesmo: a posição ideal é manter o corpo de lado, com um travesseiro entre as pernas, para que a coluna fique o mais reta possível.

Importante também dar apoio a braços e pés, ou seja, recostá-los num suporte específico. Quando permanecem aéreos, inclusive ao trabalhar no computador, os pulsos exigem da coluna. Os pés, por sua vez, devem sempre encostar no chão ou em um apoio mais alto, de maneira que os joelhos se mantenham em ângulo aproximado a 90°.

Exercícios físicos que fortaleçam a musculatura e promovam o equilíbrio são igualmente boas formas de prevenção. Entre os mais indicados estão o Pilates e o Yoga, que utilizam o peso do próprio corpo para os movimentos. Além dos benefícios ao corpo, as atividades melhoram o bem-estar geral do organismo, auxiliando inclusive a manutenção de boas noites de sono.

Mielopatia em animais

Você sabia que, além de afetar os seres humanos, a mielopatia pode ocorrer em animais? Por isso, não estranhe se ouvir falar que o cachorro de um amigo está com a doença – isso é até mesmo comum!

A condição afeta principalmente cachorros e cavalos. No caso dos caninos, os animais perdem, progressivamente, a capacidade de movimento das patas traseiras. Em estágios mais avançados, a locomoção é feita por um arrastar. A doença atinge mais comumente cães de grande porte. Não há cura para o problema nesses pets, e há casos em que a eutanásia é indicada.

Já nos cavalos, a mielopatia é comum a todas as raças. Os sinais da condição habitualmente aparecem em até três anos de vida do equino, por meio da falta de coordenação dos músculos, rigidez muscular e até paralisia. Neste caso, há tratamento, realizado com mudanças na dieta, uso de anti-inflamatórios e de suplementos que melhoram a circulação do sangue. A cirurgia também pode ser indicada.

Dor torácica

dor-torácicaA dor nas costas é algo muito comum. Ela pode ser causada por uma série de fatores, e normalmente é algo benigno, que surge momentaneamente e desaparece após pequenas modificações no cotidiano. No entanto, quadros como a dor torácica merecem mais atenção, pois suas causas devem ser curadas com métodos específicos.

Estimativas indicam que até 80% da população mundial vive ao menos um quadro de dorsalgia durante a vida. A dorsalgia é um nome também dado à dor torácica. Ela pode estar relacionada à postura, lesões, fraturas, inflamações, mudanças provocadas pela gravidez e traumas diretos na coluna.

A região torácica das costas é a área compreendida entre a cervical (o pescoço) e a lombar (parte final da coluna). Ela possui doze vértebras, e qualquer problema numa dessas estruturas pode levar à dor. Nessa mesma região há nervos e articulações ligados a outras funções do corpo, o que pode estender a condição a estes espaços. Outros órgãos, localizados próximos à essa região, também podem ser o foco do incômodo.

Deste modo, é fundamental ter cuidado quando uma dor torácica aparece. O incômodo deve ser levado em conta principalmente quando ocorre de forma recorrente. A intensidade da dor também é importante: algo leve e passageiro pode ser fruto de uma distensão muscular, enquanto uma dor aguda provavelmente é resultado de uma inflamação.

Dor torácica e o aspecto muscular

Uma das causas mais comuns da dorsalgia são distensões musculares. Essas distensões acontecem quando o indivíduo, por exemplo, mantém a postura corporal incorreta, com as costas curvadas ou “tortas”. Ficar muito tempo na mesma posição é igualmente prejudicial, tal qual realizar movimentos bruscos.

O exercício físico realizado de forma incorreta é da mesma forma prejudicial, levando ao incômodo na área do meio das costas. Movimentos repetitivos, torções e traumas diretos na área tem os mesmos efeitos sobre as costas.

A dor torácica causada por problemas musculares tem características específicas. Primeiro: ela costuma começar levemente, e ir se intensificando ao longo do tempo. O movimento das costas costuma também aumentar a intensidade da dor, e o paciente tende a se sentir “travado”, sem conseguir realizar facilmente mudanças de posição. Em alguns casos, a tosse ou espirro, realizados repentinamente, também podem causar pontadas de dor.

Outro sintoma comum deste incômodo é a sensação de queimação da área lesionada, que pode, horizontalmente, ir de uma lateral à outra do corpo.

Problemas respiratórios

Problemas em três órgãos importantes para a respiração podem, da mesma forma, ser causa da dor torácica: os pulmões e o diafragma. Os pulmões são os órgãos mais importantes na realização da respiração de qualquer indivíduo, e ficam localizados na área posterior do corpo. Ou seja, bem próximos ao meio das costas. Se, por alguma inflamação ou disfunção, eles passam a trabalhar de maneira incorreta, o indivíduo pode sentir dores características da dorsalgia.

A dor torácica com essa causa costuma ser difusa, ou seja, tem ponto principal no meio das costas, mas se espalha para outras áreas. Assim, o paciente com o problema acaba por perceber reflexos da dor também em outras partes das costas, e cansaço insistente. Seus fatores causais são lesões na Pleura (membrana que envolve os pulmões), quadros infecciosos como a pneumonia, alterações vasculares no pulmão (como a tromboembolia pulmonar) e doenças crônicas no pulmão.

Além da dorsalgia, o paciente com distúrbios no pulmão costuma sentir dor no peito, tosse e a sensação de “peso” no tórax e nos ombros. É igualmente comum haver ainda sintomas como falta de ar, cansaço, secreção nasal e até febre, em casos de inflamações e contágio por agentes infecciosos.

Já o diafragma é um músculo que ajuda os pulmões em suas funções. Ao se estender, esse músculo cria uma “pressão negativa” dentro da caixa torácica, e assim o ar entra nos pulmões mais facilmente. Além disso, o diafragma auxilia o processo de digestão dos alimentos. Se algo afeta esse órgão, como um trauma ou inflamação, o corpo reage provocando dor.

Rins também são causa

Os rins são dois pequenos órgãos localizados na parte traseira do corpo, junto às costas. Eles são responsáveis pela filtragem do sangue, eliminando substâncias tóxicas e outras de que o organismo não precisa.

Devido a fatores como o pouco consumo de água, infecções, anemia, diabetes e outros, os rins podem ter suas funções comprometidas. Então, surgem infecções, pedras nos rins e outros problemas. Por serem localizados tão próximos ao meio das costas, os órgãos então provocam dor torácica, bastante intensa e repentina.

Normalmente, este sintoma aparece em apenas um lado das costas, pois é pouco comum que ambos os rins sofram problemas simultaneamente.

Perigo das lesões vertebrais

dor-torácicaAs lesões na coluna também podem causar a temida dor nas costas. Entre as mais recorrentes, há a hérnia de disco, resultado de uma lesão nos discos vertebrais. Os discos são estruturas fibrocartilaginosas localizadas entre cada uma das vértebras da coluna. Eles são os amortecedores naturais da espinha, e evitam que a cada movimento os ossos da região se choquem, o que causaria dor e desgaste.

Ao longo dos anos, ou por fatores como a má postura ou outras doenças, os discos vertebrais podem sofrer desgaste acelerado. Neste caso, seu núcleo, chamado de núcleo pulposo, altera seu local de repouso. Isso significa que, se antes permanecia no centro do disco, o núcleo começa a se deslocar, causando uma alteração na forma do disco. A estrutura costuma se tornar mais esticada, perdendo a silhueta oval. Essa alteração, então, provoca a compressão de nervos próximos à espinha, causando dor.

Quando todo este processo ocorre, o problema é chamado de hérnia de disco. Apesar de ser muito mais comum na área cervical e na lombar (já que essas são as que suportam maior peso do corpo), a hérnia pode sim ocorrer no meio das costas. E então, a dor torácica aparece associada ao formigamento, queimação, espasmos musculares e travamento da coluna (principalmente ao acordar).

É frequente também que o paciente com este problema perceba perda da força na área, perda de sensibilidade, e a sensação de pernas e braços “pesados”. Como reflexo, podem surgir ainda quadros de dor de cabeça e aumento da dor quando existem atividades bruscas, como respirações profundas, tosses, espirros ou movimentos rápidos realizados com as costas.

Além da hérnia, problemas análogos na coluna podem provocar a dorsalgia. Como a artrose, osteofitose, estenose do canal vertebral, traumas diretos na região e vários outros.

Atenção aos problemas digestivos!

Outro sistema que pode provocar dores nas costas é o digestivo. Relacionado ao diafragma, e também pela ligação de alguns nervos entre as regiões, problemas no fígado, estômago, vesícula biliar e duodeno, além de seus sintomas específicos, dão ao indivíduo uma dor nas costas insistente. Os quadros de dorsalgia não costumam ser agudos ou repentinos: eles surgem e vão se intensificando ao longo do tempo.

No caso dos problemas digestivos, a dor torácica vem acompanhada de sintomas como azia, gastrite, enjoos, dores abdominais e indisposição. Os sinais tendem a piorar em momentos específicos do dia, como durante o sono e após as refeições.

Outras causas

Além dos fatores causais mais comuns, citados até aqui, há problemas menos recorrentes que podem levar à dorsalgia. O primeiro deles são os tumores, pouco frequentes nessa região das costas. Além desse, há a possibilidade de surgimento do incômodo como um reflexo cirúrgico.

Se uma cirurgia ocorre nas costas, nos órgãos respiratórios ou digestivos, ou ainda nos rins, o indivíduo pode conviver por algum tempo com a dor no meio das costas. A situação é comum, desde que não seja intensa ou incapacitante. Se for este o caso, o paciente deve imediatamente informar seu médico, pois é possível que o corpo não esteja reagindo bem ao procedimento cirúrgico. Ao mesmo tempo, há a hipótese de que a operação tenha afetado algum órgão diretamente, o que deverá ser tratado.

Diagnóstico do problema

Para o correto diagnóstico da dor torácica, o médico costuma realizar uma série de etapas. Afinal, são muitos os fatores causais possíveis, e definí-lo com precisão é fundamental para um tratamento eficaz. Logo, o início dessa descoberta é realizado por um bate-papo entre médico e paciente. Nele, o especialista vai procurar entender todo o quadro do indivíduo. Serão realizadas perguntas como: como você caracteriza sua dor nas costas – aguda, branda? Ela é recorrente? Quando ela se iniciou? Há algo que melhore ou piore o sintoma? Quais outros sintomas você percebeu? Há casos de problemas de coluna em sua família? Você passou por algum procedimento cirúrgico no último ano? Você já manifestou doenças em órgãos como os rins ou os pulmões?

Em seguida, o médico realiza o exame físico. Analisa os batimentos cardíacos do paciente, o ritmo de sua respiração, os reflexos do corpo. Realiza ainda pressão no local indicado como dolorido, para verificar inchaços e a difusão da dor.

Para definição exata da localização da dorsalgia, e de sua causa, o especialista utiliza-se dos exames de imagem. Podem ser realizados, por exemplo, o raio X, que oferece uma visão em azul e branco dos contornos dos órgãos e ossos. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética, por sua vez, são capazes de analisar com maior precisão as alterações internas dos ossos e órgãos, como a porosidade da coluna ou uma inflamação nos rins.

Para melhorar a visualização das áreas, o profissional pode ainda se utilizar de técnicas microscópicas. Para isso, ele insere um pequeno dispositivo no corpo e guia-o para uma área específica. Isso permite ver o organismo, literalmente, de dentro.

Com estas informações, o médico consegue definir a causa do problema e o tratamento mais adequado.

Tratamentos da dor torácica

Logo, o tipo de tratamento para a dorsalgia varia de acordo com o diagnóstico especificado. Todas as terapias, no entanto, incluem a mudança de hábitos básicos diários. Entre estes hábitos está a alimentação: é preciso mantê-la sempre balanceada e rica em nutrientes. Sem isso, o corpo não garante todas as substâncias que precisa para funcionar perfeitamente, e fica sujeito a infecções e doenças.

De modo igual, é importante prezar pela realização de atividades físicas regulares. Essas atividades, porém, devem ser sempre supervisionadas por um profissional da Educação Física. Na hora de iniciar a prática, busque um médico e avalie suas condições físicas – um check up pode indicar problemas que você nem sabia que tinha, como uma leve lesão no joelho. Conhecer este problema vai impedir que você realize atividades que o intensifique.

Já o profissional da Educação Física é preparado para indicar os esportes mais adequados e a evolução dos exercícios de acordo com seu ritmo. Por isso, mesmo que você escolha realizar exercícios ao ar livre, como uma caminhada, converse antes com um especialista, buscando entender o melhor modo de realizá-los.

Ademais, é importante investir no alongamento do corpo antes e depois dos exercícios físicos, pois eles diminuem as chances de distensões e impactos extras.

Para situações em que as dores nas costas são causadas por problemas musculares e na coluna, esses cuidados relacionados aos esportes são bastante eficazes. Como já existe um quadro de dor, evitar sua intensificação é fundamental. Quando o esporte não é realizado, ou feito de forma incorreta, porém, pode ocorrer o aumento do impacto nas áreas doloridas. Quanto maior o impacto, maior a dor e a chance de complicações.

Pensando em qualquer fator causal, é fundamental ainda eliminar maus hábitos. Hábitos como o consumo excessivo de álcool, o tabagismo e o uso de drogas.

Cuide da postura!

dor-torácicaA postura do corpo é um ponto importante quando o assunto é a dor torácica. Isso porque, manter uma postura inadequada pode ou causar o problema, ou intensificá-lo. Deste modo, é preciso atenção à necessidade de manter as costas na posição correta durante o dia a dia.

O ideal é que a espinha permaneça sempre ereta. Por isso, a cadeira a que você se acomoda deve possuir um encosto confortável, que permita manter a coluna reta. Ao mesmo tempo, é essencial dar apoio aos braços, nos suportes da cadeira ou deixando-os pousados na mesa. Assim como é importante dar apoio aos pés: você precisa mantê-los no chão, ou firmados num suporte específico. Os joelhos devem sempre se manter em um ângulo semelhante a 90º.

Na hora de carregar peso, a coluna também deve permanecer ereta. Para isso, para suspender um objeto que se encontra abaixo o correto é flexionar os joelhos. Ou seja: você flexiona os joelhos, abaixa-se , segura o objeto e então o suspende, ainda mantendo a postura ereta. Esse tipo simples de cuidado evita tanto as dores musculares, quando o desgaste da coluna.

Nestas situações, de dor mecânica ou vertebral, o tratamento também inclui a fisioterapia. Nas sessões com o fisioterapeuta, o paciente trabalha a correção de sua postura e exercícios que fortalecem as costas. A flexibilização dos músculos também ocorre. Para estes resultados, costuma ser utilizado o método RPG (Reeducação Postural Global). O Pilates e o Yoga também podem ser indicados neste quesito, e servem inclusive como atividades físicas.

Medicamentos e terapias alternativas

Independentemente da causa da dor, um bom modo de tratá-la é pelo uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Os remédios são comprados facilmente em qualquer farmácia, e podem ser utilizados nos primeiros quadros de dor.

No entanto, há casos em que as substâncias não fazem efeito, ou em que as dores continuam a ocorrer por mais de uma semana. Se for essa a situação, é imprescindível suspender o uso dos medicamentos e buscar um médico. Afinal, quando a dor persiste, ela tende a ser mais do que uma distensão ou cansaço muscular. Logo, deverá ser tratada com métodos específicos. Se o indivíduo insiste em utilizar os remédios sem prescrição, fica sujeito a mascarar sintomas e intensificar os problemas.

