Bico de Papagaio: o mal da era tecnológica e postura ruim

bico-de-papagaioVocê provavelmente já ouvir falar da Osteofitose. A doença é comum, principalmente, em idosos e causa dores e incômodos no dia a dia. A limitação de movimentos também é comum, assim como o formigamento nos braços e pernas. Entretanto, será difícil ouvir alguém dizer: “Tenho osteofitose”. Por quê? Porque o problema é muito mais conhecido como Bico de Papagaio!

O bico de papagaio é assim chamado porque, quando visto na radiografia, o osso afetado apresenta certa protuberância, em formato do bico da ave. A modificação acontece devido ao crescimento ósseo “incorreto”, uma resposta do corpo ao desgaste das articulações.

Ou seja: por motivos diversos, as vértebras e os ligamentos se desgastam, criando “folgas”, espaços que não deveriam existir entre um osso e outro. Esta aproximação das vértebras acaba por comprimir a raiz nervosa e músculos.

Assim, como forma de proteção, o corpo cria calcificações ósseas em volta dos ligamentos danificados, calcificações estas conhecidas por osteófitos. Seu objetivo é criar um novo “apoio” ao osso, estabilizando os movimentos do indivíduo e mantendo a região na posição correta. Deste modo, a sobrecarga na área é diminuída, assim como a deterioração do osso.

Os osteófitos surgem, principalmente, na borda dos discos intervertebrais  da coluna, mas podem acontecer também nas mãos, calcanhares, pescoço ou qualquer outra articulação do corpo.

O bico de papagaio não aparece rapidamente, mas se desenvolve ao longo do tempo. Sempre que é desgastada, uma articulação recebe a “proteção” por osteófitos, o que não gera grandes problemas. O incômodo acontece, porém, com o aumento destes “espinhos ósseos“. A cada novo desgaste, o osso ganha uma “nova camada” de calcificação e, assim, o bico aumenta, comprime os nervos e causa a doença.

Não há cura, mas você pode prevenir o bico de papagaio

Não existe meio de curar a osteofitose. Como é uma resposta direta do corpo, o problema, quando aparece, passa a fazer parte da rotina do paciente. Entretanto, atitudes simples, que prezam pela saúde geral do físico, podem prevenir a doença.

A primeira prática é a boa postura corporal. Se a depressão é considerada o mal do século, problemas relacionados à tecnologia também se encaixam na lista. Numa geração em que o smartphone é um dos principais companheiros do dia a dia, é comum ver pescoços abaixados e colunas curvadas. Mas, além de pequenas dores momentâneas ao usuário, o comportamento pode promover o desgaste das articulações, que no futuro causarão a osteofitose.

A mesma má postura no uso do computador ou ao dormir, são fatores relevantes ao problema. É preciso que, sentado para o uso da internet, o usuário mantenha a coluna ereta, de preferência encostada em cadeira confortável, e coloque a tela do computador na altura dos olhos.

É essencial também manter os pés com toda a sua superfície encostada no chão ou em algum apoio que não os deixe  suspensos no ar. Assim, o tronco obtém suporte, alinhando joelhos e quadris.

Já ao deitar na cama é importante garantir que a espinha vertebral se mantenha em sua curvatura natural. Posições de bruços ou barriga para cima não são as ideais, uma vez que o próprio colchão impede a manutenção ereta das vértebras. Deste modo, dormir de lado com um travesseiro na altura exata entre o ombro e o pescoço, e outro entre as pernas, é a forma mais indicada por especialistas.

Ao realizar atividades domésticas é interessante também procurar manter a postura a mais ereta possível. Curvar-se para utilizar a vassoura, ou se abaixar para pegar um objeto no chão sem flexionar os joelhos, é bastante prejudicial.

Fazer alongamentos durante o dia é mais uma medida vantajosa para a prevenção. Movimentos como esticar braços e pernas eliminam a tensão e relaxam os músculos, garantindo que eles agirão com menor impacto sobre os ossos. Realizar pausas no trabalho, por cerca de cinco minutos, para  realizar as atividades sugeridas é o mais adequado e pode ajudar ainda na melhora da produtividade.

Outras causas comuns à osteofitose, muitas vezes prevenidas pelos meios já citados, são a sobrecarga das articulações, devido ao sobrepeso ou obesidade – afinal, a estrutura óssea de um indivíduo é desenvolvida para suportar carga definida pelo índice de Massa Corporal (IMC), nunca mais; anomalias na articulação, como fraturas ou inflamações; sedentarismo; esforços ou impactos repetitivos. É importante resguardar-se contra essas adversidades ao longo da vida.

A predisposição genética e envelhecimento são também fatores preponderantes  ao aparecimento do bico de papagaio. Ao longo dos anos, as articulações sofrem desgaste natural, o que só pode ser amenizado pelas ações apresentadas.

Com medidas de prevenção, é possível diminuir os efeitos do problema, ou retardar seu aparecimento. Se você não fez até agora, nunca é tarde para começar!

Diagnóstico rápido é essencial. Conheça os sintomas!

