Desconfie da dor ciática: o incômodo pode indicar problema na coluna!

dor-ciáticaO sistema nervoso do corpo humano é um dos mais importantes de cada indivíduo. Formado por diversos órgãos importantes, como o cérebro e a medula espinhal, ele garante a possibilidade de movimento de cada membro e o funcionamento dos órgãos em geral. Para que consiga comandar toda esta extensão, o sistema nervoso mune-se de nervos, responsáveis pela condução de impulsos elétricos por todo o corpo. Destes, um tem papel fundamental na locomoção de cada indivíduo: o nervo ciático.

O nervo ciático é o responsável pelo controle das articulações inferiores, incluindo quadril, joelho, tornozelo e pés. Ele se inicia no fim da espinha medular, descendo então pela parte de trás da coxa e chegando ao tornozelo.

Para melhor efetivação de seu trabalho, o nervo se subdivide. Ao chegar à metade do fêmur, ele se ramifica em nervo tibial, responsável pelos músculos posteriores da perna, e em nervo fibular, encarregado da frente da perna e dos pés de cada indivíduo. Estas subdivisões, por sua vez, também criam ramificações, abrangendo por completo os membros inferiores.

Por isso, o ciático é o maior do corpo humano, tanto em extensão, quanto  em dimensão. Em um indivíduo adulto, ele chega a atingir a mesma largura de um dedo. Seu início é protegido pelos músculos do glúteo, o que diminui os efeitos dos impactos diários na região.

Quando o músculo se encontra flexionado, porém, pela realização de uma atividade física, ou mesmo pelo andar, o nervo fica “desprotegido”. A condição proporciona condições favoráveis a choques na região, um dos principais motivos para a chamada dor ciática.

A dor ciática acontece em qualquer região trespassada pelo nervo, incluindo a perna, o quadril, a região lombar e a coxa. É comum que os pacientes relatem que “a dor se movimenta”, percorrendo toda a extensão da perna.

Além da dor, problemas no nervo ciático podem ocasionar cansaço, perda da sensibilidade e fraqueza dos membros inferiores, mesmo durante atividades diárias. Entretanto, não é porque o indivíduo percebe estes sinais, que ele está com problema ciático.

Além do incômodo, a dor ciática é caracterizada pela ocorrência em uma perna de cada vez. Ela também costuma se iniciar na lombar ou nas  nádegas, resultando numa dor aguda, como se o nervo estivesse sendo “esticado” contra a vontade.

Se não contar com estas características, o problema pode ser outro. Se o indivíduo sentir dor no lado da coxa, ou na parte da frente da perna, por exemplo, a causa pode ser problemas vasculares ou espasmos musculares comuns.

CAUSAS DA DOR CIÁTICA

A dor ciática em si não é uma doença, mas o sinal de algum outro problema. Suas causas são diversas, mas, em geral, o incômodo ocorre quando alguma pressão ou lesão o afeta.

Entre os motivos mais comuns para a ciatalgia estão lesões degenerativas da coluna vertebral, incluindo, por exemplo, a hérnia de disco. Uma hérnia comprime os nervos da medula espinhal, e assim provoca a costumeira dor lombar, que é seu principal sintoma. Esta compressão pode inflamar o nervo ciático, e assim também provocar incômodo na região.

Existem três tipos de hérnia de disco. A primeira delas é chamada extrusa e é o resultado do escapamento do núcleo pulposo da coluna. A coluna é formada por este núcleo e pelo núcleo fibroso, “anéis” que protegem a composição em gel do primeiro. Quando o disco sofre fissura, o líquido se expande para fora  dele, e pressiona a raiz nervosa da coluna.

Já na hérnia protusa, o núcleo pulposo permanece no centro da coluna, mas o disco se alarga, provocando igual pressão nas áreas nervosas da lombar.

Na hérnia sequestrada, por sua vez,  o gel pulposo migra dentro do próprio canal medular. Além da dor e pressão, há inflamação da região.