Quando a dor é fruto de problemas em órgãos, como os rins e os pulmões, os tratamentos são realizados por meio de medicamentos específicos a estes órgãos. Em alguns casos, pode ser necessária ainda a realização de cirurgias, como a retirada de pedras nos rins, por exemplo.

Finalmente, existem métodos conhecidos como “alternativos” ao tratamento de dores nas costas. Sozinhos eles não conseguem curar as dores, mas podem auxiliar a terapia e acelerar a melhora promovida por um recurso tradicional.

Entre estes tratamentos há a acupuntura. A técnica insere finas agulhas no corpo do indivíduo, principalmente nas áreas doloridas, e assim consegue promover o relaxamento da região. A aplicação de bolsas térmicas, geladas ou quentes, tem os mesmos resultados. A osteopatia, por sua vez, manipula as articulações e músculos e incentiva o corpo a liberar seus anti-inflamatórios e analgésicos naturais.

Como prevenir a dorsalgia?

A prevenção de quadros de dor torácica passa por muitos dos métodos já citados como tratamento do problema. Como a prática de exercícios físicos supervisionados, a manutenção de bons hábitos alimentares e o não consumo de álcool e drogas.

Cuidar do corpo em geral é sempre a melhor alternativa. Por isso, é importante evitar também situações que influam nos órgãos que podem causar dores nas costas. Ou seja, pulmões, diafragma, sistema digestivo, rins e a coluna. Evite, por exemplo, colocar sua imunidade em risco utilizando roupas molhadas por tempo prolongado. Dê atenção especial à sua hidratação, fundamental ao funcionamento dos rins, e ao consumo de fibras, importante ao aparelho digestivo.

Lembre-se ainda de, no dia a dia, ter atenção à postura. Manter a cabeça baixa é comum, e pode prejudicar a espinha. Isso uma vez que coloca sobre ela pressão excessiva. Por isso, mantenha a cabeça e a coluna eretas ao se sentar, ao andar e, inclusive, ao utilizar aparelhos eletrônicos como o celular. Com cuidados desse tipo, a ocorrência de dorsalgia fica limitada.

Protrusão Discal

protrusão-discalQuando problemas de saúde são parecidos é comum haver confusão entre os pacientes. “Afinal, o que eu tenho?” é uma dúvida habitual. Ainda mais quando os nomes dos problemas são igualmente parecidos. É o que ocorre, por exemplo, com a protrusão discal: você talvez nunca tenha ouvido falar nela. No entanto, com certeza conhece a hérnia de disco. E ambos os nomes significam algo muito semelhante!

Os discos vertebrais são estruturas fibrocartilaginosas que ficam localizadas entre as vértebras. A coluna humana possui 33 vértebras, e estes ossos são os responsáveis por permitir a mobilidade da espinha. Sem os discos, a cada movimento do corpo as vértebras se chocariam, causando desgaste e dor. Logo, os discos vertebrais funcionam como amortecedores de impactos, que impedem que as vértebras se encontrem diretamente.

Para funcionar adequadamente como amortecedor, o disco vertebral é formado por duas porções: o anel fibroso e o núcleo pulposo. O núcleo pulposo é uma estrutura esponjosa, semelhante a um gel, que absorve os impactos da espinha.

Protrusão discal versus hérnia de disco

Tão importante assim, o pulposo cria problemas quando se modifica. Quando ele escapa levemente do centro do núcleo, cria uma forma diferente do disco, mais oval do que deveria. No entanto, este gel permanece no centro, ou seja, não rompe a estrutura fibrosa. Neste caso, o ocorrido é chamado de protrusão discal.

Se esta condição evolui, e então o núcleo pulposo extravasa o centro do disco, surge então uma hérnia. Isso significa que a protrusão é o primeiro estágio de uma hérnia. Por isso, aliás, o primeiro tipo de herniação possível é chamado de hérnia protusa.

Na seguinte, quando o problema não é mais apenas uma protrusão, ele é nomeado como hérnia extrusa. No último estágio de um abaulamento, o núcleo rompe por completo a capa fibrocartilaginosa do disco, e passa a ocupar espaço no canal medular. Aqui, o problema é conhecido por hérnia sequestrada.

Logo, é possível dizer que toda hérnia de disco é uma protrusão, ou seja, uma saliência do núcleo pulposo, a modificação do espaço que ele ocupa. Na protrusão discal, a “capa” fibrosa do disco não se rompe, apenas se distende, tomando nova forma.

Sintomas da protrusão discal

Em estágios bastante iniciais, a protrusão de disco pode não provocar sintomas. Segundo estatísticas, cerca de 80% dos indivíduos no mundo possui uma protrusão discal, uma inflamação momentânea, que não apresenta sintomas. No entanto, se a protrusão evolui a ponto de pressionar os nervos da coluna, os sinais de sua existência passam a existir.

A coluna é uma parte fundamental para sustentação do tronco. Mais do que isso, ela abriga a medula espinhal e uma série de raízes nervosas que comandam o movimento das costas e membros como os braços e pernas. Afinal, estes nervos saem da espinha e se direcionam aos membros, realizando suas funções de comando. Logo, quando há alterações na estrutura da coluna, esta capacidade de movimento fica comprometida.

Quando o problema é uma protrusão discal, o disco estende sua forma, passa a ocupar um espaço que não deveria e a pressionar as raízes nervosas. Como reflexo, o indivíduo sente dor na região do disco prejudicado. Pode sentir também perda da força na área, perda de sensibilidade, formigamento, queimação e a sensação de que pernas e braços estão “pesados”. O paciente com este problema pode ainda perceber a sensação de instabilidade das costas e rigidez, principalmente matinal.

Por que a protrusão acontece?

protrusão-discalUma série de fatores pode levar ao desenvolvimento de uma protrusão discal. O primeiro deles é a idade: a coluna é a região do corpo responsável por sustentar o peso do indivíduo por toda a vida. Logo, ela “trabalha” bastante, e sofre impactos constantes. Por isso, com o passar dos anos, é normal que a espinha e todas as suas estruturas sofram um desgaste natural. Como a sola de um sapato, que após um longo período de uso torna-se mais fina e gasta.

Com este desgaste natural do discol, seu anel fibroso e núcleo vão se tornando mais frágeis. Isso permite as alterações na forma, mostrando o abaulamento da estrutura. É por este motivo que a protrusão de disco, e também a hérnia, são mais comuns em indivíduos a partir dos 40 anos.

Entretanto, é cada vez mais comum a ocorrência de problemas discais em grupos mais jovens. A causa principal é a manutenção da má postura da coluna no cotidiano. Pense: quantas vezes durante o dia você “se corrige”, endireitando a coluna após ela mostrar algum sinal de cansaço ou dor? Manter as costas curvadas ou tortas, principalmente em frente ao computador, é comum. Assim como durante o uso de dispositivos eletrônicos, como o smartphone.

Quando um indivíduo mantém a coluna “torta”, ele coloca sobre os discos uma pressão exagerada. Isso promove o desgaste mais rápido da estrutura, e por isso vem aumentando a ocorrência da protrusão nos jovens.

Além destas características, fatores genéticos também têm influência no desenvolvimento dos abaulamentos discais. O indivíduo que possui na família casos da protrusão tem maior chance de desenvolver o problema. Neste caso, é ainda mais importante ter atenção à postura, uma vez que mantê-la na posição incorreta pode acelerar o desgaste de suas estruturas.

Mais fatores causais

Outros hábitos ruins também têm espaço entre as causas da protrusão discal. Como a má alimentação. Se você se alimenta mal, primeiramente não oferece ao corpo todos os nutrientes necessários para manutenção de sua força. Somado a isso, você fica mais sujeito ao sobrepeso e à obesidade. Ambas as situações fazem com que a coluna trabalhe mais, pois ela terá que suportar mais do que foi preparada para tal. Por falta de nutrientes, ela não possui “força”. Com o peso acima do ideal, ela carrega mais do que deveria. Deste modo, a espinha fica sobrecarregada e se desgasta mais rapidamente.

O sedentarismo tem efeitos semelhantes. A realização de exercícios físicos garante o fortalecimento dos músculos, ajudando as costas a manterem a sustentação do tronco. O esporte ainda promove bem-estar geral do organismo, fundamental à saúde como um todo.

Finalmente, segundo pesquisas, o tabagismo da mesma forma aumenta a predisposição de um sujeito ao desgaste dos seus discos vertebrais. Tal qual o uso excessivo de medicamentos, o consumo de drogas e o consumo exagerado de álcool.

Diagnóstico do problema

Normalmente, o indivíduo com protrusão discal só procura um médico quando os sintomas aparecem. Afinal, a visita ao médico não é algo tão frequente na cultura brasileira. Além disso, se não houverem sinais dificilmente o médico vai solicitar exames que mostrariam a existência de uma alteração.

Logo que os sintomas surgem, no entanto, o médico irá basear seu diagnóstico em algumas fases. Primeiro, a conversa com o paciente. Neste bate-papo, ele fará perguntas como: quais seus sintomas? Quando eles surgiram? Há algo que melhore ou piore estes sinais? Você tomou algum medicamento sem prescrição recentemente? Há casos de problemas na coluna em pessoas da sua família? Se sim, quais problemas? Quais seus hábitos de vida? Você pratica atividades físicas? Como costuma ser sua postura?

Em seguida, o especialista pode realizar um exame físico. Fazendo pressão na área indicada como dolorida, ele procura perceber os reflexos do paciente a estes pequenos impactos. Verifica também a amplitude desde incômodo.

Para a definição, então, da localização exata e dimensão da protrusão, são realizados os exames de imagem. Exames como o raio X, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada. Com cada um dos resultados, o médico pode perceber melhor a evolução do abaulamento do disco, e só então analisar o tratamento mais eficaz à condição.

Não adie a visita ao médico!

protrusão-discalDores nas costas são comuns, exatamente pela grande carga que a região é responsável por sustentar. Também pelos constantes movimentos com a coluna, principalmente se eles forem bruscos, ou se o indivíduo trabalha com o carregamento de peso ou vive impactos diretos nessa área. Mas não é porque são consideradas comuns que essas dores devem ser ignoradas. Se recorrente, é possível que a dor seja o sinal de um problema preocupante.

Quando o problema é uma protrusão discal, o perigo em adiar a consulta ao médico é ainda maior. Isso porque a protrusão é o primeiro estágio de uma hérnia de disco. A herniação acontece quando o núcleo pulposo de um disco já está sendo quase extravasado, ou então se extravasou. Nestas condições, os sintomas são mais fortes, e as consequências também. Afinal, quanto maior o abaulamento da estrutura, maior a chance dele pressionar raízes nervosas, e maiores os riscos de perda de sensibilidade.

Uma dor nas costas comum, ou seja, uma inflamação aguda e momentânea, pode durar entre dois e três dias. Quando o sintoma dura mais que este período, ele provavelmente é sinal de algo maior. Quanto mais grave o estágio de um abaulamento, mais difícil costuma ser para tratar a alteração. Mais longo também o processo de cura.

Fundamental destacar ainda que o uso de analgésicos e anti-inflamatórios sem prescrição médica pode mascarar a intensidade dos sintomas. Deste modo, caso você perceba uma constância no uso destes medicamentos, interrompa esta utilização e verifique o real sintoma existente. Em seguida, procure um médico para verificar a causa destes sinais.

Tratamentos conservadores

Dependendo da gravidade da protrusão discal, o indivíduo pode ter sucesso em tratá-las apenas com as chamadas “terapias conservadoras”. As terapias conservadoras consistem em técnicas que visam, com métodos não invasivos, diminuir os sintomas e eliminar as causas da doença, evitando que ela continue a acontecer.

Desta forma, a primeira possibilidade de tratamento indicada pelo médico é o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Com base no diagnóstico, o especialista pode indicar substâncias mais eficazes e prescrever o tempo exato de uso para a terapia.

Associada aos remédios, geralmente é indicada também a realização da fisioterapia. No consultório, fisioterapeuta e paciente realizam exercícios diversos para a coluna. As atividades têm como objetivo a manutenção da flexibilidade das costas e o fortalecimento dos músculos que lhe dão sustentação. É interessante também realizar a Reeducação Postural Global (RPG), uma série de exercícios que trabalha a correção da postura. Quando a postura da espinha volta ao normal, o abaulamento tende a não mais pressionar as raízes nervosas, eliminando os sintomas do problema discal.

Vida saudável, coluna saudável

A mudança de hábito é igualmente importante para o tratamento. O indivíduo com protrusão discal deve, por exemplo, iniciar a realização de exercícios físicos específicos. Exercícios estes que ajudarão no fortalecimento das costas, melhorando a capacidade de sustentação do tronco. O esporte é importante ainda para a manutenção do peso ideal do corpo, evitando assim que o indivíduo chegue à obesidade e então exija demais de sua coluna.

As atividades físicas, no entanto, devem ser indicadas e supervisionadas por um médico, fisioterapeuta e profissional de Educação Física. Todos estes poderão analisar frequentemente os efeitos do exercício no corpo e, mais especificamente, sobre a lesão na coluna. Caso o abaulamento sofra impactos extremos, ele pode aumentar, e por isso a necessidade de cuidado.

Dentre os exercícios físicos indicados, um dos mais interessantes costuma ser o Pilates. O Pilates é um método composto por uma série de exercícios e alongamentos, que auxiliam na força e flexibilidade do corpo. Ele também auxilia na reeducação da postura.

Existe ainda a possibilidade das chamadas terapias “alternativas”, que sozinhas não curam a protrusão, mas podem auxiliar na diminuição dos sintomas. Uma delas é a Terapia Por Ondas Mecânicas Extracorpóreas, que aplica ondas relaxantes nos músculos da região inflamada.

A acupuntura tem o mesmo poder, mas realiza o relaxamento e diminuição da dor por meio da inserção de finas agulhas na pele. Assim como a osteopatia, uma terapia que auxilia na descompressão dos nervos e na liberação de substância anti-inflamatórias pelo próprio organismo.

A cirurgia é necessária?

protrusão-discalO uso da cirurgia para cura de uma protrusão discal não é muito comum. Afinal, a condição é um estágio mais “brando” da hérnia, e não costuma ter tamanha dificuldade de tratamento pelos métodos conservadores. Porém, caso os tratamentos não invasivos não funcionem, realizar um procedimento cirúrgico pode ser necessário.

A cirurgia normalmente é indicada pelo médico se, após três a seis meses do início tratamento, o indivíduo não apresenta melhora considerável. A operação realizada pode, primeiro, ser tradicional, em que há a abertura da pele do paciente para a manipulação do disco.

A segunda alternativa, e mais utilizada, é a de cirurgia minimamente invasiva, em que o paciente sofre apenas algumas incisões na pele. Para realização do procedimento, então, um microscópio e os itens cirúrgicos são inseridos no organismo por meio destas incisões. O médico se guia na operação por meio de um monitor de vídeo.

Estenose lombar

Ao longo dos anos, uma série de doenças pode se desenvolver na coluna vertebral. Afinal, é ela que funciona como suporte do corpo, mantendo-o ereto e permitindo os mais diversos movimentos. Logo, isso a torna sujeita ao desgaste e a problemas. Uma das ocorrências mais comuns, então, é a estenose lombar. Você conhece a doença?

