Será que é hérnia de disco? Conheça os sintomas

hérnia-de-discoExistem diversas causas para dores na região da coluna. Um impacto, um movimento brusco, doenças como a lombalgia e a hérnia de disco. Destas, a hérnia é uma das mais desgastantes para o corpo. Afinal, há casos em que a cura do problema passa pela cirurgia, enquanto o tratamento não invasivo busca manter a qualidade de vida do paciente. Mas você sabe diferenciar a doença de outros incômodos? Conheça os sintomas e descubra se seu problema é hérnia!

Sintomas

Os sintomas da hérnia de disco variam de acordo com a área lesionada da coluna e o tipo da herniação. Um sinal, entretanto, é comum à maioria das  situações: a dor nas costas. Habitualmente, o incômodo é crônico e costuma vir acompanhado da sensação de formigamento.

Além de ocorrer na coluna e costas, a dor provocada pela doença pode irradiar para pernas, nádegas e braços, assim como a dormência nessas regiões. Para a maior parte dos afetados pelo problema, os quadros de dor se intensificam durante a noite, quando o corpo está repousado. Movimentos mais rápidos, como virar o pescoço ou torcer o tronco, normalmente também intensificam a dor.

Outros sinais comuns são a diminuição das forças dos membros superiores e inferiores, sensação de pernas “pesadas” e dificuldade em levantar o calcanhar. Câimbras são igualmente recorrentes nas ocorrências de herniação.

Em casos mais raros, e mais graves, a hérnia de disco pode levar à incontinência urinária e intestinal. As consequências ocorrem quando há inflamação na última vértebra lombar, chamada L5, ou no osso sacro, localizado na base da coluna.

Por último, há situações em que a hérnia de disco é assintomática. Sem sinais, ela acaba não sendo percebida pelo indivíduo, e se agrava ao longo do tempo. Por isso, é fundamental manter a periodicidade de consultas médicas.

Além disso, sintomas estipulados para a herniação são semelhantes aos apresentados em quadros de estenose espinhal e da síndrome de piriformes, também preocupantes. Isto reafirma a necessidade de acompanhamento de especialistas periodicamente.

Hérnia de disco: o que é?

Para a movimentação do tronco e ligação entre cérebro e membros inferiores, o corpo humano conta com a medula espinhal. A medula é envolvida pela coluna vertebral, óssea, que então protege a espinha delicada. A coluna vertebral, por sua vez, é composta por vértebras e pequenos discos – discos estes afetados pela hérnia.

A condição ocorre devido ao desgaste dos discos vertebrais. Os discos são estruturas cartilaginosas que permitem a flexibilidade dos ossos da coluna, e impede que estes ossos se choquem a cada movimento do corpo. O desgaste da região é natural do organismo, e decorre de acordo com a evolução da idade. Por isso, a doença é mais comum entre idosos.

Isso não significa, porém, que a hérnia não acontece na população mais jovem. Em algumas situações, a coluna sofre maior impacto no dia a dia, e a deterioração que seria natural se intensifica.

O desgaste dos discos causa bastante dor, uma vez que as vértebras “perdem” seu apoio. Os ossos passam, então, a colidir, a atritar, e as vértebras  saem de sua posição original. O resultado é o pressionamento das raízes nervosas da coluna.

De forma geral, as regiões do pescoço e do fim das costas, a lombar, são as que mais sofrem com os sintomas.

Estágios da hérnia

hérnia-de-discoNo Brasil, a hérnia afeta 5,4 milhões de pessoas, e é a principal causa da dor nas costas no mundo. Para entender a condição da doença, entretanto, é fundamental conhecer a estrutura do disco vertebral.

Cada disco vertebral é formado por duas partes: o núcleo pulposo e o anel fibroso. O pulposo é a parte interna do disco, e se assemelha a um gel. Ele é o responsável por proteger o organismo contra torções e pressões sofridas pela coluna.

Já o anel fibroso envolve o núcleo pulposo, protegendo-o, ao mesmo tempo em que permite movimentos como a rotação, torção e flexão do corpo.

A hérnia de disco origina-se, então, quando há uma ruptura do anel fibroso e o decorrente “escapamento” do pulposo. Isso significa que o gel ultrapassa a estrutura que lhe é designada dentro da vértebra, e comprime as raízes nervosas da região em que está na coluna.

A gravidade da ruptura do anel e do escapamento do pulposo é o que define o tipo de hérnia e sintomas sofridos pelo indivíduo.

Os tipos são estabelecidos de acordo com as fases de desenvolvimento do problema. Na protusão discal, por exemplo, o disco fibroso apresenta fissuras e o pulposo ameaça escapar, dando à vértebra uma forma oval. Esta nova forma pressiona as raízes nervosas.

No tipo seguinte da doença, o núcleo pulposo é extravasado. Chamada hérnia extrusa, a doença leva o gel para o exterior do disco, mantendo-o em sua periferia.

Com o escoamento do pulposo, a estrutura cartilaginosa sofre ainda processo de achatamento, diminuindo o volume do disco. Esta massa diminuta acaba por minimizar a eficácia do disco, que então não consegue amortecer os impactos dos movimentos do corpo nas vértebras.

