Estenose lombar

Ao longo dos anos, uma série de doenças pode se desenvolver na coluna vertebral. Afinal, é ela que funciona como suporte do corpo, mantendo-o ereto e permitindo os mais diversos movimentos. Logo, isso a torna sujeita ao desgaste e a problemas. Uma das ocorrências mais comuns, então, é a estenose lombar. Você conhece a doença?

Estenose lombar: o que é?

estenose-lombarA coluna vertebral é uma estrutura importante do corpo. No entanto, ela é “apenas” a porção de osso e cartilagens das costas: o que realmente faz a ligação entre cérebro e membros é a medula espinhal e outros nervos. Eles ficam localizados no interior do canal vertebral, protegidos pelas estruturas “duras” (os ossos) da coluna.

A estenose acontece, então, quando o canal vertebral é estreitado. Uma série de fatores pode levar a essa diminuição do espaço. Quando a situação ocorre, no entanto, o resultado é sempre o mesmo: o pressionamento dos nervos da região. Logo, o recebimento de pulsos nervosos fica prejudicado, assim como surgem sintomas incômodos.

A ocorrência do problema é de aproximadamente 150 mil novos casos anuais, isso apenas no Brasil. São dois os tipos de estenose espinhal:  a estenose cervical e a estenose lombar. Elas se diferenciam mais pela localização do que pelos sintomas. A estenose cervical é a que acontece na altura do pescoço, enquanto a lombar afeta a região ao fim das costas.

O incômodo na lombar é muito mais comum que a primeira, mas a condição na cervical é mais perigosa. Isso uma vez que ao ter o canal estreitado nessa região, o indivíduo tem diminuída a transmissão nervosa logo no início da coluna. A situação pode provocar problemas por todo o resto do corpo.

Artrite: causa principal

Na maioria dos casos de estenose lombar, as causas dizem respeito ao desgaste das estruturas da coluna. Vértebras, discos vertebrais, ligamentos da região. Assim, a doença costuma acontecer mais frequentemente em pessoas com idade a partir de 60 anos. Isso uma vez que a coluna, ao longo do tempo, se desgasta naturalmente. Logo, quanto maior o tempo de vida do indivíduo, maior o desgaste da coluna.

No entanto, existem doenças que aceleram essa degeneração, ou que então são causadas por ela. Como consequência, o canal medular perde espaço, dando origem à estenose. Dentre as causas mais frequentes do problema está a artrite.

A artrite é uma doença caracterizada pela degeneração das articulações do corpo. Quando ocorre na coluna vertebral, a doença pode provocar o desgaste acelerado da estrutura. Isso gera uma série de repercussões, que então pressionam o canal espinha.

A primeira repercussão é a compressão exagerada da área lombar. A situação acontece porque, uma vez sem discos “inteiros”, a coluna busca o melhor jeito de se sustentar. A pressão exagerada acaba por comprimir o canal.

O processo funciona como um efeito dominó: ao sustentar mais peso, a coluna é pressionada. Em seguida, pressiona o canal medular, que então pressiona os nervos e dá origem aos sintomas da estenose lombar.

Outro efeito da artrite é a doença conhecida por bico-de-papagaio. Ela ocorre porque, com as estruturas desgastadas, o corpo tenta compensar a ausência de apoio e cria novos ossos. Esses ossos crescem de forma exagerada e desordenada, dando origem a esporas. Essas esporas, então, reduzem o espaço do canal.

Mais fatores causais

Uma resposta adicional à artrite na parte inferior das costas é o aumento de tamanho dos ligamentos localizados ao redor das articulações. Isso também diminui o espaço para os nervos. Os sintomas dolorosos surgem a partir do momento em que o espaço se torna pequeno o suficiente para irritar os nervos espinhais.

A degeneração dos discos vertebrais é a segunda causa mais comum do problema. Os discos ficam localizados entre uma vértebra e outra do corpo, e servem como amortecedores naturais da espinha. Ou seja, a cada movimento impedem que os ossos vertebrais se choquem. Caso isso ocorresse, os indivíduos sentiriam dor constante, além de terem os ossos esfacelados mais rapidamente.

