Dor lombar: entenda e descubra qual a causa da sua lombalgia

dor-lombarO corpo humano está sujeito a dores. Seja por tensão, cansaço, “mau jeito” ou como um sinal de uma doença, a dor acontece em variadas épocas e episódios da vida. Entre as mais comuns, está a dor de cabeça, que parece fazer latejar o cérebro. Um segundo tipo, porém, é tão comum quanto: a dor lombar.

Chamada também de lombalgia, o problema não é uma doença, mas um reflexo do corpo que tem causas variadas. Ela atinge cerca de 80% da população mundial em algum momento da vida, na parte inferior da coluna vertebral.

Outras dores podem ser confundidas com a dor lombar. Acontecendo muito próximo à bacia, o distúrbio pode ser confundido com quadros de dor pélvica ou abdominais, ou mesmo com a característica “dor nos rins”.

Diferenciar os casos, entretanto, é simples: a lombalgia, além do incômodo na região no fim da coluna, causa tensão muscular na área. Isto acontece principalmente após período maior na mesma posição, em pé ou sentada.

Conhecida ainda como “dor nos quartos”, a aflição deixou de ser um incômodo apenas para adultos e idosos, como era comum há algumas décadas. Atualmente, é cada vez mais comum a incidência no público jovem, incluindo crianças.

Esta mudança de grupo-alvo está relacionada principalmente a uma das causas mais comuns da lombalgia: a má postura. Afinal, a região lombar é essencial ponto de apoio do tronco, e o aumento da tensão e pressão sobre a área exige que ela “trabalhe” pouco mais para manter o corpo em equilíbrio. O resultado é a dor, que provoca sensação de queimação muscular, travamento de movimentos e “pontadas” nas costas.

A dormência e formigamento das pernas também é comum entre pacientes que sofrem episódios de dor. Até mesmo as nádegas podem sentir irradiação do problema, prejudicando o dia a dia do indivíduo.

No entanto, a lombalgia não costuma ser grave. Comumente, os sintomas desaparecem em pouco tempo, com medidas para postura e medicamentos contra a dor. Se ela persistir, porém, pode indicar algum problema mais grave.

Por isso, caso a dor lombar permaneça por mais de doze semanas, é essencial procurar atendimento médico. Afinal, diversos são os problemas que têm  o incômodo como sintoma. Se associado a outras dores e anormalidades no corpo, este auxílio deve ser buscado ainda mais rápido, para que o problema em questão seja diagnosticado e tratado corretamente.

Entre os problemas possíveis, pode-se listar fraturas, infecções, distúrbios neurológicos e inflamações, diretamente relacionados à coluna vertebral ou não.

OS TIPOS DE LOMBALGIA

A principal causa de invalidez no mundo é a lombalgia. Segundo dados de uma pesquisa publicada no periódico inglês Annals Of The Rheumatic Disease em 2017, a dor na lombar é também responsável pela maior parte de afastamento de trabalhadores no planeta. Mais que comum, então, a lombalgia é um problema de saúde pública.

Um problema de saúde pública pode ser caracterizado de variadas formas. A capacidade epidêmica de uma doença, de transmissão fácil, por exemplo, é um dos requisitos adotados por especialistas. Na lombalgia, é possível considerar, entretanto, outros critérios.

O primeiro deles é o impacto na qualidade de vida do indivíduo, já que, por vezes, a dor lombar torna o paciente incapaz de realizar movimentos básicos, tamanho o incômodo.

Em segundo plano, considera-se o impacto dos custos para a sociedade. Considerando os afastamentos do trabalho devido ao problema, e os benefícios sociais por invalidez oferecidos principalmente no Brasil, é fácil classificar a dor como algo que merece atenção.

Os médicos classificam a lombalgia de duas formas: aguda ou crônica.

O modo agudo do problema é o mais simples, e de maior incidência. Com duração de até doze semanas, a dor acontece entre o fim da coluna e nádegas, e piora de acordo com o movimento. A sensação é de entrave da região, e exercícios diários tornam-se de difícil execução.

Geralmente, a causa do distúrbio é qualquer movimento realizado de forma incorreta ou brusca demais. O indivíduo percebe o incômodo de forma repentina, ao agarrar um objeto no alto, abaixar-se  rapidamente, carregar peso excessivo, fazer rotação do tronco sem mexer os pés, realizar atividades físicas intensas, apresentar má postura, manter-se imóvel na mesma posição por tempo prolongado ou ainda outras situações que coloquem pressão demasiada sobre as costas.