Por último, há a chamada hérnia sequestrada. Ela é a forma mais grave da hérnia de disco, e é caracterizada pelo rompimento completo da parede do disco. Com a situação, o núcleo pulposo migra para o canal da medula, e torna o quadro inflamatório bastante intenso.

Causas da doença

A coluna vertebral é a região do corpo que sofre mais impactos do dia a dia. Afinal, a região é responsável pela sustentação do corpo e dá estrutura a pernas e braços para se movimentarem. No dia a dia, ela sofre torções, impactos de “sobe e desce”, choques por batidas e vários outros. Assim, é compreensível que a região esteja sujeita à degeneração, devido à repetição de movimentos.

Desta forma, as principais causas da hérnia de disco se referem a impactos diretos na coluna. Acidentes e quedas são preocupantes neste quesito, pois oferecem impactos mais fortes à área.

Entretanto, abalos de repetição são igualmente perigosos. Assim como acontece em casos de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) nas mãos, a recorrência de movimentos ao longo do tempo força a coluna e acaba desgastando os discos.

Aliás, a repetição não precisa ser de movimento: o impacto sofrido pela coluna ao permanecer na mesma posição por muito tempo, como sentado no trabalho, também pode causar lesões nas vértebras.

Forçar os músculos das costas ao carregar excesso de peso ou realizar atividade física intensa demais também é prejudicial ao indivíduo. Isso porque os músculos são responsáveis por dar sustentação à coluna. Caso eles sejam demandados em excesso, podem comprometer esta sustentação, e então a coluna recebe pressão. A pressão, finalmente, causa o desgaste da região, e pode levar à hérnia.

Outras causas comuns da doença são os maus hábitos alimentares. Assim, o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação, que prejudicam o corpo como um todo, podem facilitar o aparecimento da inflamação .

A má postura é mais um ponto destacável. A posição correta da coluna vertebral é ereta. Quando o indivíduo curva a espinha de forma incorreta, como ao manter a cabeça baixa para o uso do celular, ele coloca pressão exagerada nas vértebras. Lidando com esta pressão e evitando o atrito, os discos trabalham mais, e se desgastam mais rapidamente. Quanto maior o desgaste dos discos vertebrais, maiores as chances de desenvolvimento da doença.

Finalmente, a genética é considerada um fator de risco ao aparecimento da hérnia de disco. Isso significa que, caso tenha membros na família com o problema, o sujeito está mais suscetível ao desenvolvimento do problema ao longo da vida.

Diagnóstico do problema

A descoberta da hérnia de disco é realizada normalmente em três etapas. Na primeira delas, a conversa com o médico, o especialista busca conhecer os hábitos de vida do paciente e seu histórico familiar.

Desta forma, ele realiza perguntas como: quais são seus sintomas? Você percebe a sensação e dormência ou formigamento de braços e pernas? Há alguma situação que intensifica sua dor, como deitar ou tossir? Os sintomas estão prejudicando seu dia a dia? Alguém de sua família tem ou já teve problemas na coluna? Você realiza atividades físicas? Se sim, qual e em qual intensidade? Quais seus hábitos alimentares? Você carrega peso diariamente? Qual seu trabalho? Você permanece muito tempo na mesma posição? Em que postura você costuma manter sua coluna?

No passo seguinte, o médico busca verificar os sintomas e situações descritas pelo indivíduo. O profissional então realiza pressões nas áreas consideradas doloridas pelo paciente. Esta ação verifica a intensidade da dor e quais as áreas sensíveis nas costas. Nesta etapa, ainda são realizados testes de força muscular, de sensibilidade e de reflexo.

Outros testes

Para a certeza do diagnóstico, a última etapa dos exames consiste em testes de imagem. Por meio deles, o médico poderá definir o tamanho da lesão e a área da coluna em que ela está localizada.

O raio X é o exame de imagem mais conhecido. Por meio de chapas em “azul e branco”, ela oferece a visualização da estrutura óssea do corpo, e pode mostrar a região inflamada. Já a tomografia computadorizada melhora a percepção da lesão, pois resulta em imagens mais nítidas da coluna.

Quando após estes exames ainda houver dúvida quanto à causa dos sintomas, o especialista pode recorrer a dois outros testes: o mielograma e a eletroneuromiografia. No primeiro, a medula óssea é aspirada do interior do osso e analisada em laboratório.

Já na eletroneuromiografia, o médico analisa a velocidade de resposta do sistema nervoso do paciente, o que pode diagnosticar a compressão das raízes dos nervos da coluna. A condição é chamada radiculopatia.

Quando procurar o médico?

Geralmente, os sintomas da hérnia de disco afetam bastante a rotina do indivíduo. Torna-se difícil dormir, permanecer sentado, levantar os pés e outras ações comuns. Por isso, é preciso ter atenção à periodicidade dos sintomas.

Caso eles permaneçam por mais de 2 semanas, podem indicar a presença de hérnia. Situações em que os sintomas apareçam e diminuam por várias vezes no período de um mês, eles também merecem atenção.