Estenose lombar: o que é?

estenose-lombarA coluna vertebral é uma estrutura importante do corpo. No entanto, ela é “apenas” a porção de osso e cartilagens das costas: o que realmente faz a ligação entre cérebro e membros é a medula espinhal e outros nervos. Eles ficam localizados no interior do canal vertebral, protegidos pelas estruturas “duras” (os ossos) da coluna.

A estenose acontece, então, quando o canal vertebral é estreitado. Uma série de fatores pode levar a essa diminuição do espaço. Quando a situação ocorre, no entanto, o resultado é sempre o mesmo: o pressionamento dos nervos da região. Logo, o recebimento de pulsos nervosos fica prejudicado, assim como surgem sintomas incômodos.

A ocorrência do problema é de aproximadamente 150 mil novos casos anuais, isso apenas no Brasil. São dois os tipos de estenose espinhal:  a estenose cervical e a estenose lombar. Elas se diferenciam mais pela localização do que pelos sintomas. A estenose cervical é a que acontece na altura do pescoço, enquanto a lombar afeta a região ao fim das costas.

O incômodo na lombar é muito mais comum que a primeira, mas a condição na cervical é mais perigosa. Isso uma vez que ao ter o canal estreitado nessa região, o indivíduo tem diminuída a transmissão nervosa logo no início da coluna. A situação pode provocar problemas por todo o resto do corpo.

Artrite: causa principal

Na maioria dos casos de estenose lombar, as causas dizem respeito ao desgaste das estruturas da coluna. Vértebras, discos vertebrais, ligamentos da região. Assim, a doença costuma acontecer mais frequentemente em pessoas com idade a partir de 60 anos. Isso uma vez que a coluna, ao longo do tempo, se desgasta naturalmente. Logo, quanto maior o tempo de vida do indivíduo, maior o desgaste da coluna.

No entanto, existem doenças que aceleram essa degeneração, ou que então são causadas por ela. Como consequência, o canal medular perde espaço, dando origem à estenose. Dentre as causas mais frequentes do problema está a artrite.

A artrite é uma doença caracterizada pela degeneração das articulações do corpo. Quando ocorre na coluna vertebral, a doença pode provocar o desgaste acelerado da estrutura. Isso gera uma série de repercussões, que então pressionam o canal espinha.

A primeira repercussão é a compressão exagerada da área lombar. A situação acontece porque, uma vez sem discos “inteiros”, a coluna busca o melhor jeito de se sustentar. A pressão exagerada acaba por comprimir o canal.

O processo funciona como um efeito dominó: ao sustentar mais peso, a coluna é pressionada. Em seguida, pressiona o canal medular, que então pressiona os nervos e dá origem aos sintomas da estenose lombar.

Outro efeito da artrite é a doença conhecida por bico-de-papagaio. Ela ocorre porque, com as estruturas desgastadas, o corpo tenta compensar a ausência de apoio e cria novos ossos. Esses ossos crescem de forma exagerada e desordenada, dando origem a esporas. Essas esporas, então, reduzem o espaço do canal.

Mais fatores causais

Uma resposta adicional à artrite na parte inferior das costas é o aumento de tamanho dos ligamentos localizados ao redor das articulações. Isso também diminui o espaço para os nervos. Os sintomas dolorosos surgem a partir do momento em que o espaço se torna pequeno o suficiente para irritar os nervos espinhais.

A degeneração dos discos vertebrais é a segunda causa mais comum do problema. Os discos ficam localizados entre uma vértebra e outra do corpo, e servem como amortecedores naturais da espinha. Ou seja, a cada movimento impedem que os ossos vertebrais se choquem. Caso isso ocorresse, os indivíduos sentiriam dor constante, além de terem os ossos esfacelados mais rapidamente.

O desgaste do disco vertebral ocorre quando seu núcleo, chamado de pulposo, deixa seu local original. Dessa forma, o “gel” tenta escapar do interior do osso, e dá ao disco uma forma mais achatada. Essa nova forma é que pressiona a coluna.

Circunstâncias mais raras também podem levar ao estreitamento do canal espinhal. Como uma infecção, tumor e doenças como a artrose e a espondilolistese (em que uma vértebra “escorrega” sobre a outra). Uma doença metabólica (como a doença de Paget), a complicação de uma cirurgia nas costas e até um trauma externo também podem levar ao desenvolvimento da condição.

Outro grupo que frequentemente apresenta a doença é aquele que possui defeitos congênitos. Um defeito congênito é algo já existente no nascimento. Nesse caso, ele pode corresponder a uma má formação da coluna, ou à predisposição a um desgaste acelerado. Quando sujeito à estenose por essa condição, o indivíduo costuma notar os primeiros sintomas a partir dos trinta anos de idade.

Sintomas comuns

estenose-lombarA dor na região lombar é o sintoma mais característico da estenose lombar. Afinal, com a diminuição do espaço do canal espinhal os nervos da área são pressionados. Como os nervos são os responsáveis pelas sensações do corpo, essa compressão causa grande desconforto.

Esse sinal, no entanto, nem sempre ganha a devida atenção. A razão disso é que a dor nas costas pode ser causada por uma infinidade de doenças, mas também por simples cansaço, estresse ou maus hábitos. Em alguns casos de estenose, a dor na coluna nem sequer aparece! Deste modo, para perceber a existência do estreitamento é necessário verificar alguns sintomas associados.

O primeiro indício é a irradiação da dor. Quem sofre de estenose lombar pode perceber a difusão da dor para as nádegas e coxas. O incômodo é muito semelhante ao sentido nos casos de inflamação do nervo ciático. A sensação é de queimação intensa.

Costuma ocorrer ainda o entorpecimento das costas e dos membros inferiores, assim como o formigamento dessas áreas.  Quando o indivíduo permanece sentado ou com o corpo inclinado para frente, todas essas sensações tendem a diminuir. Isso porque, nessas posições o canal espinhal é menos pressionado, o espaço disponível aumenta e os nervos ficam mais “livres”. Por esse mesmo motivo, a dor normalmente aumenta quando o paciente permanece em pé, pois o corpo demanda muito da coluna para se manter nessa posição. Tal qual quando realiza movimentos bruscos.

Em casos mais raros, a estenose pode levar à compressão da chamada cauda equina. A cauda é um feixe de nervos presente no fim da lombar. Se comprimidos, esses nervos podem causar anestesia dos membros inferiores e incontinência urinária e intestinal, entre outras condições. Neste caso, a situação se torna uma emergência médica, ou seja, o indivíduo deve rapidamente procurar o hospital.

Diagnóstico da estenose lombar

Como já citado, muitas pessoas tendem a ignorar a ocorrência da dor na lombar. Tomando-a como algo esporádico, fruto do cansaço, o indivíduo apenas faz o uso de um analgésico. Não há grande problema nessa prática se a dor é rara e se desaparece em poucos dias. Por outro lado, se o sintoma é recorrente e permanece por pelo menos uma semana, é fundamental procurar um médico. Isso porque o sinal pode indicar bem mais que um cansaço momentâneo: pode existir uma estenose lombar!

No consultório médico, o especialista vai buscar primeiro entender o quadro geral do paciente. Para isso, ele fará perguntas como: quais são seus sintomas? Quando eles surgiram? Há algo que aumente ou diminua a dor? Você já conviveu com algum problema na coluna? Você possui algum familiar que tem ou já teve problema na coluna? Como são seus hábitos alimentares? Em que postura você costuma manter sua coluna?

Essas informações indicarão, por exemplo, se há alguma doença hereditária em seu grupo familiar, doença essa que possa afetar a coluna vertebral. Vai indicar também se o indivíduo mantém hábitos que o colocam no grupo de risco ao desenvolvimento de doenças na espinha.

Depois de discutir esses dados com o médico, o paciente vai passar por testes clínicos. Nessa etapa, o especialista realiza pressão sobre a área da lombar, e assim pode verificar alterações. Com o método, verifica também as reações do paciente, inclusive em relação ao aumento ou não da dor.

Exames de imagem

De modo complementar, ele realiza ainda o chamado Teste de Lasègue, que analisa o nervo ciático. No procedimento, as pernas são testadas para análise da força, sensibilidade, reflexos e amplitude de movimento. O mesmo para quadris e joelhos. Considerando que a estenose causa pressão dos nervos que comandam essas áreas, o teste é fundamental para constatação das consequências da doença.

No entanto, nenhum diagnóstico da estenose está completo se não forem realizados exames de imagem. Os testes vão permitir ao médico verificar melhor a área de pressionamento dos nervos, tal qual a causa do problema.

Dessa forma, o primeiro teste de imagem indicado é o raio X. Por meio dele, é possível visualizar o esqueleto do paciente, incluindo inclusive o desgaste ou alterações na formação original dos ossos.

Já a ressonância magnética permite avaliar melhor os chamados “tecidos moles”, como nervos, músculos e discos vertebrais. O mesmo faz a tomografia computadorizada, mas de modo ainda mais perceptível. A imagem clara dá segurança ao diagnóstico.

Tratamento não invasivo

estenose-lombarCom a estenose lombar diagnosticada, o médico vai poder indicar o tratamento mais adequado ao problema. Na maior parte das vezes, a terapia é realizada por meios não invasivos, ou seja, que não demandam cirurgia. É importante destacar, no entanto, que normalmente esse tipo de tratamento não elimina o agente causador, mas diminui os sintomas e melhora a qualidade de vida do indivíduo.

O primeiro método utilizado nesse caso é a fisioterapia. Com exercícios desenvolvidos de acordo com o quadro de cada paciente, a técnica melhora a postura e a sustentação do corpo. Isso é importante porque, quando mantém a postura correta, o indivíduo pressiona menos a lombar. Quanto menos pressão, menos dor. Para a sustentação do corpo, são trabalhados exercícios que fortalecem a musculatura das costas.

A realização de exercícios físicos para o tratamento é igualmente interessante. No entanto, considerando que já há uma lesão presente, o sujeito precisa ter cuidado dobrado. Ou seja, a atividade física deve ser leve e, mais importante, recomendada pelo médico. Apenas em conversa com o especialista é possível definir um esporte que vai melhorar, e não prejudicar o quadro já existente de doença.

Outra indicação é pelo uso de remédios anti-inflamatórios e analgésicos. As substâncias conseguem diminuir os sintomas, e assim evitam que o paciente tenha seu dia a dia prejudicado. O uso dos medicamentos, porém, deve ser feito de acordo com a prescrição médica. Isso quer dizer que é fundamental seguir as dosagens corretas e os tempos indicados para utilização. Tomar um remédio a mais ou a menos pode acabar por intensificar a estenose, ou ainda facilitar o surgimento de doenças estomacais, como a gastrite.

Métodos “alternativos”

Dependendo da intensidade dos sintomas, o médico também pode indicar injeções de esteroides. A substância anti-inflamatória é aplicada ao redor dos nervos ou do canal vertebral. O efeito é analgésico, diminuindo consideravelmente a dor. A utilização deve ser de apenas três injeções anuais, no máximo.

Uma técnica também utilizada é a acupuntura. Ela é realizada por meio da inserção de pequenas agulhas na pele, nas áreas onde há dor. Com isso, consegue diminuir os sintomas e promover o relaxamento do corpo.

Apenas para alívio da dor, é interessante ainda posicionar sobre as costas bolsa de água quente ou gelada. A alternativa relaxa e propicia a sensação de alívio.

Tratamento cirúrgico

Quando o tratamento invasivo não dá resultado, ou ainda quando o quadro é grave, a alternativa é a cirurgia. Os procedimentos são realizados para eliminar a causa da compressão da medula, sendo que o mais comum é a laminectomia.

A laminectomia funciona por meio da remoção do osso, ligamentos ou esporão ósseo que esteja comprimindo o canal vertebral. Ela pode ser realizada como uma cirurgia aberta, com uma incisão maior, ou então como um método minimamente invasivo. Nesse último caso, o paciente tem apenas pequenas incisões realizadas no corpo, enquanto o médico se guia pela visualização num monitor. As imagens que chegam a este monitor são oferecidas por meio de um microscópio, inserido no organismo por uma das incisões da cirurgia.

Já na foraminotomia, é realizada a retirada do forame. O forame é a região onde as raízes nervosas saem do canal espinhal. Uma vez retirado, o feixe libera espaço no canal dos nervos, descomprimindo o espaço. Essa técnica pode ser realizada sozinha, ou então em associação à laminotomia.

Quando a faceta articular é retirada, o resultado é o mesmo. Aqui, a cirurgia é chamada de facetectomia medial, e remove pequenas articulações que conectam as vértebras à coluna.

Além desses, há o procedimento conhecido como descompressão indireta. Nele, um pequeno dispositivo é colocado entre as vértebras, de modo a substituir um disco desgastado. O recurso alinha a coluna, diminuindo a pressão sobre a lombar.

Finalmente, há a possibilidade de realização da fusão espinhal, que liga duas ou mais vértebras de modo a estabilizar a espinha. Como limita parte dos movimentos da região fundida, a técnica costuma ser considerada como última opção ao tratamento.

O pós-cirúrgico

estenose-lombarIndependentemente do tipo de cirurgia realizado, existem pequenos riscos associados. Eles incluem infecção, sangramentos, coágulos, reação à anestesia e lesão no nervo. As complicações não são tão recorrentes, mas você pode se sentir mais tranquilo conversando com o médico antes do procedimento.

Os sintomas do paciente que passa por um procedimento geralmente são eliminados. Na maior parte dos casos, o dia a dia mantido antes da estenose pode ser retomado tranquilamente.

O tempo de recuperação total varia de acordo com a técnica utilizada. Quem realiza apenas a descompressão do canal costuma ficar no hospital por 24h, podendo voltar às atividades em apenas algumas semanas. Já quem passa pela fusão da coluna demanda um tempo pouco maior: aproximadamente cinco dias no hospital, com alguns meses para recuperação completa.

Para auxiliar esse processo de reabilitação, o médico costuma indicar, primeiro, o uso de cinta estabilizadora. A peça, semelhante a um espartilho, ajuda na movimentação, pois dá suporte à coluna no cotidiano. Ademais, o acessório consegue diminuir os efeitos de impactos sobre as costas, o que dá mais segurança ao paciente.

Outra indicação é pela fisioterapia. Os exercícios são muito semelhantes aos realizados num tratamento não invasivo. Com eles, o paciente busca fortalecer os músculos das costas, que ajudam no suporte da espinha. Busca também dar estabilidade e flexibilidade à coluna vertebral. O programa de atividades é individualizado, de acordo com o paciente, seu histórico de saúde e tipo de procedimento cirúrgico realizado.

Prevenção da estenose

Os principais métodos de prevenção da estenose dizem respeito ao cuidado com a coluna. Cuidado para que essa região não se desgaste tão rapidamente, e para que não sofra problemas que possam afetar o canal medular.

Dessa forma, é essencial ter atenção principalmente à postura adotada no cotidiano. O correto é que a postura se mantenha sempre ereta. Entretanto, não é incomum que mantenhamos as costas tortas ou curvadas. Por isso, tenha atenção ao se sentar: encoste sempre as costas na cadeira. Dê também apoio aos pés e aos braços pois, se ficarem “suspensos”, os membros também vão causar compressão da lombar.

Ao carregar peso, também deve haver cuidado. Para suspender um objeto do chão, o ideal é se abaixar flexionando os joelhos e deixando as costas eretas. Em seguida, é necessário levantar ainda com as costas eretas, e só então endireitar o corpo em pé.