De forma geral, a hérnia de disco acontece devido à degeneração natural da coluna e por impactos, sejam eles imediatos e mais fortes, ou com efeito em longo prazo, devido à alta repetição.

Outra causa comum da ciática é espondilolistese. Degenerativa, a doença provoca deslocamento leve de uma vértebra sobre a outra, colocando uma delas mais à frente do que deveria.

Esta modificação da posição da vértebra, inicialmente, diminui o espaço em que a espinha e as terminações nervosas residem no corpo. Logo depois, ela pode causar esmagamento do nervo ciático pelo osso, despontando na dor logo abaixo da lombar.

A estenose espinhal lombar é outra causa provável da dor ciática. A condição também acarreta pressão sobre as raízes nervosas da lombar, graças ao estreitamento anormal do canal da coluna.

Por sua vez, a síndrome do piriforme  afeta o músculo piriforme, localizado na parte debaixo das nádegas. Como passa pela região, o nervo ciático acaba comprimido em situações de espasmo ou aperto da área. Até mesmo alguns objetos, como carteira no bolso ou volume no assento de um banco, podem provocar as dores. Como não tem origem na coluna vertebral, entretanto, esta condição é resolvida mais facilmente, com alongamento do músculo.

Assim, qualquer condição que ofereça compressão do nervo ciático leva à dor. Por exemplo: ao realizar atividade física para os glúteos, o indivíduo pode aumentar o tônus e firmeza da região. Se pressionado por este aumento, o nervo causará incômodo semelhante ao que aconteceria em caso de hérnia de disco. A diferença entre as duas situações seria apenas a associação de outros sintomas à hérnia, além da gravidade do problema.

Por isso, adversidades como a artrose nas vértebras inferiores, tumores, anomalias congênitas, espasmos musculares e osteoartrite também são causas conhecidas da ciatalgia. Lesões na região, traumas por impacto e fraturas podem igualmente comprimir o nervo, criando o transtorno.

Desse modo, um dos grupos mais atingidos pela dor no ciático são os atletas. Mesmo que com o acompanhamento de especialistas médicos e de Educação Física – o que, aliás, é essencial – esportistas demandam muito do corpo. Os músculos dos glúteos, coxas e piriformes recebem grandes impactos na corrida, musculação ou saltos, o que pode provocar estiramento do músculo ou outros impactos mais fortes. Assim, a resposta do corpo é a pressão ao nervo.

Nestes casos, o alongamento do músculo é suficiente para o alívio. Quando há inflamações mais graves e doenças, entretanto, o movimento poderá piorar a dor. Por isso, é importante procurar profissional médico, pois apenas ele saberá indicar a causa do problema e as medidas mais adequadas para resolvê-lo.

SINTOMAS DO PROBLEMA

dor-ciáticaConforme a causa e o paciente, o intervalo de tempo com dores ciáticas varia. Citando um reflexo mecânico como motivo, a dor desaparece em poucos dias, por vezes sozinha. Já se a inflamação é pouco mais grave, ela pode demorar a se curar.

Usualmente, os sintomas da ciatalgia tornam-se mais fortes durante a noite, durante o repouso. Além da sensação de “pinçamento” dos glúteos, coxas ou panturrilha, o indivíduo afetado pela perturbação percebe uma “queimação” e dormência na área pressionada.

A dor parece também oferecer choques elétricos, falta de equilíbrio, espasmos de dor e fraqueza dos músculos da perna acometida. Para alguns, o distúrbio torna-se quase incapacitante, causando grande dor mesmo durante a realização de atividades simples do dia a dia. Para outros, ela é completamente suportável. Para qualquer das situações, porém, o indivíduo costuma apresentar dificuldade para deitar ou levantar, devido às “agulhadas” sentidas.