Ao longo dos anos, homens e mulheres ficam pouco mais sujeitos a quadros deste tipo. Uma vez que a degeneração natural do corpo pode enfraquecer músculos e coluna vertebral, estiramentos tornam-se mais comuns.

Desde que sejam de tempo menor de duração, sem impactos remanescentes para o corpo, eles são considerados corriqueiros. Quando não, a lombalgia merece cuidado maior, pois se tornou crônica.

A dor lombar crônica dura mais de doze semanas, e tem princípio diferente. Ao invés de desgastes físicos, este tipo de distúrbio é um reflexo de problemas como fraturas, hérnia de disco, degeneração do disco, artrites e outros que afetam tanto músculos, quanto ossos.

O indivíduo acometido pela adversidade sente dor moderada ou muito intensa, e torna-se basicamente incapacitado de realizar movimentos. Qualquer alteração postural, ou mesmo o andar, causam aumento da dor, e o paciente sente-se imobilizado por ela.

Ambos os tipos de lombalgia merecem atenção médica. O importante é verificar o tempo de duração e intensidade da dor.

Com poucos dias de durabilidade, o incômodo pode ser finalizado por medidas físicas e medicamentos anti-inflamatórios. A partir de duas semanas, é interessante procurar um especialista, que conseguirá oferecer tratamento mais eficaz, com exercícios e outros medicamentos, quando for o caso.

Se o intervalo de dor, porém, durar mais de 12 semanas, não adie mais a visita ao hospital: o problema pode ser mais grave do que você imaginava, e requer diagnóstico rápido e tratamento especial.

CAUSAS DA DOR LOMBAR AGUDA

dor-lombarA dor lombar aguda, além de tempo menor de duração, tem outra característica interessante: não há consequência. Ou seja, o paciente afetado por ela não apresenta alterações estruturais na coluna vertebral após o fim dos incômodos. A dor e limitação acontecem apenas durante as “crises” de lombalgia, podendo o indivíduo voltar às suas atividades habituais sem reflexos diretos na coluna.

A peculiaridade acontece graças às causas da dor, chamada de dor funcional. Em geral, movimentos são os responsáveis pelos quadros, e assim não causam lesões permanentes.

O primeiro motivo, e principal entre os pacientes da lombalgia, é a má postura. Manter-se por muito tempo na mesma posição, sentar-se de forma incorreta, curvar a coluna, não oferecer apoio aos pés, deitar de bruços ou sem suporte para pescoço ou pernas, e tensionamento das costas são os fatores responsáveis pela maior incidência do problema.

A sobrecarga das costas é da mesma forma perigosa. No trabalho, realizar levantamento de peso sem flexão dos joelhos, com movimentos repetitivos ou que envolvam a torção frequente da coluna, podem contribuir para o surgimento da lombalgia. A sobrecarga também em mochila e bolsas causa igual fadiga muscular.

Situações de sobrepeso ou obesidade são também condições de risco. Responsável pelo apoio do tronco, a região é preparada durante a fase de crescimento do corpo para sustentar carga específica. Se obrigada a apoiar pesos maiores, a coluna sofre tensão demasiada, maior impacto, e os movimentos exigem mais da área. Por isso, é comum a incidência de dor em indivíduos acima do peso.

Com a idade, a situação pode se tornar ainda mais comum. A resistência das vértebras reduz, assim como a elasticidade e tônus muscular, e promovem condições propícias às dores.

Com a lombalgia, ocorrem outros efeitos sobre o corpo humano. Acrescido à dor nas costas, o indivíduo acaba sentindo tensão na base do pescoço e dores nos ombros, braços e pernas, como se uma sensação de cansaço tomasse conta de todo o tronco.

CAUSAS DA LOMBALGIA CRÔNICA

A dor lombar crônica é aquela que, além do incômodo no fim das costas, provoca alterações na estrutura da coluna vertebral. Estas alterações são a causa da dor e/ou motivo para sua manutenção, o que significa que, enquanto não tratadas, provocarão padecimento do indivíduo.

Desta forma, doenças e problemas que atingem as vértebras, comumente, trazem associadas a lombalgia. Elas são as mais variadas, e demandam atenção ainda maior do paciente. Por isso, é preciso reconhecê-las e buscar atendimento o quanto antes. Como contam com sintomas subjacentes, torna-se mais fácil este reconhecimento.