Quanto menos houverem situações que comprimam a coluna, menor será seu desgaste e a chance de ocorrência da estenose ou outros problemas. Assim, até para dormir esse tipo de cautela deve existir. O melhor é dormir de lado, com a cabeça apoiada no travesseiro e uma almofada entre as pernas.

Além disso, é fundamental realizar atividades físicas. A prática de esportes faz bem para todo o corpo. Importante ainda manter uma alimentação balanceada, rica em fibras e vitaminas, e livre de gorduras. Evitar o consumo de alimentos industrializados é igualmente benéfico.

Por último, mantenha sua saúde mental em dia. Problemas como o estresse também são responsáveis por pressionar a coluna, e podem acabar gerando condições propícias à estenose lombar.

Cuidado com o uso de anti-inflamatórios

anti inflamatoriosOs anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais prescritos e consumidos indiscriminadamente para dores musculares de maneira geral, não sendo diferente para as queixas de dores nas costas. Porém, como qualquer medicação, devem ter o uso controlado e administração somente com indicação médica.

A automedicação

Grande parte das pessoas, principalmente no Brasil, possuem o hábito de tomar remédios por conta própria e de uma forma indiscriminada, se automedicando. Muitos justificam tal ato pela dificuldade de acesso ao médico, pela demora nos atendimentos, pelo custo de consultas e/ou medicações, ou mesmo se referindo que “um remédiozinho não fará mal e é mais fácil. Se não resolver, procuro um médico; mesmo porque eles sempre prescrevem a mesma coisa”.

Porém, o uso abusivo de medicamentos, principalmente na idade avançada, pode ser mais prejudicial do que benéfico e muitos estudos já demonstraram a grande quantidade de casos de intoxicação por excesso ou incompatibilidade medicamentosa, levando até à morte.

O mau uso das medicações não só leva a sérios problemas de saúde, como também pode piorar o quadro inicial, prejudicando a evolução positiva da patologia.

O consumo inadequado e seus efeitos

O uso de medicamentos para alívio da dor é sempre um problema por causa dos efeitos colaterais. Estudos comprovam casos de insuficiência renal, problemas hepáticos (hepatite), cardiológicos, alteração da mucosa gástrica, úlcera, hemorragias pulmonares, comprometimento no sistema nervoso central e periférico.

O uso prolongado de anti-inflamatórios e outros fármacos, além de todos os efeitos adversos que lhes são peculiares, pode ainda aumentar a chamada permeabilidade intestinal, favorecendo a absorção de substâncias indesejáveis pelo intestino e que passam à corrente sanguínea, intoxicando todo o organismo.

Recomendações

Recomenda-se hoje fortemente a ingestão de uma menor quantidade de   remédios, principalmente pelas crianças e idosos, apesar da propaganda maciça em sentido contrário e evitar praticar a automedicação, procurando utilizar os anti-inflamatórios sempre com cautela, com prescrição e acompanhamento médico.

Siga corretamente as orientações médicas. Observe os efeitos colaterais durante o tratamento e informe imediatamente seu médico. São medicamentos aparentemente inofensivos, mas que podem lesar a muito a saúde.

Dor nas costas pode ser sinal de problema

dor-nas-costasNão é incomum sentir dor nas costas. Afinal, a área é a responsável pela sustentação do tronco, e sofre inúmeros impactos ao longo do dia a dia.

Formada por ossos, articulações, estruturas nervosas, ligamentos e músculos, sua constituição é incrivelmente bem estruturada e conectada. Por isso, lesões em um destes componentes podem irradiar dor por toda a extensão das costas.

Por vezes, o incômodo ainda pode ser relacionado a problemas mais graves – o que demanda atenção a quadros de dor.

O tipo de dor e sua gravidade dependem de sua fonte causadora, que são as mais diversas. Em geral, porém, o paciente costuma perceber a sensação de estiramento do músculo, agulhadas e dor latejante.

Há casos em que a dor “se move”, iniciando em parte das costas e podendo chegar aos ombros ou às coxas. Espasmos musculares são igualmente comuns, associados a desconfortos ao realizar movimentos simples, como andar.

Os incômodos podem ainda começar de repente, ou se desenvolverem gradualmente. Em situações como a última, é comum que um quadro leve de dor seja percebido, depois deixe de existir, retorne pouco mais forte, pare e, assim, sucessivamente.

As dores nas costas são classificadas em agudas, subagudas e crônicas, cada uma requerendo um tipo de cuidado. A dor aguda, por exemplo, acontece de repente, após alguma lesão ou dano ao músculo das costas. O incômodo dura por alguns dias, ou até cinco semanas, e é curada quase que sozinha, contando apenas com o auxílio de alongamentos e medicamentos anti-inflamatórios.

Por sua vez, a dor subaguda dura entre seis semanas e três meses. Habitualmente, o incômodo prejudica atividades diárias do indivíduo, mantendo constância mesmo com o maior cuidado com a postura ou movimentos. A tensão muscular e danos mais graves aos ligamentos ou articulações são as causas mais comuns, e por isso é indicado buscar auxílio médico.

Quando dura mais que três meses, a dor nas costas é considerada crônica. Normalmente, sua causa é radicular, ou seja, por alguma inflamação ou desgaste do nervo espinhal. Pacientes que sofrem deste tipo de dor costumam perceber sensação de choques elétricos, além da irradiação da dor para as pernas e, em algumas situações, perda gradual da sensibilidade dos membros inferiores.

Dor nas costas: causas mais leves

A dor nas costas é uma das principais causas de afastamento do trabalho. Entre suas inúmeras causas, as mais comuns são por impactos e características físicas, motivos recordistas das visitas a consultórios médicos.

Assim, movimentos bruscos ou feitos de forma incorreta, como o levantamento de carga além do que o corpo suporta, pode causar o conhecido “mau jeito” na coluna. Assim, a dor é repentina, e vem em forma de agulhadas. O resultado é maior dificuldade de locomoção, uma vez que a dor é ampliada por movimentos mínimos.

Nesta categoria, há dois problemas que podem levar à dor: a entorse e a distensão. A entorse acontece quando há o estiramento ou rompimento dos ligamentos, tecido que liga os ossos e articulações. Por sua vez, a distensão ocorre no rompimento ou alongamento exagerado e repentino do músculo.

Já quando a causa da dor são movimentos repetitivos, é mais comum que ela apareça gradualmente. Assim, a torção ou curvatura constante da coluna, ou mesmo um exercício físico feito de forma inadequada, pode lesionar uma articulação ou músculo aos poucos. A dor será então percebida numa crescente, sendo intensificada de forma gradual.

Há também situações em que a dor surge “atrasada”, dias após algum impacto mais forte ou lesão nas costas. Ela acaba por causar uma dor mais intensa, mas tende a desaparecer rapidamente, pois é um efeito colateral do processo de cura natural da área lesionada.

A má postura é outra causa corriqueira de dor nas costas. Isso porque, idealmente, a coluna deve permanecer ereta na maior parte do dia, evitando sua curvatura e pressão exagerada para manutenção do tronco. Entretanto, as vértebras são constantemente demandadas no dia a dia, de forma exagerada e incorreta, o que pode irradiar a dor.

Note, por exemplo, seu período diário do uso do smartphone. Com certeza é mais comum que você mantenha a cabeça curvada, do que o celular à altura dos olhos. Esta posição provoca na coluna maior pressão, e a resposta do corpo vem por meio do incômodo da dor.

O mesmo acontece a mulheres que utilizam salto alto. O sapato com elevação muda o centro de gravidade do corpo, e provoca inclinação do tronco para a frente. Isso exige que a coluna trabalhe mais que o normal para manter o corpo ereto, causando pressão em excesso.

Aliás, qualquer situação que demande em demasia da coluna pode causar dor. Ainda para as mulheres, os seios muito grandes podem ser um problema, pois o busto provoca inclinação do tronco para a frente.

Quando o indivíduo apresenta também quadril desigual, ou seja, um lado da pelve maior que o outro, o equilíbrio do corpo também fica comprometido. Assim, mais uma vez a coluna sofre maior pressão. A consequência básica é a dor nas costas, mas outros quadros podem ocorrer, como as causas mais graves da dor, que serão citadas a seguir.

Com dor crônica é preciso ficar alerta

dor-nas-costasA partir de três meses de dor, o indivíduo entra no quadro de dor crônica nas costas, o que merece maior atenção. Afinal, crises de dor por período tão prolongado costumam ter como causa problemas na coluna vertebral – parte fundamental na locomoção do corpo.

Habitualmente, a causa principal desta modalidade de dor são as doenças degenerativas. Elas são caracterizadas por sintomas associados, e o incômodo costuma acontecer esporadicamente, tornando-se mais severo a cada crise.

Assim, a dor pode ocorrer, por exemplo, devido a hérnia de disco. A hérnia é uma condição em que o núcleo pulposo da coluna, que fica em seu interior, desloca-se de seu lugar original e pressiona as raízes nervosas da vértebra. Este “gel” pode se deslocar para o exterior da coluna, na chamada hérnia extrusa, em que o disco (ou anel) vertebral sofre fissura e permite sua saída.

Quando o núcleo pulposo se desloca pela extensão da própria coluna, a hérnia é chamada de sequestrada. Ela causa pressão das raízes nervosas e inflamação da região.

Por último, a hérnia protusa é caracterizada pelo alargamento do disco da vértebra, que por sua vez pressiona os nervos lombares e causa dor. Já o contrário, o estreitamento do canal espinhal, ocorre na estenose espinhal, o que também provoca pressão nervosa.

A conhecida dor no ciático também pode causar problemas nas costas. O nervo ciático é a terminação nervosa responsável pela ligação da coluna e os membros inferiores, o que permite o movimento de pernas e pés. Caso sofra grande impacto, o nervo acaba lesionado, provocando dor na lombar. O incômodo costuma “se deslocar” das costas à coxa, e pode causar ainda cansaço, perda da sensibilidade e fraqueza dos membros inferiores.

Em casos de disfunção articular sacroilíaca, a região do sacro é a afetada. O sacro é um osso em forma de pirâmide invertida que fica localizado na região lombar das costas. É ele quem absorve os principais impactos de movimentos do corpo em geral, e se sofrer pressão incorreta ou pancada pode inflamar e causar dor aguda.

Já na espondilolistese, uma das vértebras da coluna se desloca sobre a outra, deixando-as “desemparelhadas”, causando curvatura para frente ou para trás da coluna. Por outro lado, a escoliose causa curvatura da coluna para o lado, provocando dor idêntica nas costas.

Problemas no tecido ósseo são iguais causadores de dores nas costas. Citando a osteoartrite, há o desgaste do disco vertebral e do tecido nas extremidades dos ossos. A condição é progressiva, e costuma acontecer com o avanço do envelhecimento do indivíduo.

A artrite, inflamação das articulações, também acaba provocando dor nas costas, podendo irradiar para o quadril, joelhos e mãos. O mesmo ocorre com o enfraquecimento dos ossos provocado pela osteoporose, já que as fraturas por pequenos movimentos se tornam mais recorrentes.

Distúrbios causais podem ir além da coluna

Além das circunstâncias mecânicas e problemas mais comuns na coluna, há outras situações que podem levar à dor nas costas. As causas são menos comuns, mas ainda assim estão entre fontes do incômodo.

Em ocasiões em que, somada à dor, há incontinência urinária ou intestinal, o problema costuma ser a síndrome de cauda equina. A cauda equina é um emaranhado de raízes nervosas localizada ao fim da coluna, e extremamente importante ao movimento dos membros inferiores. Sua dor característica costuma também ser associada à perda de sensibilidade na altura das nádegas. Em geral, a condição é uma emergência médica, e resolvida apenas por procedimento cirúrgico.

Tumores espinhais também podem originar dor lombar. A anomalia consegue pressionar o nervo da coluna, e assim causa o incômodo. Normalmente, os cânceres nesta região são “ramificações” de tumores na mama, próstata, tireóide, rim ou pulmão. Por isso, é preciso ficar atento às consequências de qualquer câncer no restante do corpo.

Em casos de infecção da coluna vertebral, o paciente passa por quadros de febre, somados à dor e a percepção de que as costas têm uma região “mais macia”. O distúrbio pode ocorrer por reflexo de procedimento cirúrgico, injeções e deficiências no sistema imunológico.

Traumas, fraturas e fissuras são da mesma forma causas de dores nas costas. Assim, caso sofra algum impacto mais forte, e mesmo que após dias perceba dor na região, é importante que o paciente procure o consultório médico. Afinal, uma pequena fissura pode levar a problemas maiores, de pressão do nervo vertebral e outros distúrbios.

Finalmente, a dor nas costas pode ser sintoma de infecção no trato urinário. Em geral, o paciente acometido pelo problema sente fortes pontadas de dor do meio ao fim das costas. A dor é conhecida por obrigar o paciente a se curvar para frente durante a crise, num movimento involuntário do corpo.

Fatores de risco para a dor

dor-nas-costasHábitos e condições de um indivíduo podem deixá-lo propenso ao desenvolvimento de dor nas costas. O estilo de vida sedentário é o principal deles – afinal, quando o corpo não se exercita, ele perde força e flexibilidade, e fica mais vulnerável a grandes impactos.

Questões psíquicas também estão associadas ao mal. Desenvolver diariamente trabalho mental estressante, sofrer de ansiedade ou de depressão pode levar a quadros de dor aparentemente sem causa, mas que precisam ser tratados com igual atenção de um médico.

O envelhecimento também contribui para o desenvolvimento de quadros assim, uma vez que o corpo se degenera com o passar dos anos. Quanto a isso não há medidas preventivas, apenas aquelas que podem amenizar os efeitos. Ou seja, é preciso manter um estilo de vida saudável.

Exercícios físicos realizados de forma incorreta, ou em excesso, são igualmente prejudiciais às costas. Isso porque a região fica sujeita a impactos muito fortes, que podem distender o músculo ou levar a lesões no nervo ciático ou ossos.

Condições em que a coluna é demandada em demasia também podem provocar dores. É o que acontece, por exemplo, quando o paciente apresenta obesidade e excesso de peso, dado que o corpo é desenvolvido para suportar carga específica. Quando, então, o Índice de Massa Corporal (IMC) ultrapassa o indicado, sua coluna é obrigada a apoiar mais do que está preparada.

Assim, períodos de gestação também costumam ser marcados pelo incômodo. Enquanto o feto cresce, a mulher acaba carregando peso extra. Portanto, é essencial que a grávida conte com acompanhamento do médico, que poderá indicar práticas e exercícios para diminuição da dor.

As gestantes convivem também com a condição devido a ação dos hormônios, que provocam relaxamento dos ligamentos e instabilidade ao realizar alguns movimentos.

Estudos ainda indicam o tabagismo como um grande fator de risco para a dor nas costas. Para especialistas, as substâncias químicas do cigarro dificultam a irrigação dos músculos, enfraquecendo e podendo provocar dor nas costas.

Utilizar roupas muito apertadas também pode ser um problema. Quando utiliza calça muito justa, por exemplo, o indivíduo comprime o final da coluna e o quadril, o que diminui a amplitude de movimento da região. Assim, é comum curvar a coluna de forma involuntária, e ainda torcer a coluna em movimentos mais bruscos, já que o corpo não tem liberdade de movimento.