O desgaste do disco vertebral ocorre quando seu núcleo, chamado de pulposo, deixa seu local original. Dessa forma, o “gel” tenta escapar do interior do osso, e dá ao disco uma forma mais achatada. Essa nova forma é que pressiona a coluna.

Circunstâncias mais raras também podem levar ao estreitamento do canal espinhal. Como uma infecção, tumor e doenças como a artrose e a espondilolistese (em que uma vértebra “escorrega” sobre a outra). Uma doença metabólica (como a doença de Paget), a complicação de uma cirurgia nas costas e até um trauma externo também podem levar ao desenvolvimento da condição.

Outro grupo que frequentemente apresenta a doença é aquele que possui defeitos congênitos. Um defeito congênito é algo já existente no nascimento. Nesse caso, ele pode corresponder a uma má formação da coluna, ou à predisposição a um desgaste acelerado. Quando sujeito à estenose por essa condição, o indivíduo costuma notar os primeiros sintomas a partir dos trinta anos de idade.

Sintomas comuns

estenose-lombarA dor na região lombar é o sintoma mais característico da estenose lombar. Afinal, com a diminuição do espaço do canal espinhal os nervos da área são pressionados. Como os nervos são os responsáveis pelas sensações do corpo, essa compressão causa grande desconforto.

Esse sinal, no entanto, nem sempre ganha a devida atenção. A razão disso é que a dor nas costas pode ser causada por uma infinidade de doenças, mas também por simples cansaço, estresse ou maus hábitos. Em alguns casos de estenose, a dor na coluna nem sequer aparece! Deste modo, para perceber a existência do estreitamento é necessário verificar alguns sintomas associados.

O primeiro indício é a irradiação da dor. Quem sofre de estenose lombar pode perceber a difusão da dor para as nádegas e coxas. O incômodo é muito semelhante ao sentido nos casos de inflamação do nervo ciático. A sensação é de queimação intensa.

Costuma ocorrer ainda o entorpecimento das costas e dos membros inferiores, assim como o formigamento dessas áreas.  Quando o indivíduo permanece sentado ou com o corpo inclinado para frente, todas essas sensações tendem a diminuir. Isso porque, nessas posições o canal espinhal é menos pressionado, o espaço disponível aumenta e os nervos ficam mais “livres”. Por esse mesmo motivo, a dor normalmente aumenta quando o paciente permanece em pé, pois o corpo demanda muito da coluna para se manter nessa posição. Tal qual quando realiza movimentos bruscos.

Em casos mais raros, a estenose pode levar à compressão da chamada cauda equina. A cauda é um feixe de nervos presente no fim da lombar. Se comprimidos, esses nervos podem causar anestesia dos membros inferiores e incontinência urinária e intestinal, entre outras condições. Neste caso, a situação se torna uma emergência médica, ou seja, o indivíduo deve rapidamente procurar o hospital.

Diagnóstico da estenose lombar

Como já citado, muitas pessoas tendem a ignorar a ocorrência da dor na lombar. Tomando-a como algo esporádico, fruto do cansaço, o indivíduo apenas faz o uso de um analgésico. Não há grande problema nessa prática se a dor é rara e se desaparece em poucos dias. Por outro lado, se o sintoma é recorrente e permanece por pelo menos uma semana, é fundamental procurar um médico. Isso porque o sinal pode indicar bem mais que um cansaço momentâneo: pode existir uma estenose lombar!

No consultório médico, o especialista vai buscar primeiro entender o quadro geral do paciente. Para isso, ele fará perguntas como: quais são seus sintomas? Quando eles surgiram? Há algo que aumente ou diminua a dor? Você já conviveu com algum problema na coluna? Você possui algum familiar que tem ou já teve problema na coluna? Como são seus hábitos alimentares? Em que postura você costuma manter sua coluna?

Essas informações indicarão, por exemplo, se há alguma doença hereditária em seu grupo familiar, doença essa que possa afetar a coluna vertebral. Vai indicar também se o indivíduo mantém hábitos que o colocam no grupo de risco ao desenvolvimento de doenças na espinha.

Depois de discutir esses dados com o médico, o paciente vai passar por testes clínicos. Nessa etapa, o especialista realiza pressão sobre a área da lombar, e assim pode verificar alterações. Com o método, verifica também as reações do paciente, inclusive em relação ao aumento ou não da dor.