Uma das primeiras causas da lombalgia crônica é a fissura do disco intervertebral.

O disco intervertebral está presente entre as vértebras e é composto por duas camadas, o núcleo pulposo e o ânulo fibroso. A parte interna do osso é o núcleo pulposo, enquanto o “anel” protetor deste núcleo é chamado fibroso, e conta com inúmeras terminações nervosas. Por isso, qualquer tipo de lesão na área provoca grande dor. Juntas, as partes amortecem na coluna os impactos produzidos pelo movimento corporal.

Seja pela degeneração natural da área, ou devido a algum impacto, o disco invertebral pode sofrer fissuras ou rupturas. Somada à dor nas costas, o paciente acometido percebe irradiação do incômodo para os outros membros.

Quando não por degeneração, é comum também que o indivíduo consiga apontar exatamente o momento do rompimento do disco. Isso porque, na situação, ele sente travamento da coluna, seguida da pontada inicial de dor.

Com tratamento específico, o problema tem bom prognóstico e cicatriza rapidamente.

A hérnia de disco é outra causa recorrente das dores nas costas. O transtorno também é ligado aos discos e núcleos das vértebras, e provoca a compressão da base nervosa da coluna. Suas causas são traumas por impacto ou exercícios repetitivos, sedentarismo ou degeneração pela idade.

Existem três tipos de hérnia: a extrusa, protusa e sequestrada. A Hérnia Extrusa acontece por escapamento do núcleo pulposo. Ou seja, por meio de uma fissura no disco, o “líquido gelatinoso” do núcleo se expande para fora do disco.

O primeiro efeito deste processo é o achatamento do disco, diminuindo seu volume. Em seguida, o “gel” liberado provoca pressão nas raízes nervosas da coluna, causando dor e alterações na força sensibilidade de membros como coxa, pernas e pé.

Já a chamada Protusa é um reflexo do alargamento do disco da vértebra, que mantém o núcleo pulposo em seu centro, mas da mesma forma pressiona as áreas nervosas das costas.

Por último, há a chamada hérnia sequestrada. Nela, tanto o rompimento da parede do disco, quanto vazamento do “gel” do núcleo ocorrem. O líquido, porém, migra para dentro do canal medular, ao invés de para o exterior dela. Além da pressão nervosa, a modalidade causa inflamação e dores muito mais fortes que as demais.

Segundo dados do IBGE, a hérnia de disco atinge 5,4 milhões de brasileiros. A doença não tem cura, mas quando tratada oferece ótimas condições de vida ao paciente. Em casos mais extremos, é requisitada a cirurgia corretiva.

Outro fator responsável pela lombalgia é a dor ciática. O ciático é o nervo que conecta a coluna vertebral aos pés, e assim garante a mobilidade dos membros desde o nascimento do indivíduo. Quando algum tipo de inflamação ou impacto ocorre na região, os discos que envolvem o tendão se rompem e liberam o núcleo pulposo da coluna.

Daí, surgem diversos efeitos. A pressão do nervo provoca dor, tanto nas costas, quanto nas pernas, em forma de queimação ou agulhadas. É recorrente que os sintomas ocorram em apenas um lado do corpo. Outros sinais são a redução dos reflexos dos membros atingidos e perda de sensibilidade nas regiões.

Já a estenose espinal é caracterizada por outro tipo de alteração. A doença ocorre quando a coluna vertebral se estreita e pressiona o nervo ciático e as demais terminações nervosas. Além da dor costumeira, o paciente afetado sente dormência, cólicas e fraqueza nos membros.

Quando há curvaturas diferentes na coluna, dores lombares também são possíveis. Como em ocorrências de escoliose, desvio da coluna vertebral que a direciona para o lado. A curvatura geralmente apresenta forma de C ou S.

Nesta condição, ainda existem, por exemplo, cifose e lordose. Citando problemas degenerativos, existem a artrite, espondilite (inflamação das articulações entre as vértebras), fibromialgia (sensibilidade nos músculos, tendões e articulações) e outras.

Por último, problemas em outras regiões do corpo também causam dor na lombar. Doenças nos rins, endometriose e até mesmo casos de câncer contam com o sintoma.

LOMBALGIA NA GRAVIDEZ E NO ESPORTE

dor-lombarMesmo que atinja a todos os públicos, existem dois grupos com maior fator de risco para a lombalgia: atletas e gestantes.

