Protrusão Discal

protrusão-discalQuando problemas de saúde são parecidos é comum haver confusão entre os pacientes. “Afinal, o que eu tenho?” é uma dúvida habitual. Ainda mais quando os nomes dos problemas são igualmente parecidos. É o que ocorre, por exemplo, com a protrusão discal: você talvez nunca tenha ouvido falar nela. No entanto, com certeza conhece a hérnia de disco. E ambos os nomes significam algo muito semelhante!

Os discos vertebrais são estruturas fibrocartilaginosas que ficam localizadas entre as vértebras. A coluna humana possui 33 vértebras, e estes ossos são os responsáveis por permitir a mobilidade da espinha. Sem os discos, a cada movimento do corpo as vértebras se chocariam, causando desgaste e dor. Logo, os discos vertebrais funcionam como amortecedores de impactos, que impedem que as vértebras se encontrem diretamente.

Para funcionar adequadamente como amortecedor, o disco vertebral é formado por duas porções: o anel fibroso e o núcleo pulposo. O núcleo pulposo é uma estrutura esponjosa, semelhante a um gel, que absorve os impactos da espinha.

Protrusão discal versus hérnia de disco

Tão importante assim, o pulposo cria problemas quando se modifica. Quando ele escapa levemente do centro do núcleo, cria uma forma diferente do disco, mais oval do que deveria. No entanto, este gel permanece no centro, ou seja, não rompe a estrutura fibrosa. Neste caso, o ocorrido é chamado de protrusão discal.

Se esta condição evolui, e então o núcleo pulposo extravasa o centro do disco, surge então uma hérnia. Isso significa que a protrusão é o primeiro estágio de uma hérnia. Por isso, aliás, o primeiro tipo de herniação possível é chamado de hérnia protusa.

Na seguinte, quando o problema não é mais apenas uma protrusão, ele é nomeado como hérnia extrusa. No último estágio de um abaulamento, o núcleo rompe por completo a capa fibrocartilaginosa do disco, e passa a ocupar espaço no canal medular. Aqui, o problema é conhecido por hérnia sequestrada.

Logo, é possível dizer que toda hérnia de disco é uma protrusão, ou seja, uma saliência do núcleo pulposo, a modificação do espaço que ele ocupa. Na protrusão discal, a “capa” fibrosa do disco não se rompe, apenas se distende, tomando nova forma.

Sintomas da protrusão discal

Em estágios bastante iniciais, a protrusão de disco pode não provocar sintomas. Segundo estatísticas, cerca de 80% dos indivíduos no mundo possui uma protrusão discal, uma inflamação momentânea, que não apresenta sintomas. No entanto, se a protrusão evolui a ponto de pressionar os nervos da coluna, os sinais de sua existência passam a existir.

A coluna é uma parte fundamental para sustentação do tronco. Mais do que isso, ela abriga a medula espinhal e uma série de raízes nervosas que comandam o movimento das costas e membros como os braços e pernas. Afinal, estes nervos saem da espinha e se direcionam aos membros, realizando suas funções de comando. Logo, quando há alterações na estrutura da coluna, esta capacidade de movimento fica comprometida.

Quando o problema é uma protrusão discal, o disco estende sua forma, passa a ocupar um espaço que não deveria e a pressionar as raízes nervosas. Como reflexo, o indivíduo sente dor na região do disco prejudicado. Pode sentir também perda da força na área, perda de sensibilidade, formigamento, queimação e a sensação de que pernas e braços estão “pesados”. O paciente com este problema pode ainda perceber a sensação de instabilidade das costas e rigidez, principalmente matinal.

Por que a protrusão acontece?

protrusão-discalUma série de fatores pode levar ao desenvolvimento de uma protrusão discal. O primeiro deles é a idade: a coluna é a região do corpo responsável por sustentar o peso do indivíduo por toda a vida. Logo, ela “trabalha” bastante, e sofre impactos constantes. Por isso, com o passar dos anos, é normal que a espinha e todas as suas estruturas sofram um desgaste natural. Como a sola de um sapato, que após um longo período de uso torna-se mais fina e gasta.

Com este desgaste natural do discol, seu anel fibroso e núcleo vão se tornando mais frágeis. Isso permite as alterações na forma, mostrando o abaulamento da estrutura. É por este motivo que a protrusão de disco, e também a hérnia, são mais comuns em indivíduos a partir dos 40 anos.