Até mesmo a má nutrição pode levar a dores nas costas. Conforme dados do AsianSpineJournal, 25% dos homens e 31% das mulheres que sofrem de dores nas costas consumiam alimentos ricos em açúcar e gordura, nutrientes considerados fonte de inflamações pelo corpo, inclusive na região lombar.

Por último, o principal fator de risco para a dor nas costas é a mápostura. Realizar movimentos inadequados, manter-se na mesma posição por muito tempo, colocar pressão nas costas ou pescoço pode levar tanto a quadros mais leves, quanto de dor crônica.

Os tipos de dor nas costas

Como são diversas as causas da dor nas costas, é interessante poder identificar sintomas associados e os “tipos” de dor, que deixarão mais claro ao paciente qual sua condição.  Sentir dor nas costas em apenas um lado, por exemplo, pode ser sinal de uma lesão muscular, ou pela má postura durante o dia a dia.

Em contrapartida, o indivíduo que percebe dor ao respirar pode ser sinal de algum problema ou infecção no pulmão, o que merece atenção redobrada.

Dor na região lombar, onde localizam-se os rins, é mais recorrente em casos de cálculo renal ou infecção urinária. Quando o incômodo irradia para as pernas, o paciente geralmente é diagnosticado com dor ciática.

Se o distúrbio se faz sentir no meio das costas, são habituais hérnias de disco. Se está mais próximo da parte superior da coluna, na área dos ombros, a causa pode ser o cansaço, atividade física em excesso ou ainda o estresse.

O quadro que merece maior atenção, entretanto, é aquele em que a dor vem associada da sensação de enjoo e mal estar. Os sintomas são corriqueiros em infartos.

Diagnóstico do problema

Como já foi possível notar, a dor nas costas não é o problema central, mas sim um sintoma de alguma condição ou mau hábito. Por isso, para colocar fim ao incômodo, é fundamental descobrir a causa correta da dor. Para isso, há passo a passo importante do diagnóstico, que avalia cada aspecto clínico do paciente.

O diagnóstico se inicia na conversa frente a frente com o médico. Por meio dela, o especialista vai conhecer a recorrência da dor e seu tipo, sintomas associados e o início do quadro, todos estes dados fornecidos pelo paciente.

Os hábitos de saúde do indivíduo também serão questionados. Como é sua alimentação? Ele realiza atividades físicas frequentemente? Estas atividades são de alta ou baixa intensidade? Qual seu trabalho? Como é sua postura diária?

Conhecendo estes fatores, o médico terá ideia mais clara das possibilidades, podendo indicar a próxima etapa mais adequada ao diagnóstico.

Em geral, este segundo passo consiste no exame físico. Nele, o especialista faz pressões nos pontos de dor e áreas próximas, e move os membros para verificar o reflexo da dor com os movimentos.

Outro método nesta etapa é a verificação da escala de movimento, o que significa perceber a capacidade do paciente em se movimentar, mesmo com dor.

Quando a conclusão inicial é por algo pouco mais grave que uma entorse ou distensão, o indivíduo é requisitado a exames de imagem.

São diversas as opções de teste por imagem. Delas, o raio-X é uma das mais comuns, e apresenta uma “fotografia” em azul e branco em que é possível verificar os ossos da coluna e quadril.

Por sua vez, a tomografia computadorizada oferece uma imagem mais detalhada da coluna vertebral, graças à imagem em 3D gerada.

Há também a possibilidade da ressonância magnética. Este exame consegue detectar anormalidades, além de nos ossos, nos músculos e ligamentos do corpo.

Já o escaneamento ósseo consegue verificar a osteoporose ou mesmo fraturas, enquanto o eletromiografia, também por imagem, mede a resposta dos músculos aos impulsos elétricos dos nervos. Assim, o especialista pode perceber se há compressão nervosa na região da coluna – afinal, a resposta do corpo será mais fraca.

Boa postura é prevenção da dor

dor-nas-costasAs medidas para a prevenção da dor nas costas são, em geral, simples, e prezam por algo básico: a qualidade de vida do usuário. Assim, a primeira e principal medida a se tomar para cuidado com as costas é a boa postura.

É comum que, ao levantar peso, o indivíduo se curve. Esta posição, entretanto, está longe do ideal. Antes de recolher um objeto do chão, é indicado que o usuário flexione os joelhos, busque o que procura, e levante-se devagar, buscando deixar os braços flexionados. Caso a carga demande que os braços fiquem muito esticados, em direção ao solo, pode ser mais indicado diminuir o peso ou contar com a ajuda de um suporte. Assim, o indivíduo terá a certeza de estar carregando apenas o que seu corpo suporta.

Ao mover um objeto pesado pelo chão, é interessante ainda empurrá-lo usando a força das pernas, ao invés de puxá-lo curvando as costas.

Diferente do que pensam alguns, aqueles que trabalham no escritório precisam ter cuidado redobrado com a postura. Isso porque curvar as costas e o pescoço é algo recorrente no uso do computador, mas prejudica, e muito, a coluna.

Assim, ao trabalhar de frente a uma tela, é importante colocar o monitor na altura dos olhos, para que não seja preciso nem baixar, nem levantar o pescoço para a visualização. Sentar com as costas encostadas na cadeira também é importante, e dá o apoio que a coluna precisa.

Da mesma forma, é fundamental dar suporte aos pés. É preciso mantê-los no solo, ou então colocá-los em um apoio, impedindo que eles fiquem suspensos no ar. Os joelhos devem, assim, permanecer dobrados em ângulo de aproximadamente 90 ° conforto e, ao mesmo tempo, a retidão das costas.

Os braços precisam ter igual cuidado, sempre oferecendo aos punhos apoio na digitação. Deixar os braços suspensos sobre o teclado colocará maior pressão sobre os punhos, o que consequentemente causará impacto na coluna e então dor nas costas.

Ao dirigir um automóvel, tenha o mesmo cuidado em oferecer suporte aos membros. Os braços devem permanecer flexionados durante toda a condução. As pernas precisam ficar em um ângulo confortável, que não encoste no volante, mas que também não exija que  motorista se estique para alcançar os pedais. As costas da mesma forma precisam de apoio, e a parte de trás do crânio deve permanecer no encosto de cabeça.

Na hora de dormir, é interessante ter dois travesseiros: um da altura entre ombro e cabeça, para repousá-la, e o outro para inserção entre as pernas. A posição ideal para o descanso é de lado, pois assim a coluna permanecerá o mais ereta possível, mesmo na madrugada. Evite sempre dormir de bruços, a pior posição para as costas.

Quais as outras formas de prevenção?

Como o sobrepeso do corpo provoca pressão desnecessária da coluna, é importante manter o corpo no peso ideal. Assim, é preciso manter alimentação saudável, rica em frutas, verduras e carnes magras.

Além disso, há os exercícios físicos, essenciais em qualquer época da vida. Seja na academia, seja na caminhada pela rua, o indivíduo deve contar com a prática para manter o corpo em forma.

Seja qual for a escolha do exercício, porém, é essencial contar com o aconselhamento de um médico e de um profissional de Educação Física. Os especialistas serão os responsáveis por indicar o melhor exercício para seu tipo físico. Eles também poderão verificar sua capacidade de prática – afinal, caso seu joelho, por exemplo, tenha predisposição a uma fissura, é melhor não realizar corrida, não é mesmo?

Alongar-se algumas vezes por dia também é uma prática indicada. Os exercícios não precisam ser complexos. Basta realizar séries de dez segundos, alongando braços, pernas, pescoço e pés.

Em geral, os movimentos são feitos segurando o membro à frente ou acima do corpo, como esticar os braços acima da cabeça, entrelaçando os dedos. Estas práticas garantem relaxamento ao corpo, e permitem que os músculos fiquem mais preparados tanto para realizar movimentos, quanto para permanecer em uma mesma posição por certo período.

Utilizar sapatos confortáveis é igualmente importante. Mesmo que a escolha seja por um salto alto, a mulher consegue encontrar no mercado opções anatômicas e belas. A alternativa precisa garantir que a coluna não será forçada ao andar. Assim, a dor mecânica nas costas será evitada, assim como problemas mais sérios.

Para as grávidas, é vantajoso ainda utilizar faixa de suporte da barriga, ou a chamada cinta de sustentação. O acessório consegue diminuir o impacto sobre os músculos, causado pelo sobrepeso, e redistribui a carga “extra”, evitando as dores.

Tratamento da dor

dor-nas-costasO primeiro método de tratamento da dor nas costas, utilizado tanto por conta própria, quando o paciente ainda não visitou o médico, quanto pós-diagnóstico, é o uso de medicamentos. Realizada principalmente com anti-inflamatórios, a etapa diminui a dor do indivíduo.

Apesar de eficaz, porém, a utilização medicamentosa não deve ser feita com exagero. Isso porque, antes do diagnóstico, os químicos podem acabar mascarando algum sintoma ou problema mais grave. Já no pós-diagnóstico, é fundamental seguir a indicação correta do médico, pois o especialista tem real noção da quantidade necessária a cada usuário.

Utilizar-se de bolsas de água quente e bolsas de gelo também é benéfico. Os recursos têm a capacidade de diminuir a dor e, especialmente durante crises, conseguem oferecer alívio ao indivíduo.

Habitualmente, o calor tem o poder de melhorar a circulação sanguínea dos músculos, entregando mais oxigênio e nutrientes para que o órgão se cure. Já o gelo tem efeito anestésico, combatendo inclusive inflamações.

Para a terapia física, os exercícios indicados são para a reeducação da postura do paciente e alongamento da musculatura. Afinal, as duas características são fatores de risco para a dor nas costas, e podem agravar o problema caso continuem sendo realizadas de forma incorreta.

Por isso, os meios indicados se iniciam pela fisioterapia. Associada a ela, porém, costuma haver um exercício físico de reforço da musculatura e melhora da flexibilidade. Yoga e Pilates cumprem bem este papel.

O Pilates é um tipo de exercício que reúne mais de quinhentos movimentos de alongamento e fortalecimento. O exercício é realizado com o auxílio de uma bola de material elástico, em outros aparelhos ou mesmo no chão. Já o Yoga envolve poses e exercícios de respiração, com os mesmos benefícios do anterior.

Fazer acupuntura também tem efeito tratativo, uma vez que a técnica diminui desconfortos por meio de pequenas agulhas inseridas na pele.

Para a melhoria do fluxo sanguíneo e relaxamento dos músculos, há ainda a possibilidade de massagem terapêutica. O melhor é que o indivíduo busque um especialista, para que os movimentos sejam realizados da forma correta e mais eficaz.

Entretanto, se com todos estes métodos pouco invasivos a dor não cessa, resta a cirurgia. O método é sempre tomado como última solução, normalmente para solucionar um distúrbio na coluna vertebral.

O procedimento cirúrgico pode, por exemplo, descomprimir a faixa nervosa da coluna, retirando o agente causador desta pressão, como uma anomalia no osso. Há também aquele que insere enxerto ósseo entre duas vértebras que se juntaram, ou ainda a inserção de um disco artificial entre elas.

A melhor saída é sempre definida pelo  médico. Para que isso ocorra, no entanto, é preciso comparecer ao consultório. Por isso, lembre-se: se sua dor nas costas se prolongar por algumas semanas, procure o especialista. Assim, a descoberta do real motivo da dor e o melhor tratamento poderão logo ser realizados!

Sua dor no pescoço pode ser mais do que um “mau jeito”: descubra tudo sobre cervicalgia

cervicalgia-dor-cervicalA cervical, parte da coluna vertebral que forma o pescoço, é uma área delicada do corpo. É ela quem sustenta o crânio e que permite a ligação do cérebro ao restante da espinha, garantindo que impulsos nervosos cheguem aos membros e tornem-se movimentos físicos. Por esta importância, é comum que quadros de dor na área causem preocupação – entretanto, na maior parte das vezes, a dor na cervical tem motivo simples, que pode ser resolvido pelo próprio indivíduo.

Também chamada cervicalgia, a dor na cervical, por si só, não é um distúrbio, mas o sinal de que há algo errado. Habitualmente, o problema acontece por aspectos motores, que prejudicam o músculo da região.

Isso não quer dizer, porém, que a cervicalgia não merece atenção. Associada a outros sintomas, o incômodo no pescoço pode indicar problemas mais sérios, na coluna ou músculo da área.

O que causa dor na cervical?

A cervical é a porção mais flexível da coluna. Afinal, ela permite os mais variados movimentos, para cima, baixo, lados e até mesmo deslocamentos circulares. Esta capacidade é garantida por sete vértebras, que a formam e absorvem os impactos diários. Também no pescoço, o indivíduo apresenta ligamentos e inúmeras raízes nervosas.

Fortes impactos ou alterações nestas estruturas são os responsáveis pelas dores cervicais. Em geral, os incômodos aparecem de repente, por algum abalo mecânico, ou por infecções ou desgastes.

A motivação mais comum para a cervicalgia é a tensão muscular ou a entorse do tecido. Uma entorse consiste na lesão dos ligamentos devido a uma torção brusca. Assim, ao virar o pescoço de forma muito rápida, o indivíduo fica sujeito a uma apontada de dor, que pode persistir por dias.

A torcicolo, também de início súbito, é outra causa comum do problema. Ela é caracterizada pela rigidez do pescoço, que parece “travar” o pescoço para um lado. Assim, quando tenta movimentar a região para a outra direção, o sujeito sente dor intensa, e por ela é quase impossibilitado de locomover a cabeça. A dor acontece apenas de um lado do pescoço.

Ambas as situações, de impacto ou torcicolo, são habitualmente causadas pela má postura. No dia a dia ou em casa, e principalmente na hora de dormir, é preciso ter atenção à posição da coluna. Outra circunstância comum ao aparecimento da rigidez da cervical é a prolongada exposição ao frio.

A fadiga dos músculos por toda coluna também pode provocar o conhecido “mau jeito” no pescoço. Seja por movimentos repetitivos, ou pelo estresse emocional, ansiedade ou depressão, a dor na cervical é um reflexo da pressão excessiva exercida sobre o ponto.

Assim, atletas são um público altamente vulnerável ao problema, uma vez que seu corpo suporta impactos mais bruscos, e também repetitivos durante a prática. É esta a real importância de sempre realizar exercícios físicos sobre a recomendação de um médico e supervisão de um profissional de Educação Física. Os especialistas conhecem as melhores alternativas para cada composição corporal, e os movimentos adequados para manter a saúde e, ao mesmo tempo, garantir o bem estar da área cervical e todo o restante do tronco.

Há causas mais sérias

A dor no pescoço por efeitos mecânicos, como os citados, é considerada aguda. Ela não dura mais que alguns dias, e em geral melhora pelo uso de analgésicos e retomada controlada do movimento. Quando passa de seis semanas, no entanto, a cervicalgia é considerada crônica, e pode ser sinal de problemas mais sérios na coluna.

O primeiro diagnóstico possível para a dor crônica é a infecção de algum nervo cervical. Normalmente, a condição provoca a compressão das raízes nervosas, e assim leva à dor.

Há também a possibilidade de doença degenerativa de disco cervical. O desgaste da espinha é uma condição comum ao longo do avanço da idade, visto que a utilização constante das estruturas do corpo provoca a deterioração de forma gradual. Em casos específicos e de doenças associadas, porém, esta degeneração pode se tornar mais rápida, e levar a quadros de dor no pescoço.