O impacto muscular para quem pratica esportes é muito maior que o usual. Sujeito a movimentos mais bruscos e repetitivos, o atleta acaba por desgastar pouco mais músculos e vértebras, o que pode causar distensões e dores.

Isso não significa, porém, que o esporte deve deixar de ser praticado. Ao contrário: ele é mais que essencial à qualidade de vida dos indivíduos. Para aqueles que praticam atividades continuamente e de grande performance, entretanto, é preciso tomar precauções diferentes. O treinamento correto e com acompanhamento de um especialista é algo essencial.

Nas grávidas, as dores lombares acontecem por motivos bastante diferentes. Inicialmente, o fator responsável é o peso “extra” que a futura mamãe carrega. A coluna é obrigada a suportar carga maior que a habitual, e mesmo o reflexo da mulher em “jogar o peso para trás”, curvando as costas, gera algum impacto.

Outra característica percebida é o aumento de hormônios como Relaxina e o Estrógeno durante a gestação. Os tecidos conjuntivos e ligamentos de seu corpo, então, são afrouxados, o que igualmente requisita maior trabalho da coluna.

OUTROS FATORES DE RISCO

Para algumas causas de lombalgia, como a artrite autoimune (Espondilite), o fator hereditário é central. Assim, caso haja na família situações de dores lombares, é possível que o indivíduo desenvolva o problema ao longo da vida.

Características de saúde mental, como a ansiedade, também podem provocar os incômodos. Com sensação de estafa e tensão do corpo, o paciente desenvolve o sintoma ou o percebe de forma mais intensa.

Afora estes, existe ainda a questão do condicionamento físico. O indivíduo sedentário apresenta fraqueza nos músculos e pouca flexibilidade. Assim, movimentos mais bruscos ou que demandam em demasia  do corpo acabam por provocar lombalgia, muito mais que em pessoas que praticam atividades continuamente.

Finalmente, o uso do salto alto pelas mulheres provoca da mesma forma a pressão na região final das costas. O efeito é resultado do esforço realizado para “manter-se no salto”, com o corpo ereto, o que exige maior força da área lombar.

Além desta peculiaridade, o apoio dos pés é comprometido. Ao invés de no chão, o ideal, as plantas do corpo ficam suspensas pelo salto. A demanda por apoio sustenta o corpo na ponta dos pés, que por sua vez recorrem à coluna para apoio.

DIAGNÓSTICO DO PROBLEMA

Como possui as mais variadas causas, a dor lombar exige diversos métodos para seu diagnóstico correto. Por isso, a visita ao consultório médico é tão importante. Somente o profissional conseguirá apontar o motivo do problema, e o consequente tratamento eficaz.

A primeira etapa do diagnóstico, e bastante importante, é a conversa com o médico. Explicar ao profissional o período de início das dores, momentos em que ela se torna mais intensa e sintomas associados dará a ele base para considerar as alternativas causais.

Em seguida, o exame clínico analisa a postura do paciente, capacidade de movimento do indivíduo mesmo com as dores, e sua força muscular. Os reflexos do corpo a cada pontada de dor, espasmos musculares e a localização exata do incômodo são igualmente verificados.

As características indicam, logo de cara, se a dor é mecânica ou inflamatória. A particularidade é percebida do seguinte modo: quando é mecânico, o incômodo diminui sempre que o indivíduo se encontra em repouso. Por outro lado, quando há algum tipo de inflamação, seja no músculo, seja no osso, o movimento do corpo irradia dor mais fraca no paciente.

A análise da irradiação da dor é outro método utilizado, essencial para conhecer as áreas afetadas por ela, e que efeitos colaterais podem ocorrer.

A medição dos membros inferiores, ou seja, as pernas, é realizada por meio de um equipamento nivelador. Afinal, quando há diferença de tamanho entre as pernas do paciente, é possível que ele demande pouco mais da coluna, causando as dores lombares.

Já os exames de imagem são quase praxe no diagnóstico. A radiografia, por exemplo, visualiza a possibilidade de fraturas ou mudanças na coluna, mostrando as estruturas ósseas em detalhes.

Mas não apenas o conhecido raio-X é solicitado. A tomografia computadorizada é pouco mais avançada, e consegue distinguir melhor as vértebras e demais componentes da coluna vertebral. Ela é utilizada para percepção de tumores, rompimentos de discos, estenose espinal e outras doenças associadas.