Por outro lado, caso os sintomas sejam associados à sensação de pernas cansadas e pesadas, o distúrbio pode ser outro. Com estes sintomas, é mais provável que o problema seja síndrome da dor miofascial . Dissociado do nervo ciático, o distúrbio ocorre devido a lesões ou uso excessivo do músculo. O resultado são pontos de dor intensa em partes diversas do corpo, independentemente se ela foi a área a sofrer o impacto ou se está apenas próxima da região.

Em regra, as “crises” de dor no nervo ciático não caracterizam emergência médica. Ela pode ser verificada por especialista após certo período de início, e ainda assim não constituirá nenhum grande problema. Há, contudo, situação que demanda corrida rápida ao médico: quando a dor afeta intestino ou bexiga do paciente, provocando incontinência.

Os sinais podem indicar a chamada síndrome da cauda equina. O problema é causado pela compressão e inflamação do conjunto, ou feixe, de nervos na parte final da coluna. O quadro pode levar à paralisia, e por isso é tão grave. Cirurgia rápida é necessária para o tratamento do distúrbio.

Para casos comuns de dor ciática, a cirurgia é sempre a última indicação. Caso seja necessária, o indivíduo se recuperará completamente em cerca de dois meses.

PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA A DOR CIÁTICA

Como é causada por impactos ou lesões degenerativas da coluna vertebral, pode-se acreditar que não existem outras condições de risco para o aparecimento da dor ciática. Afinal, cada patologia já tem suas causas listadas. Entretanto, alguns hábitos de vida podem facilitar a incidência do problema. Principalmente se somados ou ligados às condições causais já citadas.

O primeiro fator destacável é a má postura do corpo. Torcendo a coluna e pouco se preocupando com movimentos bruscos ou alongamento correto do tronco, o paciente oferece condições propícias às dores no nervo.

A obesidade ou sobrepeso são igualmente perigosos. A coluna é preparada, durante o crescimento do sujeito, para suportar carga específica. Como é o principal ponto de suporte do corpo, ela recebe grande pressão para tal.

Se o peso é o ideal, não há problema. Mas se a carga que a coluna vem suportando é maior do que indica o Índice de Massa Corporal (IMC) de cada um, a pressão sobre a área vertebral será muito maior do que a adequada. A compressão pode então passar para o nervo ciático, e associar a dor na região à dor lombar característica destas situações.

O sedentarismo também é ponto notável aqui. A não realização de exercícios físicos, seja qual for  a época da vida, enfraquece a musculatura de todo o corpo. A região da coluna é uma das mais afetadas, e provoca a sobrecarga das vértebras. Os efeitos também incluem a dor lombar e compressão do nervo, resultando em maior incômodo.

O consumo excessivo de álcool e o hábito de fumar cigarros, por serem tão prejudiciais à saúde em geral, igualmente podem ter consequência na ciática.

GRAVIDEZ E DOR CIÁTICA

dor-ciáticaOutra situação propícia à ocorrência da dor ciática é a gestação. Primeiro porque, quando está grávida, a mulher passa a suportar mais peso do que sua coluna está acostumada. Com o crescimento do bebê, ela, por reflexo, acaba ainda por mudar a postura e inclinar as costas para trás, prejudicando o suporte do corpo em geral.

Como altera o centro de gravidade e equilíbrio da mulher, a gravidez facilita então a compressão do nervo ciático. Afinal, torcendo o corpo para mantê-lo em pé, é comum que as nádegas e a coxa sofram maior pressão. Por estar localizado nestas regiões, o nervo ciático é identicamente comprimido.

A flacidez muscular nesta época da vida também pode favorecer o aparecimento de hérnias e problemas mais graves relacionados à dor no ciático. Por isso, é importante que a futura mamãe busque fortalecer principalmente a região inferior do corpo, com exercícios adequados para gestantes. Isso dará a ela maior controle do corpo, diminuindo a compressão do nervo.

Por último, o aumento do útero durante o crescimento do bebê também pode ocasionar esmagamento do nervo. Esta ocorrência é frequente a partir da 12ª semana de gravidez, quando a mulher já costuma ter a barriga pouco mais protuberante.