Entretanto, é cada vez mais comum a ocorrência de problemas discais em grupos mais jovens. A causa principal é a manutenção da má postura da coluna no cotidiano. Pense: quantas vezes durante o dia você “se corrige”, endireitando a coluna após ela mostrar algum sinal de cansaço ou dor? Manter as costas curvadas ou tortas, principalmente em frente ao computador, é comum. Assim como durante o uso de dispositivos eletrônicos, como o smartphone.

Quando um indivíduo mantém a coluna “torta”, ele coloca sobre os discos uma pressão exagerada. Isso promove o desgaste mais rápido da estrutura, e por isso vem aumentando a ocorrência da protrusão nos jovens.

Além destas características, fatores genéticos também têm influência no desenvolvimento dos abaulamentos discais. O indivíduo que possui na família casos da protrusão tem maior chance de desenvolver o problema. Neste caso, é ainda mais importante ter atenção à postura, uma vez que mantê-la na posição incorreta pode acelerar o desgaste de suas estruturas.

Mais fatores causais

Outros hábitos ruins também têm espaço entre as causas da protrusão discal. Como a má alimentação. Se você se alimenta mal, primeiramente não oferece ao corpo todos os nutrientes necessários para manutenção de sua força. Somado a isso, você fica mais sujeito ao sobrepeso e à obesidade. Ambas as situações fazem com que a coluna trabalhe mais, pois ela terá que suportar mais do que foi preparada para tal. Por falta de nutrientes, ela não possui “força”. Com o peso acima do ideal, ela carrega mais do que deveria. Deste modo, a espinha fica sobrecarregada e se desgasta mais rapidamente.

O sedentarismo tem efeitos semelhantes. A realização de exercícios físicos garante o fortalecimento dos músculos, ajudando as costas a manterem a sustentação do tronco. O esporte ainda promove bem-estar geral do organismo, fundamental à saúde como um todo.

Finalmente, segundo pesquisas, o tabagismo da mesma forma aumenta a predisposição de um sujeito ao desgaste dos seus discos vertebrais. Tal qual o uso excessivo de medicamentos, o consumo de drogas e o consumo exagerado de álcool.

Diagnóstico do problema

Normalmente, o indivíduo com protrusão discal só procura um médico quando os sintomas aparecem. Afinal, a visita ao médico não é algo tão frequente na cultura brasileira. Além disso, se não houverem sinais dificilmente o médico vai solicitar exames que mostrariam a existência de uma alteração.

Logo que os sintomas surgem, no entanto, o médico irá basear seu diagnóstico em algumas fases. Primeiro, a conversa com o paciente. Neste bate-papo, ele fará perguntas como: quais seus sintomas? Quando eles surgiram? Há algo que melhore ou piore estes sinais? Você tomou algum medicamento sem prescrição recentemente? Há casos de problemas na coluna em pessoas da sua família? Se sim, quais problemas? Quais seus hábitos de vida? Você pratica atividades físicas? Como costuma ser sua postura?

Em seguida, o especialista pode realizar um exame físico. Fazendo pressão na área indicada como dolorida, ele procura perceber os reflexos do paciente a estes pequenos impactos. Verifica também a amplitude desde incômodo.

Para a definição, então, da localização exata e dimensão da protrusão, são realizados os exames de imagem. Exames como o raio X, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada. Com cada um dos resultados, o médico pode perceber melhor a evolução do abaulamento do disco, e só então analisar o tratamento mais eficaz à condição.

Não adie a visita ao médico!

protrusão-discalDores nas costas são comuns, exatamente pela grande carga que a região é responsável por sustentar. Também pelos constantes movimentos com a coluna, principalmente se eles forem bruscos, ou se o indivíduo trabalha com o carregamento de peso ou vive impactos diretos nessa área. Mas não é porque são consideradas comuns que essas dores devem ser ignoradas. Se recorrente, é possível que a dor seja o sinal de um problema preocupante.

Quando o problema é uma protrusão discal, o perigo em adiar a consulta ao médico é ainda maior. Isso porque a protrusão é o primeiro estágio de uma hérnia de disco. A herniação acontece quando o núcleo pulposo de um disco já está sendo quase extravasado, ou então se extravasou. Nestas condições, os sintomas são mais fortes, e as consequências também. Afinal, quanto maior o abaulamento da estrutura, maior a chance dele pressionar raízes nervosas, e maiores os riscos de perda de sensibilidade.