Por sua vez, a ressonância magnética produz imagens de todos os tecidos da região lombar, incluindo ossos, músculos, ligamentos e mesmo vasos sanguíneos. Ela geralmente é associada à tomografia computadorizada, uma vez que esta última provavelmente terá apontado preliminarmente uma condição mais grave causadora da lombalgia.

Quando há suspeita de compressão de nervos ou de hérnia de disco, a eletroneuromiografia é o exame mais indicado. Por meio de cargas eletroeletrônicas, a atividade elétrica do músculo é medida, analisando a eficácia da condução de impulsos nervosos pelo corpo. Normalmente, é detectada ou não a fraqueza muscular. O procedimento é minimamente invasivo, e requer a inserção de finas agulhas no tecido do músculo.

Outro exame que pode ser solicitado para diagnóstico correto é a densitometria, que verifica a quantidade de osso nas diferentes partes do esqueleto. Isso significa que a densidade óssea do indivíduo é verificada, percebendo ou não a presença da osteoporose. A condição de osteoporose costuma ser fator de risco para fraturas, que também causariam dores na região lombar.

POSTURA: VILÃ E “MOCINHA”

dor-lombarEm geral, o tratamento para dores lombares inclui medidas simples, como a correção da coluna e o uso medicamentoso. Nestas ações, excluindo a utilização contínua de remédios, pode-se apontar que todas as medidas funcionam também como prevenção dos problemas. Em sua maioria, os meios, chamados conservadores, garantem, afinal, boa qualidade de vida do indivíduo.

A manutenção da boa postura é um dos pontos mais destacados por especialistas, especialmente na maneira de sentar.

É sempre importante sentar em cadeira com encosto confortável, mantendo a coluna ereta. Apoiar os pés no  chão, ou em suporte próprio ou mesmo numa pilha de livros, é da mesma forma importante, pois balanceia o apoio de todos os membros do corpo e elimina a necessidade de desgaste da coluna para tal.

É interessante ainda utilizar suporte lombar na cadeira. Sentado, basta inserir um rolo lombar ou uma toalha enrolada na altura da terceira vértebra lombar, ou seja, quase ao fim da coluna. O apoio ajuda na manutenção da boa postura.

No trabalho diário, caso ele aconteça de frente ao computador, mantenha a tela do equipamento na altura dos olhos. Uma postura que exija o pescoço abaixado é veementemente descartada. Seja para computador fixo ou notebook, insira objeto que eleve a altura da tela.

Ao telefone, evite manter o pescoço inclinado. Segurar o gancho do aparelho com a mão evitará tensão no pescoço, assim como posição torta da coluna. Manter os braços também apoiados é identicamente importante, de preferência sobre apoio da cadeira ou da própria mesa de trabalho.

Caso seu trabalho envolva o carregamento de peso, atente-se à posição correta de elevação da carga. Nunca se abaixe sem flexionar os joelhos, nem mantenha os braços retos no transporte – eles também devem ser flexionados. O método garantirá que a região lombar não seja exigida de forma demasiada, assim como permitirá que você eleve apenas a carga que seu corpo está preparado a suportar.

Os mesmos cuidados devem ser tomados em atividades domésticas. A flexão de braços e pernas precisa ser associada à manutenção da posição ereta, principalmente nos momentos de limpeza do chão. Utilizando aspirador de pó ou vassoura, certifique-se de não curvar a coluna. Caso seja necessário limpar cantos ou debaixo dos móveis, escolha agachar com os joelhos flexionados.  

Ao passar roupa, monte a mesa com altura suficiente para que consiga manter a postura ereta. Já para calçar um sapato, sente-se e levante o pé, ao invés de se inclinar ao chão.

Na hora de dormir, eleja travesseiro que tenha a altura exata da medida entre sua cabeça e ombro, permitindo apoio confortável. A posição ideal na cama é de lado, com uma almofada entre as pernas. O suporte mantém a coluna a mais ereta possível, evitando dores aos “dormir de mau jeito”, por exemplo. Entre todas as posições, dormir de bruços é a pior, uma vez que provoca curvas na região lombar.

Na direção do carro, também é fundamental ter atenção à postura. Considerando todo o estresse que a atividade já causa, devido ao trânsito das grandes cidades, é ótimo prevenir um novo problema. Assim, regule a distância do banco de forma que seus pés alcancem facilmente os pedais. O ideal é que os joelhos fiquem flexionados, mas sem encostar-se à parte inferior do volante.