A hérnia de disco é um destes problemas associados à degeneração. O distúrbio ocorre quando o disco vertebral, localizado entre as vértebras, sofre fissura. Responsável por amortecer os impactos de uma vértebra sobre a outra, este tecido discal, quando rompido, pode sozinho pressionar as raízes nervosas.

Em outros casos, a fissura maior ainda permite o escapamento do chamado núcleo pulposo. O gel interior do disco pode comprimir os nervos e provocar inflamações quando fora da estrutura de que é originada.

Habitualmente, a hérnia de disco acontece na região lombar da coluna, mas é possível em qualquer área da espinha. Independentemente de sua localização, é possível perceber efeitos na cervical.

A osteoartrite cervical é outro porquê recorrente à cervicalgia. O transtorno, também chamado espondilose cervical, acontece quando há o desgaste das articulações da coluna. A situação é resultado da degeneração natural da região, ao longo dos anos, ou pelo uso excessivo da área.

Por sua vez, na espondilose uma vértebra escorrega sobre a outra, causando uma posição anormal da coluna e a compressão desta. Já a dor originada pela estenose da coluna vertebral cervical é o resultado do estreitamento do canal espinhal.

Há causas surpreendentes

cervicalgia-dor-cervicalA dor na cervical pode ter ainda causas pouco consideradas. Há, por exemplo, a possibilidade de dissecção da artéria cervical. Apesar de pouco corriqueira, a patologia aparece quando algum dos importantes vasos sanguíneos do pescoço, as artérias carótidas e vertebrais, sofrem obstrução. Neste caso, há coágulo sanguíneo na área, que pode bloquear o fluxo e levar ao AVC (Acidente Vascular Cerebral). A dor, associada a tonturas, visão dupla e desequilíbrio do corpo, é sinal do problema. Com todos os sintomas, o indivíduo deve procurar imediatamente a emergência hospitalar.

Disfunções da articulação têmporo-mandibular, as DATM, é outra circunstância adicional. Os transtornos consistem em qualquer problema na ATM, articulação que liga a mandíbula ao crânio e funciona quando mastigamos, falamos ou respiramos.

Nos casos de má-mordedura e bruxismo como DATM, o pescoço pode sofrer reflexos doloridos, assim como a dor cervical pode levar às disfunções.

Inflamações na glândula tireoide, como a tireoidite, são outras causas admissíveis à cervicalgia. Nestes casos, a dor costuma ser acompanhada pela sensação de “cabeça distorcida”, depressão e constipação.

Até mesmo a triciníase, doença causada pela ingestão de carne de porco infectada por parasita, pode levar a dores cervicais. Finalmente, há casos em que câncer no pescoço, doenças autoimunes ou problemas estruturais, como a hiperlordose, podem levar a dor na região. Estas situações, todavia, são menos comuns.

Sintomas da cervicalgia

A dor no pescoço tem diferentes intensidades, de acordo com sua causa e com os hábitos do indivíduo. Em alguns casos, é possível ignorá-la facilmente, e permanecer com a realização das atividades habituais. Em outros, porém, o incômodo é forte, e dificulta muito a rotina.

A cervicalgia pode também durar apenas alguns dias, ir e vir, e se tornar constante. Segundo estudos, quase 70% das pessoas no mundo sofre de dor na cervical ao longo da vida.

Os tipos de incômodo variam entre a sensação de agulhadas e a sensação de cansaço intenso, ambas na base do pescoço. Outra possibilidade é a dor irradiada, que se espalha por ombros e braços, causando impressão de queimação.

Dependendo da área da raiz do nervo comprimida, os sinais também variam. Quando a região das primeiras duas vértebras é atingida, a dor no pescoço é associada à dor de cabeça. Atingindo as vértebras C3 e C4, o indivíduo também percebe certa dificuldade na respiração, uma vez que a estrutura tem raízes nervosas que regulam o diafragma. Aqui, a dor se espalha pelos ombros.

Já a partir da quinta vértebra da coluna, os impactos provocam fraqueza. Fraqueza dos ombros, dos braços e punho. Verifica-se ainda sensação de entorpecimento e formigamento destes membros.

Desta forma, o indivíduo com dor na cervical pode sentir também sua coordenação prejudicada e equilíbrio prejudicado.

Quando acontecem episódios como tontura, náusea, vômito, incontinência urinária e do intestino, febre e mesmo calafrios, é preciso ainda maior atenção. Isso porque os sintomas indicam algo mais grave que uma simples torção do pescoço.

A hora ideal para buscar ajuda médica acontece quando estes sintomas mais sérios são verificados. Também é importante procurar o diagnóstico quando o indivíduo também sentir que o toque em outras partes da coluna é doloroso, que a dor de cabeça associada é intensa e torna quase impossível a movimentação do crânio, ou ainda perceber a perda de peso repentina e involuntária do corpo.

Caso a dor no pescoço apareça ainda alguns dias após um acidente com grande impacto, como uma batida de carro ou a queda de uma altura elevada, é fundamental comparecer imediatamente ao consultório médico. Nestas situações, a dor costuma aparecer de forma retardada, e pode ser sinal de alguma sequela.

Por último, a investigação deve ser logo marcada quando os sintomas atrapalharem atividades do dia a dia, como se vestir ou dormir.

Dor cervical durante a gravidez

cervicalgia-dor-cervicalGestantes são um grupo, assim como atletas, bastante suscetíveis ao aparecimento da dor cervical. Não por grandes impactos, mas devido à carga “extra” que a mulher carrega durante o desenvolvimento do bebê.

Isso acontece porque a coluna vertebral é preparada, durante a puberdade e crescimento do corpo, para a sustentação de determinado peso. Como suporta pouco mais durante a gestação, a mulher acaba pressionando a coluna em toda a sua extensão, inclusive na cervical. A mesma situação acontece em casos de sobrepeso e obesidade de qualquer indivíduo.

O resultado da compressão exagerada na espinha é o incômodo recorrente nos músculos da área.

Na gestação, o sinal é ainda agravado pela atuação de alguns hormônios, que relaxam a região da pelve na preparação gradual para o parto. A barriga ainda sempre projeta a futura mamãe para a frente, mudando seu centro de gravidade e demandando mais das costas.

Como é feito o diagnóstico?

Ao perceber a insistência e recorrência da dor cervical, é fundamental que o indivíduo procure o médico. Apenas o especialista poderá definir a real causa do transtorno, e assim indicar o melhor tratamento para o corpo.

O primeiro passo para o diagnóstico é a conversa com o médico. Por meio dela, o profissional questionará o paciente quanto aos seus hábitos e as características da dor. Quando a dor começou? Houve algum trauma físico na época do início? Ela é recorrente? A dor permanece apenas no pescoço, ou irradiada para ombro e para os braços? Há algum sintoma associado às crises do incômodo?

A ocupação profissional do indivíduo também é verificada. O trabalho é manual? Demanda o carregamento de peso? Se na frente do computador, a empregadora oferece material adequado e cadeira confortável?

Quanto ao estilo de vida, o especialista costuma questionar os hábitos de prática de exercícios físicos e alimentação.

Outro aspecto importante é a postura. Ao utilizar o smartphone, o usuário mantém o aparelho na altura dos olhos, ou baixa a cabeça? Ao sentar-se numa cadeira, ele costuma apoiar as costas em seu encosto?

Da mesma forma, os hábitos na hora de dormir são analisados. Aqui, o médico questiona quanto ao uso de travesseiros, posição mais comum para o sono, e conforto do colchão são algumas das características citadas.

Por último, o indivíduo narra se houve  ferimentos recentes na região do pescoço e coluna, ou algum impacto mais forte, como uma batida de carro. Situações pouco mais antigas, que provocaram lesões à época, são igualmente importantes de citação.

Com estas informações, o especialista terá melhor noção das possíveis causas da dor na cervical. Em seguida, serão realizados exames físicos.

Por meio da observação, por exemplo, o médico verifica a postura do paciente, e qualquer encurvamento que pode estar presente. Apalpando a região indicada como dolorida, ele também verifica a incidência e irradiação da dor, analisando inclusive áreas da coluna, mesmo que elas não tenham sido indicadas com o problema. Com o tatear, ainda é possível perceber mudanças causadas por estiramento ou espasmo do músculo.

Testes para os reflexos também ocorrem. Afinal, é essencial analisar se a dor não está causando diminuição da capacidade motora do indivíduo.

Com exercícios mais simples, como o levantar dos membros, o profissional ainda analisa a escala de movimento do paciente, que pode estar prejudicada pela dor e sua causa. Normalmente, o paciente realiza inclinação do corpo, flexão dos membros e ainda rotação dos ombros e quadris. Pelo mesmo exame, são investigadas a sensibilidade e a força dos músculos.

Testes de imagem

Após os testes preliminares, é hora de realizar alguns exames de imagem. Habitualmente, o primeiro solicitado é o raio X. Por meio dele, o especialista obtém uma chapa em azul e branco que mostra o contorno dos ossos. Com ele, é possível analisar qualquer alteração na coluna.

Logo depois, vem a tomografia computadorizada. As imagens criadas por ela têm qualidade um pouco melhor que as radiografias, e permitem a visualização quase em 3D da coluna, com detalhes das divisões das vértebras e discos.

Outro exame comum é a ressonância magnética, que cria imagens ainda mais detalhadas, esta vez dos ossos, nervos e outros tecidos. Finalmente, há a possibilidade do teste de eletrodiagnóstico, que percebe a capacidade de condução elétrica pelos nervos na região da coluna.

Nem sempre todos estes exames são necessários para o correto diagnóstico do problema. A análise completa, porém, consegue determinar com precisão a origem da cervicalgia e consequências dela, garantindo terapia mais eficaz.

Testes de laboratório, como exame de sangue ou urina, também podem ser solicitados, pois oferecem dados sobre inflamações ou infecções que podem ser a causa da dor.

Tratamento e prevenção andam lado a lado

cervicalgia-dor-cervicalAs medidas para a prevenção e tratamento da dor na cervical são, muitas vezes, as mesmas. A mudança da postura, hábitos saudáveis… A utilização de remédios e a cirurgia são meios  apenas para a terapia curativa, acontecendo somente pela indicação do médico.

Primeiro, a correção postural. Atividades simples do dia a dia como ler um livro ou assistir a um vídeo na cama, podem levar às  dores cervicais, graças à má postura do corpo. Isso porque, nestes momentos, o indivíduo tende a manter a cabeça baixa por tempo prolongado, o que força tanto musculatura, quanto vértebras do pescoço. Ao mesmo tempo, é habitual segurar o livro ou aparelho celular nas mãos, o que demanda muito dos braços.

Assim, para estas atividades, é interessante contar com um apoio ou uma mesinha, que dê suporte  ao objeto. Assim, as articulações não serão demandadas em excesso.

Ao utilizar o computador, é preciso igual cuidado. É fundamental, por exemplo, manter o monitor do aparelho na altura dos olhos, para que não seja necessário nem inclinar, nem suspender a cabeça para correta visualização do conteúdo. O mesmo para notebooks, que devem ser colocados em um suporte.

Sentado na cadeira, o indivíduo ainda precisa ter atenção em oferecer apoio à coluna e aos pés. As costas devem permanecer em encosto confortável, de forma que permaneçam eretas. Já os joelhos devem permanecer em ângulo de 90°, mantendo os pés no solo ou em apoio suspenso.

Na hora de dormir, é também importante cuidar da posição do corpo. Dormir de bruços é uma péssima opção, uma vez que causa grande curvatura da coluna. Por isso, o ideal é dormir de lado, apoiar a cabeça sobre um travesseiro, e inserir outra almofada entre as pernas, evitando o contato direto entre os joelhos.

Ao levantar peso, ter zelo com os joelhos também contribuirá para a coluna de uma forma geral. Considerando que a cervical é o início da estrutura, os efeitos são igualmente benéficos. Por isso, a forma correta ao levantar uma carga é agarrar flexionando os joelhos e mantendo a coluna ereta. Em seguida, deve-se agarrar o objeto, levantá-lo ainda com a espinha reta, e permanecendo com os braços levemente flexionados.

Caso a carga obrigue o indivíduo a esticar muito os braços, é mais interessante dividi-la. Do contrário, o peso extra estará demandando muito do corpo.

A fisioterapia é outro método eficaz para tratamento da cervicalgia. Determinada em conjunto com o médico, a técnica mais adequada pode incluir exercícios para a correção da postura da coluna, flexibilidade, recuperação do equilíbrio e mobilidade correta do pescoço e ombros.

Realizar as atividades dentro da água, com a hidroterapia é também uma ótima alternativa, visto que os exercícios dentro da piscina oferecem também relaxamento do corpo, diminuem os impactos das atividades sobre as articulações e ainda promovem o fortalecimento acelerado da musculatura.

O segredo é se mexer!

Com dor na região do pescoço é bastante comum que o indivíduo prefira realizar poucos movimentos, por vezes até utilizando um colar cervical por conta própria. Afinal, o corpo assume uma posição de defesa, buscando evitar a dor.

Entretanto, a imobilidade é completamente contra-indicada: com ela, a cervical tende a ficar ainda mais rígida, e agravar os incômodos já sentidos. Dessa forma, a indicação é simples: praticar exercícios físicos!

Quando o quadro de dor já está instalado, as atividades para o corpo devem começar de forma mais leve. Procurar o auxílio de profissional de Educação Física é útil e poderá ajudar a definir a ginástica mais adequada.

Os preferidos entre os pacientes, porém, são o Pilates e o Yoga. Os exercícios auxiliam na melhora da postura, da flexibilidade, promovem o fortalecimento dos músculos, melhora do equilíbrio e ainda relaxamento do corpo. Os efeitos para a coluna e pescoço são extremamente benéficos, e podem inclusive ser prolongadas pela prática contínua das atividades, mesmo após o fim do tratamento para a dor na cervical.

Exercícios aeróbicos de baixo impacto, como caminhada, bicicleta ergométrica, flexão e dança também são alternativas interessantes. Além disso, eles podem auxiliar na manutenção da boa forma e da saúde em geral.

A utilização de analgésicos e anti-inflamatórios nas crises de cervicalgia ainda é indicado, mas nunca deve ser feito em excesso. Afinal, medicamentos possuem efeitos colaterais, e ainda podem mascarar problemas mais graves. O autocuidado com utilização de bolsas de gelo e repouso também pode diminuir os efeitos do incômodo.

Como técnica alternativa ao fim da dor, pode-se citar a acupuntura. A técnica chinesa é realizada pela inserção de pequenas agulhas na pele, o  meio elimina pontos e tensão e consegue diminuir o mal do sujeito.

Quando é realizada cirurgia?

Entre as cirurgias possíveis na região cervical há, por exemplo, a discectomia, que remove o disco vertebral desgastado e causador da dor. É possível também substituir o disco por uma estrutura de plástico e metal.

Em geral, para realização de um procedimento no pescoço, o especialista considera três situações especiais: a necessidade de estabilização da coluna cervical, a descompressão da medula espinhal, ou a retirada de uma estrutura que permanentemente esteja causando irritação na raiz nervosa.

Como em qualquer outro transtorno que envolva a coluna vertebral – excluída a síndrome da cauda equina, que é uma emergência médica –, o procedimento cirúrgico é sempre a última indicação para tratamento.