Nestes casos, procurar um médico é fundamental. O diagnóstico correto do problema, além de permitir a cura dos sintomas, pode impedir a evolução do desgaste dos discos.

Por outro lado, se o indivíduo apresentar dor nas costas ou formigamento associados à incontinência urinária ou intestinal, a situação é emergencial. O ideal é correr ao hospital, sem demora, pois a situação é mais grave que uma hérnia comum.

Tratamento da hérnia

O tratamento da hérnia de disco consiste, principalmente, na mudança de hábitos. A primeira delas refere-se à postura: de forma geral, o indivíduo com a doença apresenta um desvirtuamento da posição ideal. Este desvirtuamento pode ser a causa da hérnia, mais comum, ou então consequência dela, uma vez que as dores colocam o corpo em posições diversas.

Desta forma, o paciente diagnosticado deve ter cuidado dobrado no dia a dia. Ao sentar, por exemplo, é importante manter a coluna apoiada no encosto da cadeira, de forma ereta.

É fundamental também dar apoio aos pés, mantendo-os no chão ou em um suporte elevado. A ação evita que a coluna sofra pressão desnecessária. Para as mãos, prefira dar suporte encostando os pulsos na mesa.

Ao carregar peso, mais uma vez é necessário cuidado. Para suspender algo que está no solo, o ideal é flexionar os joelhos, inclinar o corpo com as costas eretas, suspender o objeto, e levantar com as costas ainda na posição correta. Os braços devem permanecer flexionados, nunca esticados – a segunda condição sugere que o peso é maior que o recomendado ao corpo, e a coluna será mais demandada em casos deste tipo.

É ainda interessante realizar alongamentos do corpo no dia a dia. Os alongamentos básicos funcionam em contagem de dez segundos. O indivíduo pode, por exemplo, segurar os braços, um de cada vez, por trás da cabeça; ou então a perna pela parte de trás do corpo, encostando o calcanhar na coxa.

Estas práticas também são reforçadas por exercícios indicadas pelo fisioterapeuta, que corrigem a postura no dia a dia.

Estes cuidados com a postura funcionam tanto para o tratamento, quanto para a prevenção da hérnia de disco.

Cuidados com o corpo

Além da preocupação com a postura, o paciente com hérnia – e os demais indivíduos, aliás – devem ter atenção ao fortalecimento dos músculos das costas. Como as estruturas dão sustentação à coluna, elas precisam ter boa formação.

Desta forma, a musculação supervisionada por um profissional de Educação Física é bastante eficaz. Assim como o Pilates, que auxilia no fortalecimento dos músculos ao mesmo tempo em que promove a reeducação da postura e melhora a flexibilidade do corpo.

Na alimentação, é essencial incluir alimentos ricos em nutrientes, e principalmente em colágeno. O colágeno é importante para a criação de novas células e reparação de um disco vertebral inflamado. Ele pode ser encontrado em alimentos como salmão, folhas verdes e ovos.

A acupuntura é igualmente uma técnica bastante indicada. Ela consiste na aplicação de agulhas em determinados pontos do corpo, que promovem o alívio da dor.

O tratamento da hérnia de disco requer muito repouso por parte do paciente, sendo que o médico também prescreve anti-inflamatórios, analgésicos e relaxantes musculares a fim de aliviar os sintomas da hérnia. Após iniciado o tratamento, a dor costuma diminuir entre 6 a 8 semanas.

Associados a todos estes métodos, o indivíduo pode ainda utilizar-se de analgésicos e anti-inflamatórios. Os medicamentos, quando  receitados pelo médico, são eficazes na diminuição dos quadros de dor.

Tratamentos incisivos

hérnia-de-discoQuando as técnicas citadas não oferecem o resultado esperado, o indivíduo pode ser obrigado a recorrer a tratamentos mais incisivos. Isso, claro, com a indicação médica. Desta forma, o primeiro método possível é a aplicação de injeções de esteroides. As injeções auxiliam no controle da dor e podem potencializar o combate do processo inflamatório do disco. Elas normalmente são aplicadas em centros cirúrgicos ambulatoriais.

Outra possibilidade é a radiofrequência pulsada. Nesta técnica, uma agulha é inserida na raiz nervosa, e a raiz recebe então ondas elétricas, o que trata a dor.

Finalmente, apenas em último caso, o paciente pode passar por cirurgia para a cura da hérnia de disco. Apenas 5% dos casos da doença são tratados por este meio.

São quatro os tipos de cirurgia para hérnia, que variam de acordo com a gravidade do problema e do risco para o indivíduo. Na discectomia, por exemplo, o fragmento do disco que está causando pressão sobre os nervos é removido.

Na laminotomia, o cirurgião realiza uma pequena abertura na base da vértebra, chamada arco vertebral, e então alivia a pressão sobre as raízes nervosas afetadas.

O disco pode também ser completamente removido, e substituído por um artificial produzido por plástico ou metal. Já na fusão espinhal, duas ou mais vértebras são fundidas por meio de parafusos ou enxertos ósseos, o que limita o movimento da coluna e impede que a condição da hérnia se agrave pelos atritos.

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