Exames de imagem

De modo complementar, ele realiza ainda o chamado Teste de Lasègue, que analisa o nervo ciático. No procedimento, as pernas são testadas para análise da força, sensibilidade, reflexos e amplitude de movimento. O mesmo para quadris e joelhos. Considerando que a estenose causa pressão dos nervos que comandam essas áreas, o teste é fundamental para constatação das consequências da doença.

No entanto, nenhum diagnóstico da estenose está completo se não forem realizados exames de imagem. Os testes vão permitir ao médico verificar melhor a área de pressionamento dos nervos, tal qual a causa do problema.

Dessa forma, o primeiro teste de imagem indicado é o raio X. Por meio dele, é possível visualizar o esqueleto do paciente, incluindo inclusive o desgaste ou alterações na formação original dos ossos.

Já a ressonância magnética permite avaliar melhor os chamados “tecidos moles”, como nervos, músculos e discos vertebrais. O mesmo faz a tomografia computadorizada, mas de modo ainda mais perceptível. A imagem clara dá segurança ao diagnóstico.

Tratamento não invasivo

estenose-lombarCom a estenose lombar diagnosticada, o médico vai poder indicar o tratamento mais adequado ao problema. Na maior parte das vezes, a terapia é realizada por meios não invasivos, ou seja, que não demandam cirurgia. É importante destacar, no entanto, que normalmente esse tipo de tratamento não elimina o agente causador, mas diminui os sintomas e melhora a qualidade de vida do indivíduo.

O primeiro método utilizado nesse caso é a fisioterapia. Com exercícios desenvolvidos de acordo com o quadro de cada paciente, a técnica melhora a postura e a sustentação do corpo. Isso é importante porque, quando mantém a postura correta, o indivíduo pressiona menos a lombar. Quanto menos pressão, menos dor. Para a sustentação do corpo, são trabalhados exercícios que fortalecem a musculatura das costas.

A realização de exercícios físicos para o tratamento é igualmente interessante. No entanto, considerando que já há uma lesão presente, o sujeito precisa ter cuidado dobrado. Ou seja, a atividade física deve ser leve e, mais importante, recomendada pelo médico. Apenas em conversa com o especialista é possível definir um esporte que vai melhorar, e não prejudicar o quadro já existente de doença.

Outra indicação é pelo uso de remédios anti-inflamatórios e analgésicos. As substâncias conseguem diminuir os sintomas, e assim evitam que o paciente tenha seu dia a dia prejudicado. O uso dos medicamentos, porém, deve ser feito de acordo com a prescrição médica. Isso quer dizer que é fundamental seguir as dosagens corretas e os tempos indicados para utilização. Tomar um remédio a mais ou a menos pode acabar por intensificar a estenose, ou ainda facilitar o surgimento de doenças estomacais, como a gastrite.

Métodos “alternativos”

Dependendo da intensidade dos sintomas, o médico também pode indicar injeções de esteroides. A substância anti-inflamatória é aplicada ao redor dos nervos ou do canal vertebral. O efeito é analgésico, diminuindo consideravelmente a dor. A utilização deve ser de apenas três injeções anuais, no máximo.

Uma técnica também utilizada é a acupuntura. Ela é realizada por meio da inserção de pequenas agulhas na pele, nas áreas onde há dor. Com isso, consegue diminuir os sintomas e promover o relaxamento do corpo.

Apenas para alívio da dor, é interessante ainda posicionar sobre as costas bolsa de água quente ou gelada. A alternativa relaxa e propicia a sensação de alívio.

Tratamento cirúrgico

Quando o tratamento invasivo não dá resultado, ou ainda quando o quadro é grave, a alternativa é a cirurgia. Os procedimentos são realizados para eliminar a causa da compressão da medula, sendo que o mais comum é a laminectomia.

A laminectomia funciona por meio da remoção do osso, ligamentos ou esporão ósseo que esteja comprimindo o canal vertebral. Ela pode ser realizada como uma cirurgia aberta, com uma incisão maior, ou então como um método minimamente invasivo. Nesse último caso, o paciente tem apenas pequenas incisões realizadas no corpo, enquanto o médico se guia pela visualização num monitor. As imagens que chegam a este monitor são oferecidas por meio de um microscópio, inserido no organismo por uma das incisões da cirurgia.