Após o nascimento do bebê, mesmo que a pressão do crescimento da barriga chegue ao fim, é preciso tomar cuidado. Quando amamentar, mantenha uma postura adequada, com as costas apoiadas e de forma que o peso do bebê não provoque dor nos braços ou inclinação da coluna.

Utilizar um apoio atrás das costas é também uma boa saída para manter a postura. Coloque um apoio lombar, utilize almofada ou travesseiro para escora. Colocar os pés sobre um banquinho ou outro suporte também é importante, pois garantirá o apoio de todo o corpo.

Utilizar almofada também para elevar o bebê é ótima pedida. Na hora de trocá-lo, prefira o apoio do trocador de fraldas, mais alto, do que fazê-lo sobre a cama.

DIAGNÓSTICO E EXAMES

Com tantas causas e efeitos colaterais, uma simples dor no ciático merece atenção. O incômodo teve duração de alguns dias, após algum impacto mecânico? Tudo bem, não é necessário investigar. A dor vem ocorrendo por mais de uma semana? Talvez seja melhor você descobrir logo do que se trata!

O diagnóstico correto das causas da dor ciática só pode ser realizado por um médico. A investigação é essencial, principalmente pelas situações de automedicação.

É comum o consumo de analgésicos por conta própria. De forma imediata, a medicação oferece alívio  da dor, e melhora a qualidade de vida do paciente. Ao longo do tempo, entretanto, os componentes químicos podem mascarar um problema mais grave, dificultar sua percepção e, quem sabe, requerer ainda mais do tratamento.

O primeiro passo para diagnóstico da ciatalgia é a conversa com o médico. Por meio dela, o especialista irá conhecer os hábitos de vida do indivíduo, qual sua percepção de dor, os sintomas associados e o momento do início do problema.

O profissional também deverá questionar o paciente quanto à incidência de dor semelhante na família, já que algumas das causas dela têm relação hereditária. Antes mesmo de comparecer ao consultório, é interessante que o usuário procure conhecer esta incidência familiar, para oferecer o quadro mais detalhado possível na consulta.

Sinais como perda de força, limitação de movimentos, alterações de sensibilidade e perda de equilíbrio também precisam ser relatados, caso seja esta a situação.

Já durante um exame físico, o especialista em saúde deverá realizar os mais variados movimentos no corpo do paciente. O objetivo é verificar quais os efeitos de cada um deles sobre o nervo ciático, a localização da fonte da dor e a intensidade maior ou maior a cada movimento.

Assim, o médico costuma aplicar pressão no quadril, nas costas, pernas, pés, joelhos, e até mesmo na parte superior da coluna. Afinal, é preciso verificar a condição de cada área que poderia ser afetada por incômodos no ciático.

Um dos testes básicos realizados verifica se a dor é provocada por alteração ciática ou na coluna. Deitado de barriga para cima, o indivíduo tem a perna levantada pelo médico e deve listar os sintomas que percebe com o movimento. Caso haja sensação de formigamento ou dor, o problema é uma alteração no nervo. Caso os efeitos sejam na outra perna, deitada na maca, o transtorno diz respeito à coluna.

Este simples teste pode ser realizado até mesmo em casa, para que o paciente tenha maior clareza do que o acomete. A visita ao médico, porém, ainda é essencial, uma vez que só ele terá certeza do diagnóstico.

Seguido a estes, há dois exames que verificam a existência da chamada dor radicular, causada por lesões na coluna espinhal ou estenose do canal vertebral.

Primeiro, o teste de Lasègu. Ainda deitado de costas, o paciente flexiona o joelho, levantando-o até o mais próximo possível do quadril. Se não houver dor no movimento, é provável que não existam problemas ligados a lesões na coluna. Entretanto, se ao estender o joelho o quadril oferecer algum incômodo, o médico terá maior atenção às situações nas vértebras.