Com a incidência do bico de papagaio sobre o corpo, o indivíduo apresenta diversos sinais. A primeira delas é a dor forte próxima ao local da calcificação formada, devido à pressão sobre o nervo da região.

Ao mesmo tempo, há também a perda da força muscular, limitação dos movimentos – devido à “anomalia” e às fortes dores, e diminuição da sensibilidade e dos reflexos. O formigamento também é comum.

Após a percepção de qualquer um dos sintomas, e principalmente da associação deles, é essencial buscar pela opinião de um especialista. Quando recorrentes, os sinais com certeza indicarão um problema maior do que apenas cansaço ou “mau jeito”, e devem ser verificados. Mesmo que não seja este distúrbio, o indivíduo poderá apresentar outro que merece cuidado.

Após avaliação criteriosa, o ortopedista irá desenvolver o melhor plano de intervenção ao paciente. Isso porque, como são diversas as manifestações e gravidade do problema, cada indivíduo necessita de atenção especial. A demora na busca pelo diagnóstico é um fator que influencia, e muito, nos métodos de tratamento.

Tratamentos garantem qualidade de vida

bico-de-papagaioO meio mais “caseiro” ao alívio das dores causadas pela osteofitose é o uso de compressas quentes na área afetada. Momentaneamente, o recurso oferece relaxamento do corpo e diminui os sintomas. Repouso também é indicado a qualquer tempo.

Com auxílio médico, é possível passar para o tratamento medicamentoso. Como provoca quadro de dor aguda, a doença pode ser controlada por analgésicos orais ou na forma de injeções espinhais, que diminuirão os incômodos.

Entre todos os métodos de combate ao bico de papagaio, porém, a principal é a fisioterapia. Exercícios sistêmicos têm objetivos diversos, e acabam por melhorar bastante a qualidade de vida do paciente afligido pela enfermidade.

O primeiro resultado oferecido pela prática é a correção de problemas nos músculos , por meio do relaxamento destes. O fortalecimento das estruturas da coluna são outros efeitos, associados, claro, à correção da postura corporal. Colocar a coluna alinhada novamente irá diminuir dores e formigamentos, assim como o impacto dos movimentos sobre a calcificação formada.

Os exercícios físicos fazem parte de  outra etapa que, quando associados  aos demais recursos, diminuem os sintomas. Com a prática, há o fortalecimento dos músculos abdominais e extensores, e da estrutura óssea. Ao mesmo tempo, exercícios como flexões, abdominais e atividades na água garantem a melhora sem que haja grandes impactos desgastantes à região afetada.

De qualquer modo, é importante contar com a orientação adequada para os exercícios físicos, tanto no tratamento, quanto ao longo da vida. Praticar atividades por conta própria pode trazer impactos maléficos ao corpo, e causar desgaste de músculos e ossos, sejam eles já afetados pela osteofitose ou não.

Por exemplo: caso a estrutura do joelho de um paciente já esteja comprometida, a não avaliação do problema e realização de corridas diariamente podem  agravar o distúrbio. O mesmo com a coluna, principal afetada pelos osteófitos.

Por isso, o auxílio de um profissional de educação física é fundamental, mesmo que você decida realizar práticas ao ar livre.

Outra técnica bastante indicada, por especialistas, para o tratamento do distúrbio atualmente  é o Pilates. O conjunto de exercícios normalmente se utiliza de uma bola em material elástico, que no chão promove movimentos que reeducam a postura. São mais de 500 movimentos possíveis com o equipamento, que promovem  a simetria corporal.

Além da modalidade do Pilates no chão, há ainda aquela que demanda equipamentos para o exercício, e traz benefícios igualmente interessantes ao bem estar.

Demais pontos trabalhados pela técnica são o  controle motor e a flexibilidade. A resistência e força do corpo são igualmente empenhadas, enquanto há a diminuição de  tensão, stress e fadiga.

A eliminação das dores crônicas é outro produto da atividade, que tem atraído cada vez mais praticantes no Brasil – basta verificar o crescimento de estúdios e academias que oferecem aulas.

Como é importante trabalhar sempre a necessidade específica do paciente, o professor de Pilates também desenvolve exercícios especiais ao aluno, contribuindo para sua recuperação e qualidade de vida.

Em último caso, o tratamento para o bico de papagaio passa para o procedimento cirúrgico. A alternativa é considerada apenas quando o diagnóstico demonstra maior gravidade, ou quando os métodos menos invasivos não apresentam resultado satisfatório. Danos neurológicos e desalinhamento progressivo da coluna também recebem indicação de cirurgia, tal como alteração contundente de força ou da sensibilidade de membros como os braços.

Este tipo de procedimento habitualmente é realizado pela utilização de implantes e enxertos ósseos. Os dispositivos diminuirão o impacto sobre a estrutura óssea e seu consequente desgaste, minimizando os sintomas.

Mas lembre-se: a prevenção é a melhor opção para qualquer problema de saúde. Comece já a praticar hábitos saudáveis e garanta um futuro sem complicações!

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