Já na foraminotomia, é realizada a retirada do forame. O forame é a região onde as raízes nervosas saem do canal espinhal. Uma vez retirado, o feixe libera espaço no canal dos nervos, descomprimindo o espaço. Essa técnica pode ser realizada sozinha, ou então em associação à laminotomia.

Quando a faceta articular é retirada, o resultado é o mesmo. Aqui, a cirurgia é chamada de facetectomia medial, e remove pequenas articulações que conectam as vértebras à coluna.

Além desses, há o procedimento conhecido como descompressão indireta. Nele, um pequeno dispositivo é colocado entre as vértebras, de modo a substituir um disco desgastado. O recurso alinha a coluna, diminuindo a pressão sobre a lombar.

Finalmente, há a possibilidade de realização da fusão espinhal, que liga duas ou mais vértebras de modo a estabilizar a espinha. Como limita parte dos movimentos da região fundida, a técnica costuma ser considerada como última opção ao tratamento.

O pós-cirúrgico

estenose-lombarIndependentemente do tipo de cirurgia realizado, existem pequenos riscos associados. Eles incluem infecção, sangramentos, coágulos, reação à anestesia e lesão no nervo. As complicações não são tão recorrentes, mas você pode se sentir mais tranquilo conversando com o médico antes do procedimento.

Os sintomas do paciente que passa por um procedimento geralmente são eliminados. Na maior parte dos casos, o dia a dia mantido antes da estenose pode ser retomado tranquilamente.

O tempo de recuperação total varia de acordo com a técnica utilizada. Quem realiza apenas a descompressão do canal costuma ficar no hospital por 24h, podendo voltar às atividades em apenas algumas semanas. Já quem passa pela fusão da coluna demanda um tempo pouco maior: aproximadamente cinco dias no hospital, com alguns meses para recuperação completa.

Para auxiliar esse processo de reabilitação, o médico costuma indicar, primeiro, o uso de cinta estabilizadora. A peça, semelhante a um espartilho, ajuda na movimentação, pois dá suporte à coluna no cotidiano. Ademais, o acessório consegue diminuir os efeitos de impactos sobre as costas, o que dá mais segurança ao paciente.

Outra indicação é pela fisioterapia. Os exercícios são muito semelhantes aos realizados num tratamento não invasivo. Com eles, o paciente busca fortalecer os músculos das costas, que ajudam no suporte da espinha. Busca também dar estabilidade e flexibilidade à coluna vertebral. O programa de atividades é individualizado, de acordo com o paciente, seu histórico de saúde e tipo de procedimento cirúrgico realizado.

Prevenção da estenose

Os principais métodos de prevenção da estenose dizem respeito ao cuidado com a coluna. Cuidado para que essa região não se desgaste tão rapidamente, e para que não sofra problemas que possam afetar o canal medular.

Dessa forma, é essencial ter atenção principalmente à postura adotada no cotidiano. O correto é que a postura se mantenha sempre ereta. Entretanto, não é incomum que mantenhamos as costas tortas ou curvadas. Por isso, tenha atenção ao se sentar: encoste sempre as costas na cadeira. Dê também apoio aos pés e aos braços pois, se ficarem “suspensos”, os membros também vão causar compressão da lombar.

Ao carregar peso, também deve haver cuidado. Para suspender um objeto do chão, o ideal é se abaixar flexionando os joelhos e deixando as costas eretas. Em seguida, é necessário levantar ainda com as costas eretas, e só então endireitar o corpo em pé.

Quanto menos houverem situações que comprimam a coluna, menor será seu desgaste e a chance de ocorrência da estenose ou outros problemas. Assim, até para dormir esse tipo de cautela deve existir. O melhor é dormir de lado, com a cabeça apoiada no travesseiro e uma almofada entre as pernas.

Além disso, é fundamental realizar atividades físicas. A prática de esportes faz bem para todo o corpo. Importante ainda manter uma alimentação balanceada, rica em fibras e vitaminas, e livre de gorduras. Evitar o consumo de alimentos industrializados é igualmente benéfico.

Por último, mantenha sua saúde mental em dia. Problemas como o estresse também são responsáveis por pressionar a coluna, e podem acabar gerando condições propícias à estenose lombar.

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