Da mesma forma, os braços devem ficar relaxados, flexionados e confortáveis. A posição vai eliminar qualquer possibilidade de tensão do pescoço e coluna durante a condução.

Um quesito nem sempre lembrado, mas fator de risco para dores lombares, é a mochila. Prática, ela é uma das preferidas principalmente entre estudantes. Não regulada e com peso excessivo, porém, ela só trará malefícios. Por isso, é sempre importante utilizar ambas as alças da bolsa para seu transporte. Posicione-a também corretamente, com a parte inferior da mochila alcançando até, no máximo, o fim da coluna. Caso os objetos a serem carregados deixem a mochila pesada em excesso, prefira carregar algumas peças na mão, avulsas ou em uma pasta.

Ao utilizar o smartphone, cuidado para não manter o pescoço abaixado por muito tempo. A tensão na área poderá também afetar a região lombar.

CORRIJA A POSTURA!

Sendo tão importante, a postura precisa ser trabalhada e cuidada ao longo da vida, para que em poucos momentos as posições incorretas causem dores. Por isso, existem técnicas e exercícios que podem auxiliar na manutenção da coluna ereta. Eles funcionam tanto para prevenção, quanto para o tratamento da lombalgia.

A primeira técnica é chamada Reconstrução Músculo-Articular da Coluna Vertebral (RMA). Realizada como uma série de exercícios fisioterapêuticos, a técnica promove o fortalecimento dos músculos, reeducação da postura e a diminuição da compressão dos nervos da coluna, que provocam dores em situações de hérnia de disco, por exemplo.

Fazer alongamento lombar diariamente é outra dica. Mesmo que não vá realizar nenhuma atividade física, o paciente pode promover o relaxamento dos músculos e, consequentemente, da tensão do corpo. O resultado é a menor ocorrência de quadros de dor.

Para tal, é possível realizar os alongamentos básicos. Contando até dez, segure cada braço por trás da cabeça, encostando a mão no pescoço e formando um triângulo com o cotovelo, direcionando-o para cima. Utilize os mesmos princípios para segurar os braços, um de cada vez, a frente do corpo, agarrando com a mão o pescoço do lado oposto ao braço.

Com as pernas, experimente suspender o pé segurando-o pela parte de trás do corpo, mantendo cada um encostado próximo às nádegas.

Pelo mesmo período dos outros exercícios, segure o pescoço para um lado e para o outro, esticando-o.

Para alongamento da coluna, é indicado deitar no chão de costas, mantendo pernas esticadas. Em seguida, é preciso levantar o joelho direito e passar a perna por cima do corpo, posicionando-a no chão ao lado esquerdo do corpo. Mantendo a posição por vinte segundos, basta trocar o joelho e a posição da perna, realizado o exercício novamente.

Por último, um grande aliado da boa postura é o Pilates. A prática física, com mais de 500 exercícios, pode ser praticada no chão, com o auxílio de bola elástica ou ainda de outros aparelhos. A técnica fortalece os músculos, melhora a estabilidade do corpo e promove sua flexibilidade.

OUTROS TRATAMENTOS E PREVENÇÕES

dor-lombarA realização de outras práticas físicas, além do Pilates, é outra recomendação de especialistas. Fundamental para a manutenção da saúde em qualquer época da vida, o exercício pode acontecer até mesmo por pequenas atividades do dia a dia, como subir e descer escadas ou caminhar até o restaurante no horário de almoço, diminuindo o sedentarismo.

Em geral, é indicada a realização de atividade física pelo menos três vezes por semana. Exercícios como natação, musculação, Ioga e ginástica são ótimas alternativas para melhora do tônus dos músculos.

É essencial, entretanto, nunca realizar atividades físicas sem o aconselhamento de um médico e profissional de Educação Física. Mesmo que prefira realizar caminhada ou corrida, fora de uma academia, é importante que você conheça quais as aptidões físicas e limites do seu corpo. Do contrário, podem ocorrer situações de estiramento muscular, fissura dos ossos, mal estar e outros efeitos maléficos.

Outro passo para a prevenção é manter a qualidade de vida, evitando o tabaco e realizando alimentação saudável diariamente.

Para o alívio das dores lombares, opte pela aplicação de compressas quentes ou de gelo na área afetada. Massagens locais são igualmente eficazes para tal. Ao fim, a acupuntura ainda pode tratar a lombalgia, promovendo relaxamento da musculatura e do estresse.

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