Uma dor nas costas comum, ou seja, uma inflamação aguda e momentânea, pode durar entre dois e três dias. Quando o sintoma dura mais que este período, ele provavelmente é sinal de algo maior. Quanto mais grave o estágio de um abaulamento, mais difícil costuma ser para tratar a alteração. Mais longo também o processo de cura.

Fundamental destacar ainda que o uso de analgésicos e anti-inflamatórios sem prescrição médica pode mascarar a intensidade dos sintomas. Deste modo, caso você perceba uma constância no uso destes medicamentos, interrompa esta utilização e verifique o real sintoma existente. Em seguida, procure um médico para verificar a causa destes sinais.

Tratamentos conservadores

Dependendo da gravidade da protrusão discal, o indivíduo pode ter sucesso em tratá-las apenas com as chamadas “terapias conservadoras”. As terapias conservadoras consistem em técnicas que visam, com métodos não invasivos, diminuir os sintomas e eliminar as causas da doença, evitando que ela continue a acontecer.

Desta forma, a primeira possibilidade de tratamento indicada pelo médico é o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Com base no diagnóstico, o especialista pode indicar substâncias mais eficazes e prescrever o tempo exato de uso para a terapia.

Associada aos remédios, geralmente é indicada também a realização da fisioterapia. No consultório, fisioterapeuta e paciente realizam exercícios diversos para a coluna. As atividades têm como objetivo a manutenção da flexibilidade das costas e o fortalecimento dos músculos que lhe dão sustentação. É interessante também realizar a Reeducação Postural Global (RPG), uma série de exercícios que trabalha a correção da postura. Quando a postura da espinha volta ao normal, o abaulamento tende a não mais pressionar as raízes nervosas, eliminando os sintomas do problema discal.

Vida saudável, coluna saudável

A mudança de hábito é igualmente importante para o tratamento. O indivíduo com protrusão discal deve, por exemplo, iniciar a realização de exercícios físicos específicos. Exercícios estes que ajudarão no fortalecimento das costas, melhorando a capacidade de sustentação do tronco. O esporte é importante ainda para a manutenção do peso ideal do corpo, evitando assim que o indivíduo chegue à obesidade e então exija demais de sua coluna.

As atividades físicas, no entanto, devem ser indicadas e supervisionadas por um médico, fisioterapeuta e profissional de Educação Física. Todos estes poderão analisar frequentemente os efeitos do exercício no corpo e, mais especificamente, sobre a lesão na coluna. Caso o abaulamento sofra impactos extremos, ele pode aumentar, e por isso a necessidade de cuidado.

Dentre os exercícios físicos indicados, um dos mais interessantes costuma ser o Pilates. O Pilates é um método composto por uma série de exercícios e alongamentos, que auxiliam na força e flexibilidade do corpo. Ele também auxilia na reeducação da postura.

Existe ainda a possibilidade das chamadas terapias “alternativas”, que sozinhas não curam a protrusão, mas podem auxiliar na diminuição dos sintomas. Uma delas é a Terapia Por Ondas Mecânicas Extracorpóreas, que aplica ondas relaxantes nos músculos da região inflamada.

A acupuntura tem o mesmo poder, mas realiza o relaxamento e diminuição da dor por meio da inserção de finas agulhas na pele. Assim como a osteopatia, uma terapia que auxilia na descompressão dos nervos e na liberação de substância anti-inflamatórias pelo próprio organismo.

A cirurgia é necessária?

protrusão-discalO uso da cirurgia para cura de uma protrusão discal não é muito comum. Afinal, a condição é um estágio mais “brando” da hérnia, e não costuma ter tamanha dificuldade de tratamento pelos métodos conservadores. Porém, caso os tratamentos não invasivos não funcionem, realizar um procedimento cirúrgico pode ser necessário.

A cirurgia normalmente é indicada pelo médico se, após três a seis meses do início tratamento, o indivíduo não apresenta melhora considerável. A operação realizada pode, primeiro, ser tradicional, em que há a abertura da pele do paciente para a manipulação do disco.

A segunda alternativa, e mais utilizada, é a de cirurgia minimamente invasiva, em que o paciente sofre apenas algumas incisões na pele. Para realização do procedimento, então, um microscópio e os itens cirúrgicos são inseridos no organismo por meio destas incisões. O médico se guia na operação por meio de um monitor de vídeo.

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