O teste de Bragard, então, é utilizado para confirmação do que for percebido no de Lasègu. O exame consiste na elevação da perna, estendida, de forma gradual. O médico interrompe o movimento quando o indivíduo reclama de dor, verificando sua elasticidade. Quando o momento acontecer, o especialista abaixa a perna do paciente e movimenta seu pé. O maneio é feito pela elevação do pé em direção à perna, com movimento de sobe e desce. Se houver dor no movimento, há problema radicular.

Dando continuidade ao processo de diagnóstico, há o exame neurológico. O método analisa os reflexos do corpo e força muscular das áreas próximas ao nervo.

Em seguida, costumam ser solicitados exames de imagem, que complementam e corroboram a identificação da pressão ciática.

Exames como a ressonância magnética e o raio X facilitam a visualização das alterações da coluna e no nervo. A análise dos resultados garante a percepção do real motivo da compressão ao nervo.

O exame de raio X é um dos mais conhecidos. Chamado também de radiografia, ele entrega chapas em azul e branco, que mostra o contorno de ossos e órgãos da área “fotografada”. Com ele, o profissional consegue verificar tumores, fraturas, modificações ósseas ou outras características que podem ser razão das dores ciáticas.

Por sua vez, a tomografia computadorizada é uma espécie de raio X pouco mais avançado, que consegue distinguir melhor o contorno componente dos órgãos.

Já a ressonância magnética oferece imagens em melhor definição, mostrando não apenas contorno em forma de manchas, mas conseguindo distinguir cada detalhe dos órgãos. Até mesmo os vasos sanguíneos podem ser verificados com esta checagem.

Com estas análises, é possível definir se existe ou não alguma modificação na área da coluna. Quando ela está presente, e comprimindo o nervo ciático, o distúrbio provavelmente é mais grave, demandando tratamento mais aplicado. Quando não, a dor habitualmente tem origem muscular, demandando intervenção mais simples.

Outro exame que pode acrescer informações ao diagnóstico é a termografia. O método permite a localização precisa dos pontos de dor do indivíduo. Assim, o médico especialista consegue perceber até mesmo as áreas que têm  incomodado pouco, mas que vêm  recebendo impactos que podem se agravar futuramente. As “fotografias” são realizadas por meio dos mapas de calor que o exame produz.

Após todas estas verificações, o especialista pode desconfiar de alguma lesão no nervo. As situações são raras, mas quando acontecem contam com um exame específico. Chamado eletroneuromiografia, o teste permite o diagnóstico de lesões nos nervos ou doenças dos nervos e músculos. Por ele, o indivíduo tem analisada a capacidade de condução de impulsos  elétricos  pelo nervo ciático, ou seja, a capacidade de resposta motora e sensitiva do tendão.

Nem sempre todos estes testes de diagnóstico são necessários ou requisitados pelo médico. Como envolve um nervo essencial para locomoção, porém, os especialistas dedicam grande atenção à análise do problema.

Apenas com a verificação correta é possível distinguir a causa da dor, e assim direcionar tratamento adequado antes que ela se torne mais grave. Também por isso a investigação precoce é importante. A dor tem durado mais de uma semana? Procure logo o consultório médico! Assim, mesmo que seja algo mais simples, você terá auxílio para terapia do incômodo.

CUIDADO COM A POSTURA!

dor-ciáticaHérnia, impactos mecânicos, espondilolistese. Cada uma das causas possíveis  da dor ciática tem um grupo com maior incidência. Com razões tão variadas, porém, a dor ciática acaba podendo atingir a qualquer um. Assim, homens e mulheres, de qualquer idade, estão propensos a desenvolver o incômodo no nervo. Por isso, a prevenção não precisa esperar determinada época da vida para começar.

A maioria das medidas de prevenção é básica, e busca a manutenção da qualidade de vida dos indivíduos. Tanto especialistas, quanto pessoas próximas a você provavelmente já lhe aconselharam, por exemplo, a manter uma boa postura.