Bico de Papagaio: o mal da era tecnológica e postura ruim

bico-de-papagaioVocê provavelmente já ouvir falar da Osteofitose. A doença é comum, principalmente, em idosos e causa dores e incômodos no dia a dia. A limitação de movimentos também é comum, assim como o formigamento nos braços e pernas. Entretanto, será difícil ouvir alguém dizer: “Tenho osteofitose”. Por quê? Porque o problema é muito mais conhecido como Bico de Papagaio!

O bico de papagaio é assim chamado porque, quando visto na radiografia, o osso afetado apresenta certa protuberância, em formato do bico da ave. A modificação acontece devido ao crescimento ósseo “incorreto”, uma resposta do corpo ao desgaste das articulações.

Ou seja: por motivos diversos, as vértebras e os ligamentos se desgastam, criando “folgas”, espaços que não deveriam existir entre um osso e outro. Esta aproximação das vértebras acaba por comprimir a raiz nervosa e músculos.

Assim, como forma de proteção, o corpo cria calcificações ósseas em volta dos ligamentos danificados, calcificações estas conhecidas por osteófitos. Seu objetivo é criar um novo “apoio” ao osso, estabilizando os movimentos do indivíduo e mantendo a região na posição correta. Deste modo, a sobrecarga na área é diminuída, assim como a deterioração do osso.

Os osteófitos surgem, principalmente, na borda dos discos intervertebrais  da coluna, mas podem acontecer também nas mãos, calcanhares, pescoço ou qualquer outra articulação do corpo.

O bico de papagaio não aparece rapidamente, mas se desenvolve ao longo do tempo. Sempre que é desgastada, uma articulação recebe a “proteção” por osteófitos, o que não gera grandes problemas. O incômodo acontece, porém, com o aumento destes “espinhos ósseos“. A cada novo desgaste, o osso ganha uma “nova camada” de calcificação e, assim, o bico aumenta, comprime os nervos e causa a doença.

Não há cura, mas você pode prevenir o bico de papagaio

Não existe meio de curar a osteofitose. Como é uma resposta direta do corpo, o problema, quando aparece, passa a fazer parte da rotina do paciente. Entretanto, atitudes simples, que prezam pela saúde geral do físico, podem prevenir a doença.

A primeira prática é a boa postura corporal. Se a depressão é considerada o mal do século, problemas relacionados à tecnologia também se encaixam na lista. Numa geração em que o smartphone é um dos principais companheiros do dia a dia, é comum ver pescoços abaixados e colunas curvadas. Mas, além de pequenas dores momentâneas ao usuário, o comportamento pode promover o desgaste das articulações, que no futuro causarão a osteofitose.

A mesma má postura no uso do computador ou ao dormir, são fatores relevantes ao problema. É preciso que, sentado para o uso da internet, o usuário mantenha a coluna ereta, de preferência encostada em cadeira confortável, e coloque a tela do computador na altura dos olhos.

É essencial também manter os pés com toda a sua superfície encostada no chão ou em algum apoio que não os deixe  suspensos no ar. Assim, o tronco obtém suporte, alinhando joelhos e quadris.

Já ao deitar na cama é importante garantir que a espinha vertebral se mantenha em sua curvatura natural. Posições de bruços ou barriga para cima não são as ideais, uma vez que o próprio colchão impede a manutenção ereta das vértebras. Deste modo, dormir de lado com um travesseiro na altura exata entre o ombro e o pescoço, e outro entre as pernas, é a forma mais indicada por especialistas.

Ao realizar atividades domésticas é interessante também procurar manter a postura a mais ereta possível. Curvar-se para utilizar a vassoura, ou se abaixar para pegar um objeto no chão sem flexionar os joelhos, é bastante prejudicial.

Fazer alongamentos durante o dia é mais uma medida vantajosa para a prevenção. Movimentos como esticar braços e pernas eliminam a tensão e relaxam os músculos, garantindo que eles agirão com menor impacto sobre os ossos. Realizar pausas no trabalho, por cerca de cinco minutos, para  realizar as atividades sugeridas é o mais adequado e pode ajudar ainda na melhora da produtividade.

Outras causas comuns à osteofitose, muitas vezes prevenidas pelos meios já citados, são a sobrecarga das articulações, devido ao sobrepeso ou obesidade – afinal, a estrutura óssea de um indivíduo é desenvolvida para suportar carga definida pelo índice de Massa Corporal (IMC), nunca mais; anomalias na articulação, como fraturas ou inflamações; sedentarismo; esforços ou impactos repetitivos. É importante resguardar-se contra essas adversidades ao longo da vida.

A predisposição genética e envelhecimento são também fatores preponderantes  ao aparecimento do bico de papagaio. Ao longo dos anos, as articulações sofrem desgaste natural, o que só pode ser amenizado pelas ações apresentadas.

Com medidas de prevenção, é possível diminuir os efeitos do problema, ou retardar seu aparecimento. Se você não fez até agora, nunca é tarde para começar!

Diagnóstico rápido é essencial. Conheça os sintomas!

Com a incidência do bico de papagaio sobre o corpo, o indivíduo apresenta diversos sinais. A primeira delas é a dor forte próxima ao local da calcificação formada, devido à pressão sobre o nervo da região.

Ao mesmo tempo, há também a perda da força muscular, limitação dos movimentos – devido à “anomalia” e às fortes dores, e diminuição da sensibilidade e dos reflexos. O formigamento também é comum.

Após a percepção de qualquer um dos sintomas, e principalmente da associação deles, é essencial buscar pela opinião de um especialista. Quando recorrentes, os sinais com certeza indicarão um problema maior do que apenas cansaço ou “mau jeito”, e devem ser verificados. Mesmo que não seja este distúrbio, o indivíduo poderá apresentar outro que merece cuidado.

Após avaliação criteriosa, o ortopedista irá desenvolver o melhor plano de intervenção ao paciente. Isso porque, como são diversas as manifestações e gravidade do problema, cada indivíduo necessita de atenção especial. A demora na busca pelo diagnóstico é um fator que influencia, e muito, nos métodos de tratamento.

Tratamentos garantem qualidade de vida

bico-de-papagaioO meio mais “caseiro” ao alívio das dores causadas pela osteofitose é o uso de compressas quentes na área afetada. Momentaneamente, o recurso oferece relaxamento do corpo e diminui os sintomas. Repouso também é indicado a qualquer tempo.

Com auxílio médico, é possível passar para o tratamento medicamentoso. Como provoca quadro de dor aguda, a doença pode ser controlada por analgésicos orais ou na forma de injeções espinhais, que diminuirão os incômodos.

Entre todos os métodos de combate ao bico de papagaio, porém, a principal é a fisioterapia. Exercícios sistêmicos têm objetivos diversos, e acabam por melhorar bastante a qualidade de vida do paciente afligido pela enfermidade.

O primeiro resultado oferecido pela prática é a correção de problemas nos músculos , por meio do relaxamento destes. O fortalecimento das estruturas da coluna são outros efeitos, associados, claro, à correção da postura corporal. Colocar a coluna alinhada novamente irá diminuir dores e formigamentos, assim como o impacto dos movimentos sobre a calcificação formada.

Os exercícios físicos fazem parte de  outra etapa que, quando associados  aos demais recursos, diminuem os sintomas. Com a prática, há o fortalecimento dos músculos abdominais e extensores, e da estrutura óssea. Ao mesmo tempo, exercícios como flexões, abdominais e atividades na água garantem a melhora sem que haja grandes impactos desgastantes à região afetada.

De qualquer modo, é importante contar com a orientação adequada para os exercícios físicos, tanto no tratamento, quanto ao longo da vida. Praticar atividades por conta própria pode trazer impactos maléficos ao corpo, e causar desgaste de músculos e ossos, sejam eles já afetados pela osteofitose ou não.

Por exemplo: caso a estrutura do joelho de um paciente já esteja comprometida, a não avaliação do problema e realização de corridas diariamente podem  agravar o distúrbio. O mesmo com a coluna, principal afetada pelos osteófitos.

Por isso, o auxílio de um profissional de educação física é fundamental, mesmo que você decida realizar práticas ao ar livre.

Outra técnica bastante indicada, por especialistas, para o tratamento do distúrbio atualmente  é o Pilates. O conjunto de exercícios normalmente se utiliza de uma bola em material elástico, que no chão promove movimentos que reeducam a postura. São mais de 500 movimentos possíveis com o equipamento, que promovem  a simetria corporal.

Além da modalidade do Pilates no chão, há ainda aquela que demanda equipamentos para o exercício, e traz benefícios igualmente interessantes ao bem estar.

Demais pontos trabalhados pela técnica são o  controle motor e a flexibilidade. A resistência e força do corpo são igualmente empenhadas, enquanto há a diminuição de  tensão, stress e fadiga.

A eliminação das dores crônicas é outro produto da atividade, que tem atraído cada vez mais praticantes no Brasil – basta verificar o crescimento de estúdios e academias que oferecem aulas.

Como é importante trabalhar sempre a necessidade específica do paciente, o professor de Pilates também desenvolve exercícios especiais ao aluno, contribuindo para sua recuperação e qualidade de vida.

Em último caso, o tratamento para o bico de papagaio passa para o procedimento cirúrgico. A alternativa é considerada apenas quando o diagnóstico demonstra maior gravidade, ou quando os métodos menos invasivos não apresentam resultado satisfatório. Danos neurológicos e desalinhamento progressivo da coluna também recebem indicação de cirurgia, tal como alteração contundente de força ou da sensibilidade de membros como os braços.

Este tipo de procedimento habitualmente é realizado pela utilização de implantes e enxertos ósseos. Os dispositivos diminuirão o impacto sobre a estrutura óssea e seu consequente desgaste, minimizando os sintomas.

Mas lembre-se: a prevenção é a melhor opção para qualquer problema de saúde. Comece já a praticar hábitos saudáveis e garanta um futuro sem complicações!

Hiperlordose e Hipercifose

coluna-vertebralA coluna vertebral é uma parte importante do corpo. É ela que sustenta o tronco, mantendo o corpo funcional e em equilíbrio para as atividades básicas, como o caminhar e movimento dos braços. Por isso, é tão comum ouvir de pessoas próximas orientações como: “Melhore esta postura!”, “Coloque a coluna reta!”, para que a região não sofra grandes pressões e depois cause dor e outras complicações. Mas este pequeno conselho tem uma curiosidade interessante: não é possível manter a coluna completamente reta! Por que? Porque a estrutura é formada por curvas naturais, que garantem sua melhor atuação. Estas curvas são chamadas de lordose e cifose, e têm ângulos específicos. Quando estes são ultrapassados, então, há sinal de problemas, que podem gerar a hiperlordose e a hipercifose.

A coluna vertebral é uma estrutura complexa e fundamental para o corpo humano. Ela protege a medula espinhal e os nervos responsáveis pelos movimentos do ser humano, e liga o crânio à pelve. Com funções tão importantes, ela é formada por vértebras e outros ossos, que formam leves curvas.

A coluna é dividida em quatro regiões: a cervical, que compõe sua parte superior, com 7 vértebras, a  torácica, com 12 vértebras, a lombar, com 5 vértebras, e a sacrococcígea, ao final da espinha, com 4 vértebras.

Em cada uma dessas suas partes, a espinha dorsal apresenta, então, uma curvatura diferente. Nas áreas cervical e na lombar, a curva é chamada lordose, e possui leve arqueamento para frente. Já nas regiões torácica e pélvica, a coluna tem uma estrutura côncava ventral chamada cifose, algo que se assemelha ao símbolo gramatical parênteses.

Desta forma, o aspecto original da coluna vertebral apresenta curvas leves. Esta característica é essencial, uma vez que, sem elas, a espinha não teria suporte para manter o corpo de pé. Como uma mola, as curvaturas absorvem os impactos de cada movimento realizado no dia a dia.

Quando a lordose e a cifose são acentuadas, porém, podem ocorrer vários problemas. Afinal, a espinha precisa manter-se com o arqueamento original para permanecer trabalhando adequadamente.

Quando o acentuamento é o caso, existem três distúrbios que podem afetar a região. O primeiro deles é a escoliose, caracterizado pelo arqueamento lateral da espinha. Com o problema, o paciente apresenta uma coluna em C ou em S, e sofre grandes dores e dificuldades locomotoras.

As anomalias mais comuns, porém, são a hiperlordose e a hipercifose. Seja qual for o distúrbio, entretanto, os efeitos acontecem por todo o corpo.

Com o desvio da postura, articulações como ombros, braços, quadris e até pés costumam ser mais demandados, causando o desgaste destas, além de dores. As mudanças ocorrem devido a busca do corpo em compensar o equilíbrio, fragilizado já que a coluna não conseguirá mais mantê-lo completamente. Lesões e desgaste precoce da coluna e outras articulações também são habituais.

Além destes, as curvaturas exageradas na coluna podem levar a problemas mais sérios na espinha, devido ao desgaste das vértebras. Entre estas consequências, estão a hérnia de disco e a espondilolistese, que ocorre quando uma das vértebras da coluna se desloca sobre a outra.

Hiperlordose

Quadros de hiperlordose acontecem quando a alteração na coluna atinge a área cervical ou lombar, nas chamadas curvas de lordose. Na situação, o indivíduo adquire curva que “desloca” a parte inferior da coluna para frente, causando um aspecto arrebitado do bumbum. Na região do pescoço, a coluna também apresenta curvatura diferente, colocando-o um pouco mais para trás do que o normal – uma busca em manter o corpo reto mesmo com o arqueamento da estrutura.

Mas nem toda modificação na curvatura é hiperlordose. A mudança é definida como um problema quando o arqueamento da espinha ganha medição entre 40 e 60 graus na parte superior da coluna, e de 60 graus ao fim da espinha.

Não é difícil perceber a alteração mas, normalmente, são pessoas próximas que apontam o curvamento anormal. Para percepção por conta própria, porém, é possível realizar um teste simples. Colocando-se com as costas contra uma parede, o usuário deve manter suas pernas um pouco afastadas. Não é preciso encostar os calcanhares na superfície.

Nesta posição, a cabeça, ombros e parte inferior das costas devem encostar na parede. Ao fim da coluna, deverá haver um espaço entre parede e corpo, com largura suficiente para a inserção e deslize de uma mão pelas costas. Caso haja, porém, uma curva da coluna que impeça esse deslize completo, há sinal de hiperlordose.

Os resultados da condição são diversos. Há dor na região da lombar e do pescoço, limitação da mobilidade da coluna e de músculos próximos, e fraqueza de músculos flexores, como o abdômen.

Até mesmo questões consideradas mais estéticas, como a celulite nos glúteos e nas coxas, podem ocorrer. Esta consequência é fruto também da curvatura inadequada, que provoca a diminuição da eficiência da circulação sanguínea e linfática.

Causas e sintomas da hiperlordose

hiperlordose-hipercifoseAs causas do distúrbio também são diversas. Alterações genéticas, por exemplo, podem levar ao problema. Fraqueza dos músculos é outra motivação comum, principalmente nos músculos do abdômen ou das costas, essenciais para suporte da coluna e manutenção do corpo ereto.

A má postura, entretanto, é a principal causadora dos casos de hiperlordose. Mantendo o mau hábito de costas curvadas e pressão exagerada na coluna, a espinha tenta compensar a compressão e acaba por tornar seu arqueamento diferente do ideal.

Doenças também podem levar ao problema. A espondilose, distúrbio comum já citado , que encurva a espinha para o lado, pode se agravar e provocar também a hiperlordose. Neste caso, o resultado é uma coluna de lado e, ao mesmo tempo arrebitada. Os quadros de dor costumam ser mais intensos nestas situações.