Manter as costas curvadas pode ser a causa, por exemplo, de escoliose, que pode pressionar a coluna e, consequentemente, pressionar o ciático. O problema causa também forte dor lombar, o que pode diminuir a capacidade motora do sujeito. São muitos os distúrbios do tipo, e por isso as costas merecem atenção diária.

No trabalho em frente ao computador, os cuidados devem começar com a escolha da cadeira. É preciso que o assento seja confortável, com encosto que garanta a posição ereta da coluna. É necessário também contar com apoio para os braços, para que eles não sejam elevados sem suporte e sofram grandes impactos.

Também neste quesito, tenha atenção à altura da tela do computador. Ela deve sempre estar em paralelo à altura dos olhos, não exigindo nem a curvatura do pescoço, nem sua inclinação. Se necessário, insira algum apoio abaixo do monitor, seja ele específico para isso ou mesmo improvisado com livros ou outros objetos. O mesmo é indicado para notebooks.

Ofereça ainda suporte para os pés. É sempre interessante que o joelho mantenha ângulo de noventa graus, com os pés apoiados no chão ou em outro objeto. Isso porque deixar pés suspensos, ou mesmo as pernas cruzadas, pressiona a coluna de forma desnecessária.

Se tiver que atender ao telefone, fixo ou celular, evite também manter o pescoço inclinado. Segurar o aparelho na orelha, apoiando-o no pescoço, como é comum em situações de atividades diversas, gera tensão no pescoço e curva a coluna.

COLUNA MERECE ATENÇÃO DIÁRIA

Em casa, busque sempre seu conforto em todas as situações. Ao calçar um sapato, por exemplo, será mais agradável sentar-se, dobrar o joelho e trazer os pés para si, ao invés de torcer a coluna.

Nas atividades de limpeza doméstica, tome igual cautela. Ao limpar o chão com a vassoura ou aspirador de pó, tenha atenção em não curvar a coluna. O ideal é que o utensílio tenha cabo de altura adequada para que não seja preciso abaixar o corpo durante sua utilização. Caso deseje limpar cantos e a parte debaixo dos móveis, prefira agachar flexionando os joelhos. Assim, a coluna receberá menor impacto pelo movimento.

Para passar roupa, monte a mesa de apoio em altura suficiente para manter a coluna reta. Na hora de dormir, é importante contar com dois travesseiros. O primeiro deve ter altura igual à distância entre a cabeça e o pescoço, e ser colocado abaixo da cabeça.

O segundo travesseiro precisa ser inserido entre as pernas. Deitando de lado, o indivíduo consegue manter a postura o mais reta possível, mesmo durante à noite.

Escolher dormir de bruços – a pior opção – ou de costas, pode prejudicar o sono, e é comum que o sujeito acorde “com as costas duras”. Além deste incômodo momentâneo, poderá haver desgaste da região.

Na direção do carro, também é fundamental ter atenção à postura. Regule a distância do banco de forma que seus pés alcancem facilmente os pedais. Os joelhos devem ficar flexionados, mas sem encostar a  parte inferior do volante. Os braços também devem manter-se flexionados durante toda a condução. Lembre-se ainda que o encosto da cabeça deve servir de apoio apenas para o centro do crânio, e não para o pescoço ou o topo da cabeça.

Ao utilizar-se da mochila, prática ao dia a dia, também é preciso cuidado. Caso carregue peso demasiado, o acessório pode sobrecarregar a coluna, causando dores e podendo gerar problemas mais sérios. Por isso, em situações em que os objetos carregados sejam muita carga, prefira carregar algumas peças na mão. A distribuição de peso irá facilitar a manutenção da boa postura da coluna, evitando que ela se incline. Durante o transporte, sempre utilize também ambas as alças da bolsa, ou o peso em apenas um ombro poderá curvar a região lombar.

Por último, ao suspender cargas, é fundamental que os joelhos sejam flexionados. Agache-se, suspenda a carga, e gradualmente volte com a coluna para a posição ereta. Caso o peso incline o corpo para frente, é indicado que você o diminua, solicite ajuda  ou conte com o auxílio de um carrinho ou outro objeto para transporte. Caso contrário, a situação pode causar grande impacto, e levar a lesões e dores lombares e no ciático.

De forma geral, é fundamental evitar a realização de movimentos bruscos com a coluna e pernas.

DEDIQUE-SE À PREVENÇÃO

Seja qual for a atividade, é importante manter a postura ereta. Tome sempre medidas para diminuir os impactos na região lombar. A prevenção vai evitar questões simples, bem como distúrbios mais graves.

Para corrigir a conduta destas atividades, há alguns exercícios auxiliares, além dos cuidados diários citados. A técnica intitulada Reconstrução Músculo-Articular da Coluna Vertebral (RMA), por exemplo, inclui diversos exercícios fisioterapêuticos. As atividades, realizadas com auxílio de um fisioterapeuta, fortalecem os músculos das costas e diminuem a tensão e a pressão na região.

Alongar o corpo diariamente é outra dica. Afinal, alongamentos não são importantes apenas para a realização de atividades físicas. Em qualquer momento, eles garantem melhor mobilidade e relaxamento do corpo.

Os alongamentos básicos consistem em exercícios para coluna, braços, pernas e pés, e demoram poucos minutos. Contando dez segundos para cada movimento, o indivíduo consegue diminuir a pressão sobre os músculos e articulações.

Você pode, por exemplo, alongar os braços suspendendo-os sobre a cabeça, entrelaçando os dedos. Em seguida, segure cada braço por trás da cabeça, encostando a mão no pescoço e formando um triângulo com o cotovelo, direcionando-o para cima. Faça o mesmo movimento segurando os membros na frente do corpo, ora entrelaçando os dedos, ora segurando o pescoço pelo lado oposto ao braço.

Com as pernas, experimente suspender o pé segurando-o pela parte de trás do corpo. Eleve-o até abaixo das nádegas. Depois, faça movimentos de “sobe e desce” do pé, e também circulares.

Ainda é possível alongar o pescoço, esticando-o ora para o lado direito, ora para o esquerdo, frente e para trás.

Para alongamento da coluna, é indicado deitar no chão de costas e fazer exercícios de flexão dos joelhos.

OUTRAS PREVENÇÕES

dor-ciáticaPassando para as atividades físicas, um dos exercícios indicados é o Pilates. Com mais de 500 movimentos possíveis em sua série, a modalidade melhora o equilíbrio e flexibilidade do corpo, e fortalece os músculos, principalmente da região lombar. Os movimentos são acessíveis, uma vez que podem ser praticadas no chão, com o auxílio de bola elástica ou ainda de outros aparelhos.

Mas há diversas outras possibilidades de atividades. Especialistas recomendam a prática por pelo menos três vezes por semana, seja de natação, caminhada, Ioga, ginástica, musculação ou qualquer outra benéfica ao corpo.

Seja qual for a escolha para prática, entretanto, é essencial contar com auxílio de profissionais. Antes de deixar o sedentarismo, procure orientação médica e de profissional de Educação Física. A etapa é importante para conhecimento das limitações de seu corpo e para descoberta do exercício mais indicado às suas condições e objetivos.

Outro passo para a prevenção é manter a qualidade de vida, evitando o tabaco e realizando alimentação saudável diariamente. Ter uma dieta equilibrada ajuda, por exemplo, a manter o peso ideal e evitar “carga extra” a ser suportada pela coluna.

Para prevenção direta da dor ciática, evite colocar objetos volumosos no bolso, como a carteira. O incômodo pode pressionar o nervo, e causar dor na região.

TRATAMENTO

Antes da definição do melhor método de tratamento para a dor ciática, é preciso que o paciente realize seu correto diagnóstico. Afinal, cada uma das causas do sintoma requer cuidados diferentes. Em geral, porém, há medidas que garantem fim ao incômodo.