A obesidade é outro fator de risco. Isso porque, durante seu desenvolvimento, o corpo é preparado para suportar carga específica. O peso ideal pode ser calculado pelo índice de Massa Muscular (IMC) de cada indivíduo, e apenas este peso consegue ser adequadamente sustentado pela coluna.

Em casos de sobrepeso e obesidade, então, a espinha sofre grande pressão, obrigada a firmar mais do que foi preparada. Assim, ela tende a se curvar, buscando equilíbrio. Como efeito, há a má postura o que, consequentemente, leva ao quadro anormal de lordose.

Transtornos nos ossos ainda podem levar à mudança. Citando a osteoporose, os ossos tornam-se porosos, e insuficientes para a sustentação do peso do tronco.

Por último, um grupo específico de indivíduos tem maior tendência a sofrer com o problema: as gestantes. Suportando carga “extra” no período de desenvolvimento do bebê, a futura mamãe demanda bastante da região das costas. Por isso, não é incomum prejudicar a postura na busca por manter a sustentação do peso mais confortável.

Outro motivo para o quadro de hiper neste público é a projeção do corpo para a frente, graças à mudança do centro de gravidade provocada pela barriga. Neste caso, até mesmo atividades simples, como o sentar e levantar, podem ser afetadas.

Hipercifose

Enquanto a hiperlordose cria o aspecto de bumbum arrebitado, a hipercifose age em outra parte do esqueleto: a toráxica, região entre o pescoço e o meio das costas. O efeito resultante é conhecido como corcunda, e projeta os ombros para a frente, curvando ainda a parte central das costas. A cabeça também fica projetada para a frente, como se o crânio do indivíduo chegasse sempre a um lugar antes mesmo de seu corpo acompanhá-lo.

Neste distúrbio, as causas variam de acordo com a idade. Afinal, a hipercifose pode ocorrer em qualquer época da vida, apesar de ser pouco menos comum no nascimento.

Habitualmente, o problema acontece na adolescência. Na puberdade, é bastante comum épocas de crescimento rápido, em que o indivíduo parece, de um dia para o outro, “esticar”. Este crescimento repentino do corpo causa estranhamento, e o adolescente, em alguns casos, tende a procurar manter a altura da cabeça na mesma da anterior, projetando-a para frente.

Outro motivo comum para o arqueamento da espinha na adolescência é a chamada doença de Scheuermann. O problema é originado por um desenvolvimento desigual das partes superior e inferior da coluna, com a parte inferior crescendo mais. Neste quadro, as vértebras, ao invés de apresentarem um formato simétrico, tem uma ponta mais fina que a outra, o que aumenta o ângulo de curva da coluna.

A má postura é outro fator propício para a curva exagerada por hipercifose. Aliás, manter postura inadequada é sempre perigoso para a coluna, e pode gerar inúmeros problemas.

Nos adultos, é possível citar como causas doenças degenerativas na espinha, como a artrite ou hérnia de disco, fraturas e fissuras dos ossos, traumas nas costas e ainda condições como a escoliose. A distrofia muscular e osteoporose também são condições associadas aos quadros de hipercifose.

A deficiência nutricional, principalmente de componentes como a vitamina D, também é percebida em pessoas que sofrem do problema. O nutriente é responsável pelo fortalecimento dos ossos e manutenção do bom funcionamento dos órgãos.

Outras causas comuns do encurvamento exagerado são doenças endócrinas, infecções como a tuberculose, e deformidades neuromusculares, como paralisia cerebral, distrofia muscular e a espinha bífida (má formação da espinha). A fraqueza dos músculos do abdômen e das costas ainda provoca pressão exagerada na espinha, podendo levar ao transtorno.

Finalmente, lactentes e crianças podem apresentar hipercifose quando já há deformação da coluna vertebral advinda do útero, ou seja, um defeito congênito. É o caso da espinha bífida, já citada.

Assim como na hiperlordose, o indivíduo acometido pelo curvamento incomum da hipercifose sente dor nas costas, fadiga, sensibilidade nos músculos e áreas próximas à coluna, e rigidez da espinha, dificultando os movimentos e a torção da área.

Hiperlordose X Hipercifose: as similaridades

Os dois distúrbios de curvamento da coluna são muito parecidos entre si. Os sintomas de dor na coluna são semelhantes, apesar de cada problema atingir uma região das costas. O desequilíbrio e fraqueza muscular, além de uma causa, podem ser consequência das doenças, causando grande incômodo, fraqueza em atividades diárias, estafa do corpo e dificuldade de movimento da espinha, pelo travamento da região.

De forma geral, a alteração da imagem do corpo do indivíduo é percebida por pessoas próximas. Mas além da percepção do outro sobre o sujeito, o paciente acaba por sofrer impactos em sua autoimagem. Assim, é habitual que a autoestima do indivíduo se torne baixa, com pouca confiança no corpo e suas capacidades. Esta autopercepção muda com a melhora do transtorno, o que demanda um tratamento multidisciplinar.

Além destes fatores, os métodos de tratamento dos distúrbios, que serão citados logo mais, também são bastante semelhantes.

Como é feito o diagnóstico?

hiperlordose-hipercifosePara a definição correta da patologia da coluna, é preciso buscar um médico. No consultório, o especialista fará primeiro a verificação clínica do paciente, observando a curvatura da espinha. Com as costas desnudas, o indivíduo é analisado de costas, de perfil e a postura da parte da frente do corpo. Nesta etapa, o paciente também é analisado com a coluna encostada em alguma superfície reta, o que permite comparar melhor a curvatura ideal com a atual do indivíduo.

Em seguida, para confirmação do distúrbio, são realizados exames de imagem. O método também analisa a existência de outros problemas, que podem estar associados ou serem consequência do arqueamento incomum.

Para esta investigação, não são precisos inúmeros exames, como acontece em quadros de hérnia de disco ou outras perturbações na espinha. Usualmente, o teste solicitado pelo especialista é a radiografia, também conhecida como raio X.

As chapas de raio X, assim como é feito no exame físico, analisam todo os ângulos da espinha (de frente, perfil, e pela parte posterior). Por meio dos resultados, oferecido em chapas em azul e branco, o médico verifica o contorno dos ossos, e consegue confirmar o arqueamento e outros problemas possíveis na região.

Quando há suspeita de outros problemas associados, podem ser solicitados testes como a tomografia computadorizada e a eletroneuromiografia.

Por último, o especialista questiona ao paciente os sintomas sentidos até o momento, para que o tratamento seja direcionado corretamente a cada dor apresentada.

Cuide da postura!

O tratamento da hipercifose e da hiperlordose, muitas vezes, consiste na mudança de hábitos e manutenção de práticas saudáveis. Por isso, é comum que as medidas tomadas para cura sejam indicadas também para a prevenção dos problemas.

A primeira medida para a terapia de um dos arqueamentos é a correção da postura. Afinal, ela é a principal causadora dos distúrbios, e acontece pela manutenção da espinha de forma incorreta em atividades simples do dia a dia.

Considere, por exemplo, o tempo que você gasta utilizando o celular de cabeça baixa. Esta posição é extremamente prejudicial à espinha, uma vez que coloca grande pressão sobre o pescoço e provoca o arqueamento das vértebras.

Desta forma, é sempre indicado que o uso do smartphone seja feito com o aparelho a frente dos olhos. O mesmo para computadores e notebooks: seja para o lazer, seja para o trabalho, é importante posicionar a tela de forma que não seja necessário nem arquear a cabeça, nem baixá-la para total visualização do conteúdo.

Sentar em cadeira com encosto confortável também é essencial. Isso porque, oferecer suporte à coluna garante que ela não sofra pressão desnecessária, além de mantê-la ereta pela maior parte do período.

Ao mesmo tempo, é interessante colocar os pés sobre um suporte, caso eles não cheguem ao chão. Mantendo os joelhos em ângulo de noventa graus, o indivíduo permanece com o corpo relaxado, e igualmente evita compressão das costas.

Até mesmo o ato de dirigir merece atenção. É sempre necessário regular o banco do motorista de forma que os joelhos fiquem flexionados, mas sem encostarem na parte inferior do painel do carro. Braços também devem permanecer flexionados durante a condução.

Neste caso, ainda é preciso regular os retrovisores adequadamente, sem que seja necessário esticar a cabeça para verificá-los. Aliás, apenas a parte de trás da cabeça deve encostar no  suporte do banco, mantendo o pescoço ereto e relaxado.

Ao realizar atividades domésticas, é fundamental ainda que o indivíduo preze pela sua postura. Ao varrer a casa, por exemplo, é preciso manter a espinha reta. Quando necessário limpar partes mais baixas, como debaixo dos móveis, nada de se curvar: agache flexionando os joelhos, e só então faça a atividade.

No ato de calçar o sapato também é preciso cuidado. Ao invés de levar o corpo aos pés, é mais interessante sentar-se, trazer o joelho junto ao corpo e só então vestir o calçado.

Já ao deitar na cama, é importante garantir que a espinha vertebral se mantenha em uma curvatura o mais ereta possível. Por isso, dormir de bruços é a pior maneira, pois as costas ficam arqueadas. Assim, dormir de lado, com um travesseiro sob a cabeça e outro entre as pernas, é a forma mais indicada por especialistas.

Tratamento para os distúrbios

hiperlordose-hipercifosePara potencialização deste processo de correção da coluna, o paciente com hiperlordose ou hipercifose costuma realizar uma série de exercícios. Inicialmente, na fisioterapia: com o especialista, o indivíduo aprende a melhorar o hábito postural e consegue retornar com a coluna para o modo correto.

A chamada RPG (Reeducação Postural Global) é a principal técnica utilizada. Ela consiste em variados exercícios para a coluna, em que o indivíduo deve manter uma postura por determinado tempo. Com o treinamento, o paciente consegue realinhar as costas e outras articulações afetadas pelo arqueamento.

Exercícios físicos também ajudam nesta correção. O Pilates é um dos mais procurados, e com mais de quinhentas atividades ajuda na melhora da respiração, fortalecimento dos músculos e reparação da espinha. Sua prática pode ser realizada por qualquer pessoa, acompanhadas as intensidades indicadas para cada situação. A diversidade de modalidades, com bolas de borracha, aparelhos ou ainda no chão, também favorecem esta abrangência de público.

O Yoga é outro exercício bastante indicado, pois além dos benefícios do Pilates, contribui bastante para a flexibilidade do corpo.

Atividades que fortaleçam a musculatura das costas são igualmente indicadas. Assim, são eficazes flexões, com a devida supervisão de intensidade; natação, uma vez que a prática trabalha todos os tecidos posteriores do corpo; e até mesmo alongamentos diários, principalmente após permanecer muito tempo na mesma posição.

Para estes alongamentos, é possível, por exemplo, esticar os braços sobre a cabeça, mantendo-os para cima por pelo menos dez segundos. Pelo mesmo tempo, é interessante levantar o pé pela parte de trás do corpo, encostando-o próximo ao glúteo. Movimentos deste tipo relaxam a musculatura e diminuem a pressão sobre a coluna.

Obviamente, alongamentos e exercícios físicos devem ser realizados com maior cuidado caso a condição de arqueamento exagerado já esteja instalada. Caso contrário, as dores e o próprio distúrbio podem se agravar.

Como há curvatura da coluna, os médicos também costumam indicar para o tratamento a utilização de cintas corretivas da postura. Por meio dela, o paciente tem maior suporte das costas, e o processo de tratamento é agilizado. As peças, porém, devem ser adequadas ao problema, e não modeladoras de corpo, como é possível encontrar facilmente no mercado.

Tratar as doenças causadoras da condição também é passo importante, como é o caso da osteoporose. Afinal, de nada adiantará a correção da coluna se o motivo para o arqueamento ainda estiver presente.

O tratamento psicológico para efeitos na autoconfiança são identicamente apropriados. Utilizar palmilhas e sapatos específicos para melhora da postura também são possibilidades.

Como são comuns  quadros de dor, o especialista costuma indicar ainda o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Com o artifício, o indivíduo consegue manter atividades diárias e sua qualidade de vida. Ao mesmo tempo, ele ganha auxílio no tratamento, uma vez que o processo de reeducação da postura pode trazer incômodos.

Para o público gestante, há ainda outro meio importante: manter o peso ideal. Em geral, é indicado que a mulher engorde apenas entre nove e doze quilos. O peso varia pouco de acordo com o IMC de cada uma, e manter-se nele garantirá que a pressão sofrida pela coluna não será mais do que o suportável.

Técnicas alternativas também são possíveis. Neste caso, pode ser citada a acupuntura, ramo da medicina chinesa que introduz agulhas em pontos precisos do corpo. Com a prática, há efeito anestésico que pode melhorar a condição de bem estar do indivíduo, assim como diminuir o estresse e rigidez dos músculos.

Além destes, manter o peso ideal e alimentação saudável são essenciais para tratamento e prevenção da hiperlordose e hipercifose.

Em casos mais graves, é possível realizar ainda procedimento cirúrgico, que corrigirá a curvatura da espinha.

Emagrecer rápido pode comprometer a saúde da coluna

Estima-se que um quinto da população esteja com excesso de peso e a tendência é que esse número aumente nas próximas décadas. Confrontando com esses dados, o sonho do corpo ideal é algo que influencia a cabeça de inúmeras pessoas, principalmente as mulheres.

Emagrecimento milagroso
São inúmeras as formas de emagrecimento e dietas milagrosas para a obtenção do dito corpo perfeito. Desde dietas hipocalóricas, medicações e até intervenções cirúrgicas como a bariátrica são utilizadas como ferramentas na eliminação rápida de peso.

Porém, estudos já apontaram que o emagrecimento rápido, sem a prática regular de exercícios físicos, pode levar a uma perda da massa muscular ao invés da gordura, trazendo inúmeros prejuízos à saúde.

A perda de peso e suas consequências
Com a eliminação da massa muscular, há gradativa redução da força, inclusive nos músculos ao redor da coluna, que perdem a capacidade de sustentação. Isso gera uma maior sobrecarga, o que pode acarretar em uma protrusão ou hérnia de disco, entre outros problemas.

A perda de massa magra atinge diretamente os músculos esqueléticos, que sustentam a coluna vertebral. Isso pode gerar dor.

Os diversos fatores envolvidos no emagrecimento
O emagrecimento depende de diversos fatores, tais como: idade, peso inicial, taxa metabólica, nível de estresse, atividade profissional e prática esportiva. O que faz que a mesma dieta e exercício físico repercuta de maneira diferente de pessoa para pessoa.

É importante ressaltar que além da perda de massa muscular rápida, outros nutrientes importantes para o organismos podem entrar em carência, como o cálcio e o magnésio, o que contribui para o enfraquecimento ósseo e a perda de sua densidade.

Fique no controle!
Com o emagrecimento rápido, a musculatura fica flácida e perde seu tônus de maneira generalizada. Por isso, durante a perda de peso é necessária a prática de exercícios de fortalecimento para a musculatura. Com a diminuição do tônus e redução de sua ativação, essa musculatura perde a consistência e se retrai, dificultando o alongamento muscular e a movimentação funcional. Esse desequilíbrio pode gerar a dor.

Por isso, é importante conciliar uma dieta adequada, acompanhada por um profissional qualificado, juntamente com a prática de exercícios físicos regulares, com controle das atividades, para também se evitar excessos.