A primeira alternativa é o uso medicamentoso. Entre os remédios mais comuns indicados estão o Paracetamol ou Ibuprofeno, ou relaxantes musculares. Eles costumam oferecer alívio imediato da dor, mas sozinhos não têm  a capacidade de eliminá-la. Por isso, os medicamentos são associados a outras formas de tratamento, que serão citadas logo mais.

Utilizados muitas vezes por conta própria, os medicamentos podem se tornar um perigo. Em longo prazo, eles são capazes de mascarar problemas mais sérios, levando à dificuldade de diagnóstico e a complicações. Por isso, se após uma semana de uso medicamentoso a dor persistir, o indivíduo deve procurar auxílio médico.

A visita ao especialista pode também indicar composto mais adequado, mais forte ou mesmo em forma de injeções.

A fisioterapia é igualmente utilizada na intervenção contra a dor no ciático. Os aparelhos e exercícios do método fortalecem os músculos e flexibilizam o corpo, reduzindo a dor e a inflamação.

A fisioterapia torna-se ainda mais eficaz se associada à prática física, que é tão importante nesta etapa quanto na prevenção do problema. Afinal, o repouso, apesar de ser tentador em quadros de dor, pode piorar o incômodo, uma vez que mantém o indivíduo por muito tempo na mesma posição.

Por isso, no processo de tratamento é recomendada a prática de exercícios leves. Alongamento, Ioga e pilates são os mais indicados por especialistas neste momento. Em seguida, exercícios de fortalecimento muscular são importantes, pois os músculos são os responsáveis pela proteção do nervo ciático.  

OUTROS MÉTODOS DE TRATAMENTO

Para o alívio da aflição, é possível ainda realizar massagem na região afetada pela dor. Munido de um creme hidratante ou de gel analgésico, o indivíduo pode realizar sozinho leve pressão sobre a área, diminuindo assim a compressão do nervo. Contando com ajuda de alguém próximo, é interessante também massagear os músculos das costas, pernas e glúteos, em toda sua extensão, já que a área é de passagem do ciático.

Para massagem mais forte e aplicada, o melhor é procurar uma clínica especializada ou massoterapeuta, que tem maior aptidão e conhecimento do corpo. Assim, a fricção não irá intensificar a dor, nem agravar seu agente causador.

Na alimentação, é boa pedida aumentar o consumo de vitamina B. O nutriente é ótimo auxiliar no combate e prevenção a inflamações nos nervos do corpo, incluindo o responsável pela locomoção dos sujeitos. A vitamina B está presente em alimentos como pão integral, soja, alho, leguminosas, folhas verdes, noz, arroz, espinafre, ervilha, banana, cereais, amêndoas, peixe e carne de boi.

Como tratamentos alternativos, existem três opções bastante requeridas. A acupuntura, por exemplo, oferece relaxamento e diminuição da dor graças aos estímulos de pequenas agulhas.

A osteopatia, por sua vez, é uma técnica que promove o alongamento dos músculos e estalo das articulações. Ela deve ser sempre realizada com o auxílio de um especialista. O método é opção eficaz para tratamento de hérnias de disco e escoliose, tão comuns causadoras da dor ciática.

Também é possível utilizar-se do calor ou do frio para alívio das dores. Com bolsa de água quente por aproximadamente 20 minutos, o paciente sente relaxamento do músculo e melhora do fluxo sanguíneo.

Com a bolsa de gelo, os efeitos melhoram as dores nas articulações ou causadas por impactos, principalmente se utilizada nas primeiras 48 horas após o início do incômodo.

Por último, o tratamento da dor ciática pode demandar a realização de procedimento cirúrgico. Sempre tomada como última alternativa, a cirurgia é realizada nos casos mais graves, como em situações de hérnia de disco sequestrada.

Antes da decisão por este método, todas as outras medidas indicadas para o tratamento ciático são empenhadas, salvo casos emergenciais como a incontinência da bexiga ou intestino.

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